A rota menos percorrida, muita praia e o descanco merecido
Dezembro 9, 2009
Muito dos que voam para a Ilha de Flores, vao para o Parque nacional de Komodo para ver os Dragoes de Komodo e voam de volta. Algumas atracoes estao sendo descobertas, aumentando o numero de visitantes. Mas não e so a ilha de Flores que e esquecida pelo turismo convencional. Entre Lombok e Flores esta a ilha de Sumbawa. Aqueles lugares que ate guias como o Lonly Planet (que deverim ser para viajantes independentes) falam que e bem legal, mas complicado viajar por la, devido a falta de infra estrutura, transportes irregulares, etc. Ate os barcos que vem de Bali ou Lombok, passando por varias ilhas, ate terminar em flores, pulam Sumbawa, não entendemos porque.
O Ferry de Labumbajo/Flores ate Sape/Leste de Sumbawa foi tranquilo. Foram aproximadamente oito horas de viagem, mas com espaco, sem stress e uma otima paisagem. Pudemos ver aquelas “ilhas vulcoes” de outro ângulo. A Bibi aproveitou para botar o sono em dia, indo para a primeira classe e se espichando nas poltronas almofadadas que estavam vazias, nem percebendo o barulho da TV que passava o filme do Wolverine. Eu fiquei lendo na terceira classe, que inacreditavelmente não estava lotada. Tinha uma cafeteria que servia pequenas refeicoes alem de muitos curiosos que vinham conversar. Ao chegar, dezenas de carregadores subiram no ferry para ajudar os passageiros a carregar suas caixas e bagagens em troca de algumas moedas. Mais carregadores que mercadoria, acabou saindo uma briga, a primeira que presencio desde o inicio da viagem. Esperamos os animos se acalmarem e saimos do ferry, em direcao aos micronibus para continuar viagem. Eles estavam saindo, e quase que ficamos presos ali, pois transporte so no dia seguinte. No inicio passamos por algumas montanhas, arrozais, mas não demorou muito e o relevo mudou, ficando bem mais plano. O onibus estava lotado, cheio de coisas no corredor, mas logo chegamos na rodoviaria de Bina. As duas primeiras cidades de Sumbawa nos impressionaram. Haviamos lido sobre o subdesenvolvimento da ilha, baixissimo IDH, mas não viamos esta pobresa toda, pelo menos proximo das estradas que circulavamos e principais cidades. Gostariamos de explorar mais Sumbawa, mas nosso tempo estava curto. Decidimos não arriscar por causa do escasso transporte e seguir para o outro lado da ilha, onde estariamos pais perto de Lombok/Bali, destino final da nossa viagem. Tivemos um intervalo ate o proximo onibus, e a Bibi foi para um mercadinho comprar sanduiche para mudar um pouco a comida. Eu achei uma tiazinha com umm carrinho que parecia de pipoca. Comi um delicioso Nasigoreng (não, eu não enjoo!!), talvez o melhor da viagem. Ficamos sentados na estera estendida na calcada, comendo e esperando nosso onibus. O senhor sentado ao lado com seu filho ate tentava se comunicar, mas trocavamos sinais e muitas risadas. O outro onibus que pegamos era super bom, tinha ate banheiro!! Poltrona reclinava bastante e conseguimos dormir. Como chegariamos em Pota Tano no meio da madrugada, e muita gente nos falou que não existiam hoteis por la, estavamos considerando ficar em Sumbawa Besar, capital da ilha, que ficava algumas horas antes. Tentei falar com o motorista algumas vezes, mas ele fazia sinal de que não me entendia e não falava comigo. Acordei com as luzes de Sumbawa Besar, e com rapidas paradas para passageiros descerem. Achei que o motorista nos deixaria numa area central. Quando fomos nos afastando do “movimento” (a cidade e pequena, mesmo sendo uma capital), a esperanca era que parassemos na rodoviaria, muitas vezes afastada do centro. Paramos, mas num restaurante, para o jantar, que estava incluso na passagem. Eram quase 2 da manha e tinha um pequeno buffet a nossa disposicao, com arroz, frango, verduras e mais algumas coisinhas. Arranjei alguem que fala ingles, ou algo parecido, e la vou eu reclamar com o motorista. Ele apontou para mototaxis, que poderiam nos levar ate o hotel la mais perto do centro. Juntou mais alguns curiosos e falavam que eu deveria ir para Pota Tano, pois cedo já tinha transporte de la para Maluk, a praia que queriamos ir. Mesmo com medo de ficar no meio da rua sem transporte, decidimos arriscar. Dormimos novamente e acordamos com o cobrador quase nos jogando para fora do onibus. Saimos correndo para pegar as mochilas no bagageiro e nisso a Bibi esqueceu uma sacola com roupas molhadas dentro do onibus (so foi reparar depois). Estavamos no cruzamento que ia para o porto, lugar escuro, so iluminado pela luz de uma guarita com 3 pessoas e uma moto ao lado. A vontade era de falar ”que merda!”, mas antes que as palavras saissem da minha boca, passou uma van lotada de coisas perguntando para onde iamos. Eu falava Maluk, Maluk e eles so fizeram sinal para subir. O pessoal com cara de sono, de acordar tao cedo para trabalhar, ainda conseguiram sorrir para nos e ajudar a arranjar lugar para nossas mochilas. Algumas paradas para deixar o pessoal em seus trabalhos, e chamou atencao uma delas, cheia de gente, muitos com capacete. Descobriram uma mina de cobre e ouro nesta regiao a alguns anos atras e hoje e muito movimentada, explorada por uma empresa americana. Logo chegamos a Maluk, e nos deixaram a poucas quadras do único hotel que tinhamos nome. Já não era mais tarde, e sim cedo. Para nossa sorte tinha uma pessoa acordade e nos mostrou as 3 opcoes de quarto. Depois de tanto tempo viajando, decidimos pela melhor delas, com arcon e ate frigobar. Demos aquela merecida dormida e depois fomos conhecer a praia, que ficava bem pertinho. Praia bonita, uma bahia em forma de ferradura. Uma pequena estrutura de bares/restaurantes cheia de locais, uma praca e parque para criancas. Fomos para o canto da praia, num barzinho de estrutura rustica, mas não tinha almoco. Resolvemos tomar alguma coisa e já veio uma pessoa falar com a gente, sentando na nossa mesa, mesmo sem ser convidado. Acabamos comendo um delicioso peixe assado na “praca de alimentacao” entre os pequenos restaurantes. Não preciso nem comentar a dificuldade de comunicacao, mas a mimica já esta boa. Era domingo e estava cheio de locais aproveitando a estrutura.Demos uma pequena caminhada e ficamos largados na areia conversando e tomando banho de mar, com aquela parte da praia so para nos. Final de tarde já estavamos indo para pousada quando vimos que o por de sol seria daqueles. Sentamos na areia e ficamos vendo o sol se por, todas aquelas cores, enquanto pessoas tomavam banho de mar de roupa e um arco-iris se formava no lado oposto.
Outro dia nos limitamos a uma caminhada ate o canto da praia, onde na “temporada seca” tem uma super onda chamada Supersuck, mas que agora parecia uma piscina. Grande parte do dia ficamos sentados num restaurante simpatico, conversando com as pessoas que trabalhavam la, montrando fotos. Tava muito bom ficar largado ali, mas houvimos dizer que em sengkonkang, poucos Km mais ao sul era melhor ainda. Arranjamos umas mototaxis e fomos ate uma pousada que nos indicaram. Estrutura simples, na beira da areia. Uma praia muito bonita, com bastante vegetacao e cercada com morros. Tinham alguns outros estrangeiros na pousada, que já estavam a algumas semanas ali, devido as constantes ondas de Yoyo’s. O lugar parece uma comunidade, com todo mundo comendo junto, batendo papo, cantando em volta da foqueira. O pessoal que trabalha la super gente boa, ambinte show. A comida, principalmente nos jantares, era uma atracao a parte. Horas e horas gastas na parte da frente da pousada, que carinhosamente chamavamos de “escritorio”. Redes, mesinhas, “refeitorio”, mesa de ping-pong, tudo a poucos metros da areia. Uma torre com sirenes mostrava que mesmo nas praias mais isoladas, a Indonesia se preparou para proximos tsunamis.
Por melhor que seja ficar largado por aqui, fazer caminhadas, o ponto alto e o surf. Yoyo’s e uma onda bem constante, e a ondulacao tava entrando bem quando cheguei. Consegui uma prancha com uma das pessoas que trabalhava la, emprestada, não alugada. Como alguns estrangeiros tinham ido surfar em Scareef (varios KM para o norte), outros se preparavam para o swell do dia seguinte, fui surfar sozinho. A Bibi ficou na areia e eu tentando achar a melhor maneira de passar por aqueles corais, muitas vezes com ouricos. Já tinha tido a oportunidade de surfar quase sem ninguem em Madagascar, mas agora estava sozinho, com altas ondas. Aquelas que voce olha quebar uma vez, outra, e são praticamente todas iguais. Como nada e perfeito, o lugar e muito raso, e apesar do coral não ser tao afiado por aqui, com certeza causaria um estrago. Ficava la no fundo, so esperando as maiores, para não correr o risco de nenhuma quebrar em cima de mim tambem. A serie vinha batendo na pedra do morro, que cheia de tuneis e cavernas fazia um barulho super alto. A adrenalina subia, mas depois do “buraco” inicial a onda era muito facil. Dificil era surfar naquela agua transparente vendo os corais. Acertei o pe rapidinho, e fiquei com dor na perna de tanto que surfei. Surfei mais num dia que nos ultimos anos (praticamente não surfava mais). Como as ondas perto da praia já não estavam pequenas, e eu estava bem para o fundo, a Bibi não me via. Resolveu voltar por causa do sol forte e preocupada foi perguntar para alguem se o lugar não tinha perigo. O pia respondeu, que tinha um monte de tubarao, que era para ela pedir ajuda. Ela ficou super preocupada, mas o pessoal da pousada a acalmou, explicando que o pia era meio lesado da cabeca ate eu chegar já com o sol se pondo. Não foi dificil decidir que ficariamos mais tempo la, naquela rotina “chata”. Mas um dia tinhamos que sair, e voltar para nossa saga dos transportes. O pessoal da pousada nos deu carona ate Maluk, devido a falta de transporte coletivo. De la pagamos um onibus de volta para Pota Tano, Ferry para Lombok, onibus para Mataram, mototaxi para Senggigi. Parada para comer, sacar dinheiro e descobrir que de la para as Gili Islands so no dia seguinte. Como queriamos ir direto para a ilha, descobrimos um carro indo para Bangsal, de onde pegariamos o barco para Gili Air. Parecia simples, mas os barcos publicos so saem quando cheios e isto tambem seria no dia seguinte. Varias pessoas na rua se ofereciam para nos ajudar, mas com aquela cara de que iam nos passar a perna. Nos guias falavam para não ir para esta cidade, pois o pessoal era agressivo e tentava passar a perna. Como não tinhamos outra opcao, e tambem não levamos muito a serio o falho guia, ali estavamos. Sei que nos ofereceram um barco, que iria dali a algumas horas com outros estrangeiros. Cada hora um falava uma coisa, um preco, um horario. Certo momento acabei entrando numa discucao para desespero da Bibi. Fomos praticamente expulsos do bar/restaurante onde a negociacao estava sendo feita, e quase que sai um Muaythaizinho…hehe
Sentamos em outra mesa de bar e acertamos com um dos caras, que aparentava ser gente boa, mas que depois descobrimos ter mentido sobre os horarios e nos feito esperar por horas. Final de tarde finalmente conseguimos partir para Gili Air. As 3 ilhas Gili ficam bem perto de Lombok e entre elas. Uma e famosa por suas festas e noitadas, outra pelo isolamento total, e a que fomos e considerada um meio termo. Lugar para casal, mas com varias opcoes.
Iamos ficar alguns dias ali e ir comemorar o meu aniversario na Ilha das festas, mas acabamos não conseguindo sair de Gili Air. Dizem que o dificil de não fazer nada e que nunca sabemos quando acabamos. Foi mais ou menos assim. Dias largados, de férias da viagem, de se movimentar. Primeiro dia ate demos a volta na ilha, coisa que não demorou mais que uma hora. Depois disto era so se movimentar da pousada ate uma das casinhas na frente da praia, para o café da manha. Ficar horas deitado, lendo, conversando. Mergulho para refrescar o grande calor. Procurar outro lugar de frente para o mar pro almoco. Repetir a rotina, ate a hora do jantar. Varias opcoes de lugares para comer, todos com almofadas, estilosos, com boa musica. As praias bonitas, mas o melhor delas era dentro da agua. Com os corais a agua ficava transparente, e estes rodeavam boa parte da ilha. Na parte com areia era azul. Muitos peixes, tartarugas e a Bibi já esta intima do Snorkling. Pensou ate em fazer curso de mergulho, mas daí não estariamos fazendo nada, nosso objetivo. Teve comemoracao do aniversario em alto estilo, num lounge na frente da praia, com muita pipoca e cerveja, e me sinto mais jovem do que nunca!!haha
Os dias passaram e tinhamos que voltar para Bali para pegar o voo para Jakarta e seguir para o Vietnan. Quando pedi a conta do hotel, o já considerado antipatico “gerente” me passou um punhado de notas, não esperando que eu fosse conferir. Na primeira olhada vi que o prato predileto da Bibi estava com o preco mais caro que o do cardapio e tinha uma refeicao que não haviamos feito. Questionei amigavelmente sobre aquela refeicao. Ele me explicou com detalhes, que a Bibi não estava junto, tinha ido caminhar, e eu comi no meio da tarde, junto com tres suecas (se fosse verdade eu tinha caido do burro!!!haha). Como não ficamos separados por mais de 5 min, e não lembrava de nenhuma sueca, fui buscar meu diario no quarto. A refeicao em questao era no primeiro dia, portanto dificil de lembrar. Comecei a ler para ele nosso dia, e depois de almocar tinhamos ficado ate a metade da tarde largados ate o tempo melhorar, so depois fomos dar a volta na ilha. Isto derrubava a teoria dele, pois estavamos bem longe na hora que ele indicava. Ele ficou nervoso e já comecou a me chamar de desonesto e tal. O nervosismo trocou de lado e fiquei puto da vida. So pequei o cardapio e fui mostrar os precos errados que ele tava cobrando. Ele desesperadamente virou a conta de ponta cabeca e falava que era para eu pagar logo, que nem precisava pagar aquela refeicao. Claro que fiz ele passar a maior vergonha na frente de todo mundo, alterando todos os precos. A audiencia já não era pequena para desespero da Bibi. Acabamos perdendo o café da manha no dia seguinte, com medo que viesse com bonus…
Barco para Bangsal, van ate Lembar, horas de ferry para Sanur/Bali e finalmente van para Kuta. Tava muito quente, e mesmo no deck do ferry estavamos derretendo. Conseguimos ficar numa das poucas sombras existentes, e nos largamos no chao torcendo para que o vento aumentasse. A velocidade do ferry não ajudava muito tambem. Bom que eu estava empolgado com meu novo livro usado que comprei em Gili. O ferry tava cheio de mochileiros do mundo inteiro, maior concentracao que vimos desde Kuta. Boa parte deveria estar vindo de Gili Travangan, a ilha da festa.
Chegamos tarde em Kuta e so deu tempo de me preocupar um pouco por não ter conseguido sacar dinheiro em 8 caixas eletronicos diferentes. Tudo resolvido depois de uma ligacao via Skype para o Brasil enquanto a Bibi visitava as lojas.
Ainda teriamos que acordar cedo para viajar para Jakarta, passar algumas horas no aeroporto para pegar o voo para Ho Chi Minh, no Vietna. Neste meio tempo eu não tinha como não pensar o quanto gostaria de voltar para a Indonesia. Voltar para muitos lugares que passei, mas tambem para Sumatra e Papua, ilhas que estao na minha lista faz tempo, mas merecem um bom tempo para serem exploradas.
A ilha “catolica” e a outra ali do lado com dragoes de verdade!
Novembro 28, 2009
Apesar de quase toda a Indonesia ter sido colonizada pela Holanda, uma ilha no seculo 16 foi territorio portugues. Encantados com a beleza do lugar, os portugueses chamaram de “Flores”. O dominio portugues nao durou, e o controle passou para os holandeses, que mantiveram o catolicismo. Ate hoje Flores e uma ilha Catolica, apesar de suas crencas serem bem peculiares.
Tivemos sorte que eu sou neurotico com a questao de horarios. Chegamos cedo no aeroporto e nosso voo tinha sido adiantado uma hora. Imagine se chegasse so uma hora antes do horario marcado e o aviao nao estivesse mais la! Dentre diversas ilhas que sobrevoavamos, não muito tempo depois de ter levantado voo, passaram a aparecer vulcoes que saiam diretamente do mar. Uma destas “ilhas vulcoes” tinha um belo lago dentro. Por mais que fossem esperadas, as belezas naturais da Indonesia surpreendiam a cada etapa da viagem. Não demorou muito e chegamos a Labunbajo, na costa oeste de Flores. Rapido transporte para a pequena cidade, e fomos procurar hotel para ficarmos. Logo percebemos que a qualidade das poucas opcoes da cidade eram inferiores as que estavamos ficando, e os precos não acompanhavam a queda da qualidade.
Achamos um lugar agradavel, e a Bibi ficou lendo e escrevendo enquantou eu fui rodar a cidade. Percorri a rua principal, fui no mercado de peixes e parei na frente do pequeno porto, onde tinha vista para a bahia, cercada de ilhas com diversas montanhas. Tentei descobrir mais sobre o transporte na regiao, e voltei para conversar com a Bibi sobre nossa programacao para os proximos dias. Final de tarde fomos para um dos dois restaurantes para turistas, onde tem Wi Fi. Era so para tomar alguma coisa curtindo o por de sol mas acabamos nos enpolgando com o Skype e jantamos por ali mesmo.
Na ilha existem dois tipos de transporte. O onibus comum, estilo pau-de-arara, que so sai quando cheio (lotado) e vai parando toda hora, e um micro onibus, um pouco mais ajeitado, que passa ate para pegar voce no hotel se agendar com antecedencia. Decidimos pela segunda opcao e bem cedo já estavamos saindo. Engana-se quem esta imaginando um onibus para turista, com ar condicionado e tal. Onibus com bagageiro lotado em cima, diversas caixas no corredor, viajando com as 2 portas abertas para ventilar (apesar dos dois ventiladores de teto).
Viagem longa, quase 10h, com direito a pequena parada para almoco. As curvas iniciaram logo na saida e seguiram por todo o trajeto. Impressionante, e um sobe e desce e curvas toda hora, por paisagens deslumbrantes. Acho que por poucas vezes tivemos 100 a 200 metros de reta. E uma montanha ao lado da outra. No mesmo onibus estava um casal de canadenses, Rob e Natasha, com quem no final da viagem comecamos a conversar e dividir ideias sobre o melhor roteiro em Flores. As vezes o mato fechado se abria e era possivel avistar algum vulcao ou o mar. Chegamos em Bajawa e pegamos um transporte ate o hotel indicado. Como estavamos nas montanhas, a temperatura baixou bastante, o que foi comemorado por todos. Eu e o Rob fomos vendo como fariamos para visitar os lugaras que queriamos, e descobrimos que se alugassemos um carro, o preco seria quase o mesmo que o do transporte publico. Final de tarde conhecemos a Marlinda, Holandesa, que se juntou a nos. Alem de ter ficado mais barato, conseguims otimisar o tempo. Com transporte publico viajariamos um dia, fariamos uma atividade em outro, e poderiamos viajar so no terceiro dia. Com o carro tudo ficaria mais agilizado. Como tinhamos prorrogado a saida da Indonesia, eu e a Bibi tinhamos tempo, mas o outro pessoal tava com os dias contados. Jantamos todos juntos para acertar os detalhes, e de manha cedo estavamos indo conhecer as vilas da regiao.
A primeira vila era bem na base de um vulcao. Um pequeno aglomerado de casas tipicas e não muita gente. Enquanto os homens construiam novas casas para a vila, as mulheres cuidavam do dia a dia da vila. Tinham poucas criancas, e os jovens não moravam mais ali, pois se mudavam para a cidade para estudar. Eles tem o costume de enterrar as pessoas importantes da vila e colocar suas lapides no meio dela. Já tinhamos notado que mesmo nas cidades as vezes enterravam os parentes no quintal. A Natasha distribuiu balas para as criancas, o que me revoltou muito. Depois de ter passado por tantos lugares, uns turisticos e outros não, e facil de ver o que um simples e “inocente” ato destes vai gerar. Uma geracao de pedintes. Os proximos turistas que forem la, vao ser cercados por criancas pedindo balas, mais para frente dinheiro… Cria-se uma cultura de pedir, mesmo o que não precisa. Passam a pedir qualquer coisa, independente da necessidade. Um lugar que e extremamente agradavel se tornara algo insuportavel. Turismo irresponsavel. Não sou do perfil que fala as coisas, ainda mais por ter achado eles muito gente boa.
Em algumas casas da vila tinham posters de Jesus. Sim, esta vila tradicional era “Catolica”. Bem, Catolica da sua maneira, pois apesar do cristianismo estar presente, tem uma maneira bem peculiar. Eles continuam seguindo tradicoes de sacrificios de animais para comemorar o nascimento ou morte de alguem, termino de uma casa, inicio ou fim do periodo de colheita e assim vai. No centro da vila tem construcoes de madeira que representam os antepassados. Todos este rituais anemistas andam lado a lado com o catolicismo por aqui, muito interessante.
Conversamos um pouco mais sobre as tradicoes do local, quando vimos uma senhora sentada na varanda de uma das casas. Fomos tirar uma foto e ela mascava uma folha com uma nos dentro. E o estimulante local. Eu e a Bibi mascamos, e logo estavamos com aquele liquido marrom e amargo na boca que não se pode engolir. Ate que da um efeito leve, se ficar o dia todo mascando deve acabar com o cancaco mesmo.
Caminhamos ate uma outra vila, esta bem maior. Ela não era tao legal quanto a outra, mas bem interessante. Tinha um pessoal tocando musica, mas como o lugar era maior, a interacao não foi tao grande. O ponto positivo era um lugar com vista fenomenal no final da vila. De la fomos almocar e pegamos estrada para Moni. Estrada continuava maravilhosa, e com suas curvas e sobe e desce. Paramos para caminhar um trecho perto de plantacoes de arroz. E muito interessante a primeira reacao das criancas, que fogem da gente. Beiramos o mar e as praias com areia preta devido a atividade de vulcoes e passamos por Ende, com seus vulcoes, antes de continuar a viagem. Moni e uma agradavel cidadezinha nas montanhas, com temperatura amena, e pouca estrutura.
Acordamos cedo para subir o Kewlimutu. Queriamos estar la em cima antes do ceu nascer. São tres crateras, todas com lagos coloridos. Duas delas tinham lagos verdes e uma preto. As cores mudam de acordo com os minerais liberados, e as vezes tem lago azul, vermelho, dentre outras cores. Muito bonito o lugar e surpreendentemente vazio. Alem do nosso grupo tinham so 2 estrangeiros, alem de um senhor que vendia cha e café quente, bem apreciado por nos. Isto que se trata de uma das maiores atracoes de toda a ilha de Flores. Interessante que aqui, se fala pouco Bahasa Indonesio, a lingua oficial do pais, imaginem entao o ingles. Para se pedir um simples café não e tarefa facil. Na Indonesia falam mais de 700 linguas. Quando perguntam do Brasil e temos que responder que so se fala o portugues, dentre tantas outras linguas que existiam, que percebemos o assassinato cultural que ocorreu no nosso pais.
O bom de acordar tao cedo e que o dia rende. Já pegamos estrada para voltar para Bajawa. No caminho vimos uma vam com muitas galinhas penduradas, bodes e cachorros amarrados no teto. Fiquei brincando que seria nosso almoco, pois cachorro e um prato muito apreciado por aqui.
Muitas horas de viagem e chegamos em Bajawa. Estavamos mortos de fome e as meninas foram comer no restaurante em frente a pousada enquanto eu e o Rob fomos conferir o tao apreciado “prato tipico”. Chegamos no restaurante e pedimos cachorro para comer. O cara tirou uns pedacos do freezer e comecou a preparar. Na espera para ficar pronto, para a van da estrada e entrega algumas galinhas e os dois cahorros pulgentos dentro de sacos. Não foi nada agradavel, e a consciencia comecou a pesar. Logo chegou nosso prato. Pedacos de carne com ossos numa tigela, e arroz e verduras em outra. Experimentei o primeiro pedaco e me surpreendi. Carne macia como um corte nobre de carne de boi. Ta certo que o fato de estar perto do osso ajuda, mas tava muito bom, e o molho tambem. O que atrapalhou um pouco foram uns pelos nojentos que vinham junto. Tentava lembrar que em feijoada tem pedacos de carne com pelo tambem, mas não adianta, o psicologico pega. Cortava as gorduras com pelo para comer so a carne. Deixei so um pedaco, mas não foi a melhor experiencia que já tive. O dia todo ficava lembando dos pobres cachorros sarnentos em cima da van…
De estomago cheio e “ arrotando cachorro”, fomos para umas aguas termais que não ficavam muito longe dali. Estrutura simples, uma piscina natural e o rio quente ao lado. Agua bem quente, acentuada ainda mais pela fina chuva que caia. Ficamos la largados, aproveitando o único banho quente que tomamos em toda a ilha de Flores.
A volta para Labuanbajo, novamente com transporte publico, foi longa, não muito confortavel mas muito prazeirosa. Ao chegar tivemos que ficar em outro hotel, pois o que haviamos ficado antes estava lotado com um grupo de estudantes indonesios. Jantamos todos juntos como despedida, pois não encontariamos mais o Rob e Natasha. A Marlinda iria junto com a gente para o Parque Nacional de Komodo.
Pegamos um barco cedo sentido Rinca, uma das ilhas do parque nacional. Não e muito perto, e demora um tempinho para chegar la. A Bibi e a Marlinda, psicologas, engataram num papo e não pararam mais. Eu arranjei um lugar na proa do barco e fiquei so curtindo o visual de mar azul, ilhas e montanhas. Chegamos numa pequena bahia, onde atracamos na ilha. Andamos pelo trapiche e poucos metros dali estava o primeiro Dragao de Komodo. Não muito grande, pois ainda era um filhote. O cara do barco, com um pedaco de pau em forma de forquilha, não muito maior que uma vassoura, falou que não tinha problema, que seguraria o “Dragao” com seu bastao. Caminhamos receosos pelo caminho ate o centro de informacoes. Pegamos as entradas e fomos ate um alojamento encontrar com nosso guia. Em baixo dos alojamentos, entre as palafitas, já tinham muitos dragoes, que são atraidos pelo cheiro de peixe da cozinha. Tava muito quente, bem mais que Labunbajo, que já era dificil. A vegetacao aqui tambem era totalmente diferente, e muito mais seco. Impressionante como pode mudar tanto de uma ilha tao perto da outra. Com este calor todo muitos dos dragoes estavam imoveis. Os que andavam eram assustadores. Eles não rastejam como crocodilos, e sim caminham com uma consideravel altura do chao. Depois de convencer a Bibi a passar entre duas casas cheias de dragoes em baixo, iniciamos nossa trilha. O senhor que era nosso guia tambem carregava uma vara, que falava que era magica para proteger contra ataques. Durante um bom tempo de caminhada ficamos escutando casos de ataques a humanos, desde um guarda atacado dentro do alojamento ate turistas ao irem no banheiro sozinhos no mato. Acho que e um pouco de folclore, e querem dar um “clima” para o lugar. Se bem que se quisessem, seriamos presas faceis. Os Dragoes de Komodo passam de 3 metros de comprimento, e pesam algumas centenas de quilos. Correm relativamente rapido, os pequenos sobem em arvores, e nadam ate 500 metros da praia (as fortes corrente fazem com que não consigam ir para outras ilhas). Uma maquina de cacar, mas sua especialidade e outra. Eles atacam grandes presas, como veados e bufalos. No caso de bufalos, muitas vezes dao so uma mordida e recuam, para não serem feridos. A sua saliva possue tantas bacterias que a mordida causa uma grande infeccao. O Dragao segue a vitma durante dias, ate que esteja tao debilitada que não possa mais reagir. A infeccao passa a esalar um cheiro podre, que atrae mais dragoes, que juntos atacam a vitima.
Vimos alguns dragoes pela trilha, inclusive duas femeas em buracos cuidando de seus ovos. Eles são canibais, e se a femea não protejer, outros dragoes comem os ovos. A propria femea come alguns filhotes depois que nascem, por isto eles tem que se virar sozinhos desde pequenos. Pode parecer estranho, mas a mae natureza sabe o que faz. A populacao de dragoes de komodo e estavel, não aumenta nem diminui a anos. Depois de um rapido almoco tivemos que nos despedir desta fantastica ilha com a certeza que dragoes não soltam fogo nem voam, mas que existem, existem.
Na volta fomos ate uma ilha para mergulhar. Ate la o papo de psicologia e astrologia rolou solto…
Chegamos na ilha, e já tinham varios barcos. Era uma sexta-feira, final de semana para os muculmanos, e tinham muitas pessoas curtindo o dia livre. Muita musica e banho de mar de roupa. Na hora que a Marlinda e a Bibi foram ficar de bikini, todos olharam para elas. Fiz a Bibi entrar de shorts na agua. Agua azul, muito limpa, transparente. Tinhamos levado mascara, e deu para ver bastante coisa, mesmo com o fundo de areia, apenas com poucas pedras e corais. Na hora de sair, a areia parecia uma arquibancada, de tanta gente esperando as estranjeiras sairem da agua de bikini. Para desespero geral, elas resolveram ir ate o barco pela agua e eu fui buscar as coisas na areia.
De volta a Labumbajo passada rapida no hotel e fomos jantar no nosso restaurante preferido. Duas ratasanas passaram entre as mesas, mas nem ligamos pois o lugar era muito charmoso e a comida deliciosa. Passagens para o ferry compradas, fomos dormir pois o dia seria longo. Não e que no meio da noite acaba a eletrecidade e o ventilador para de funcionar. O calor estava insuportaval, estava muito abafado. Resolvemos abrir a porta e passamos a ser atacados por muitos mosquitos. A Bibi tratou de extermina-los a toalhada. Noite mal dormida, rapido café e fomos para o porto, de onde saria nosso ferry.
A ilha Hindu no pais Muculmano.
Novembro 22, 2009
A Indonesia, devido a sua grande populacao, e o maior pais muculmano do mundo. Aqui o Islamismo e um pouco diferente dos outros paises. Apesar dos principios basicos serem os mesmos, foi muito influenciado pelos costumes locais, alem de outras religioes que ja estavam presentes nas ilhas antes da chegada do Islamismo. Praticas anemistas sao muito comuns e se misturam com as religioes. Uma ilha, o antigo reino de Bali, conseguiu conservar a religiao Hindu, e toda uma cultura e tradicoes tipicas desta ilha.
Chegamos Dempasar (capital de Bali) ja tarde, e nao tinha transporte publico para Ubud. O americano e a alema que tinhamos conhecido no onibus decididiram mudar seus planos e em vez de ir pra praia primeiro, iriam com a gente. Desta forma dividimos um taxi, que eu negociei ate ter um preco justo. A partir deste momento passei a dar dicas de negociacao para o casal, que nao imaginavam que os precos podiam ser tao mais barato que o primeiro preco ofertado. Ubud nao fica longe, Bali e uma ilha pequena. Chegamos la sob uma chuva torrencial, para nao esquecermos que estamos na temporada chuvosa. Procurar hotel tarde, debaixo de agua, nao foi muito agradavel. Na segunda opcao conseguimos um lugar bem bacana, cercado de plantacoes de arroz, mesmo na cidade. Quartos decorados, alem de um cafe da manha que mudava todos os dias. Se eles ja estavam impressionados com a negociacao, desta vez passaram a me idolatrar…
De noite ja tinhamos achado o lugar descolado, apesar de estar quase tudo fechado quando chegamos, mas de dia nos impressionamos com o lugar. Tinhamos a referencia do lugar como uma vila, centro da cultura balinesa. Na verdade nao e uma vila, e super desenvolvida, mas sem perder o charme. Nada de grandes construcoes, mas muitas lojas, tanto de artigos locais como de marcas internacionais. Uma ampla opcao de restaurantes e cafes, para todos os gostos. Passamos o dia inteiro andando para cima e para baixo. A Bibi ficou louca com as lojas. No meio da tarde teve uma parada, que se repitiu no dia seguinte, mas ninguem conseguiu nos explicar direito o que era. A noite jantamos com nossos novos amigos num restaurante descolado e ficamos batendo papo e tomando uma cerveja.
Como nao sou nem um pouco de loja, enquanto a Bibi passeava eu ja aluguei uma scooter. Desta forma bem cedo ja pudemos sair cedo para explorar a regiao. Ubud esta crescendo bastante, e os arredores ja estao cheio de lojas de artesanato. Mas nao demora muito para ficar uma estrada totalmente vazia, com paisagens que variam de terracos de arroz a mata mais fechada. Por todo o caminho postes enfeitam a regiao. Pequenas vilas, tao perto do turismo e parece que seus moradores nem se envolvem. Levam aquela vida calma… Pequenos templos por todos os lados, alem de decoracoes e oferendas com flores.
Quase nao vimos o tempo passar e logo estavamos de frente para o vulcao Batur. Muito legal, pois estavamos numa estrada fechada pelas arvores, de repente estavamos numa parte alta, com o vulcao e um grande lago ao lado. Tudo em volta do vulcao ainda esta queimado, devido a sua ultima errupcao em 99. Descemos ate o lago, passando por pequenos povoados, e tivemos uma vista de outro angulo. Ficamos conversando com um cara que queria nos levar para sua vila onde nao enterram os mortos, mas pinduram numa arvore que nao da cheiro. Achamos meio macabro e resolvemos pular esta atividade…
Escolhemos um lugarzinho para ficar tomando alguma coisa e curtindo o visual, ate cansar e resolver voltar. Na volta fomos parando em algumas vilas. Era final do horario de escola, e as ruas estavam cheias de criancas com seus uniformes e chapeus tipicos. Sobrou tempo para a Bibi ver mais algumas lojas, mas eu adotei a tatica do “te encontro mais tarde” para nao ter que acompanhar toda a hora. Aproveitei para ver como que iriamos para as outras ilhas.
De noite teve um apagao, mas conseguimos achar um bom e barato restaurante. A falta de luz so aumentou o numero de velas, que ja sao utilizadas diariamente.
Ubud e aquele lugar que e dificil de ir embora, entao mesmo sem ter muitos planos, resolvemos ficar mais, para curtir o lugar. Ficar de bobeira por ali, nao e nem um pouco dificil. Final de tarde num cafe, conhecemos uma Ukraniana que puxou papo com a gente. Aos 35 anos, largou emprego, vendeu casa, e saiu para viajar, sem data para voltar. Eu achei ela meio mala, mas a Bibi se deu bem, pois dentre psicologia, astrologia e espiritualidade se entenderam. Acabamos indo jantar juntos.
Infelizmente tinhamos que partir. Ja tinhamos ate trocado nossa passagem de saida da Indonesia, pois a chuva nao estava atrapalhando em nada a viagem, e tinhamos muita coisa para ver. Fomos para Kuta, no litoral, centro do turismo em Bali. Chegamos naquela muvuca, e tentamos ficar o menos tempo possivel. Deixei a Bibi numa internet com as mochilas e fui arrumar um carro. Em 40 minutos estava com um Susuki, que aluguei por menos de 8 usd por dia. Foi so olhar o mapa e se mandar dali, para as praias mais calmas da peninsula. Paramos em Dreamland, praia famosa para o surf, que ate pouco tempo tinha varios warungs e barzinhos estilosos de frente para praia, mas infelizmente agora tem um resort estilo “elefante branco”. Praia legal, com agua verde, mas nada de onda, pois nao e a epoca certa.
Mergulhamos, pegamos praia, mas logo apareceram umas nuvens escuras. A chuva nao veio, mas fez com que saissemos da praia para procurar um lugar para ficar. Rodamos um pouco, para se localizar na regiao. Tudo e perto, e com carro, nao importava muito onde ficariamos. Nao achamos o sonhado lugar de frente para a praia, mas arranjamos uma pousada super legal, em cima das falezias, com uma piscina infinita, e uma super vista. Ficamos tomando banho de piscina ate tarde. Apareceu um Neo Zelandes que deu umas dicas sobre o surf da regiao, e deu a boa noticia que um Swell estava entrando, portanto teriamos ondas no dia seguinte. Indicou um otimo restaurante ali perto, que conferimos e aprovamos.
Para nao perder tempo indo de praia em praia, fomos direto para Uluwatu, onde o surf era garantido. Estacionamos e la de cima dava para ver as linhas das ondas. O mar tava bom! Descemos entre as dezenas de surfshop e restaurantes, comemos alguma coisa e eu ja aluguei uma prancha. Coitada da Bibi, pois na verdade quase nao tem praia. A pequena faixa de areia fica quase toda escondida por pedras. Tem uns 5 metros entre pedras que e onde entra no mar. Me joguei e a correnteza puxou para o lado. Remadeira basica ate chegar no pico. Passei um tempo meio de lado, sentindo o lugar. Tinha um tamanho ali, quase 2 metros. Peguei uma, outra e com isto confianca. Resolvi remar para o “pico”, onde tinham ondas maiores. Nao demorou muito para eu conhecer os corais de perto. E muito raso!! Mas tranquilo, segurei um pouco o impeto e curti bastante.
Sai da agua cancado e feliz da vida. Ficamos num dos warungs e decidimos ir para outra praia. Os vendedores arranham um pouco de portugues, de tanto turista que vem para ca. Chegamos em “impossibles”, onde tambem tem que descer por entre as pedras. Esta tem uma praia com um pouco mais de areia, com algumas pessoas largadas, entre elas alguns brasileiros. Tava tendo onda pro lado esquerdo do morro, indo pra Padang Padang. Ondas bonitas, mas muito raso, quase so gente de body board. Eu tava tranquilo, entao fiquei com a Bibi na areia. Depois repetimos a dose piscina e restaurante gostoso.
Nao sei se o swell inverteu, mas nao teve muita onda no outro dia. O negocio foi curtir piscina e depois praia em Impossibles. Mesmo sem onda um pessoal se amontoava para esperar uma ou outra que vinha na serie. Ainda deu tempo de passar em Jimbadam Bay para tomar um suco e conhecer a praia e regiao. Fomos para Kuta e tivemos que procurar um lugar pra ficar antes de devolver o carro. Um stress, transito, engarrafamento, muvuca de gente. Parava o carro e a Bibi ia dar uma olhada nos hoteis. Ela arranjou um, que so depois fomos ver que nao funcionava as coisas direito. Na verdade um muquifo. Na preca e com oculos de sol ela acabou resolvendo ficar, talvez pelo jardim, unica coisa boa do hotel. Fomos ate a praia, cheia de adolecentes (outros nem tanto) bebados esperando o por de sol. Mesmo na teoricamente baixa temporada, tudo estava lotado, cheio de gente. Demos umas voltas, mas nao da para dizer que curtimos muito o lugar. Tentamos aproveitar da forma que deu. Noite sem balada, pois tinhamos que acordar cedo para pegar o voo para ilha de Flores.
Belezas e desastres naturais
Novembro 15, 2009
Existe aquela classica piada de que quando Deus criou o Brasil, fez tudo bonito, mas nao colocou nenhum desastre natural. Ja na Indonesia, a coisa foi diferente. Se recapitularmos so alguns incidentes vamos ver que teve o Tsunami em 2004, um terremoto em Nias 3 meses depois, outro em 2006 em Yogyacarta, e mais um tsunami em Java. Em 2007, mais da metade de Jakarta (capital do pais, com 10 milhoes de habitantes) ficou debaixo da agua, devido a enchentes causadas por fortes chuvas. Poucos meses atras novo terremoto na ilha de Sumatra, que fez com que desistissemos desta regiao. Isto sem contar com os atentados a bomba em 2002 e 2005, que nao foram nada naturais. O problema de todos estes desastres naturais e que o pais e muito populoso (quarta maior populacao do mundo), e pobre (apesar de ter uma taxa de crescimento duas veses maior que a do Brasil). Um terremoto aqui tem consequencias muito mais graves que um no Japao, por exemplo.
A Indonesia era um pais que eu sempre quis visitar. Talvez fosse o lugar que eu iria caso tivesse que escolher so um pais. Para conhecer a Indonesia, da forma que gostaria, precisaria de pelo menos uns 3 meses. O transporte fora da regiao turistica e lento, muitos ferris tem horarios alterados devido as condicoes climaticas, mas como na Africa, e tudo muito recompensador. As praias sao mundialmente famosas, pela belesa e por suas ondas. Existem vulcoes, montanhas, lagos, templos, muita cultura e diversas tribos e linguas. Tudo isto espalhado pelo maior arquipelogo do mundo, com suas mais de 13000 ilhas.
Como nao tinha tanto tempo disponivel so para ca, tivemos que adaptar o roteiro. Estariamos viajando tambem no inicio da temporada de chuvas, o que poderia complicar (ou nao, com tantas variacoes climaticas).
De Borneo viajamos para Jakarta, uma super metropole com tudo que uma cidade deste porte pode te oferecer, de bom e de ruim. Nao era bem o que nos interessava, portanto ja tinhamos um voo direto para Yogyacarta, algumas horas depois. Chegamos no aeroporto, pegamos uma pequena fila para o visto, que da para tirar na hora. Pagamos, fomos com o compravante no outro guiche para carimbar. O oficial pediu estranhamente 5 USD por passaporte, pois como era a primeira vez que entravamos no pais, tinham que colocar os dados no computador. So olhei para a Bibi, fui pegando o dinheiro mas ia pedir um recibo. Nisto apareceram outras pessoas no guiche, e eu fiz questao de mostrar bem o dinheiro. O oficial falou desesperadamente para eu ir embora, que tava tudo certo. Quase que ele perde o emprego. Na hora de carimbar a entrada, novamente o cidadao me pede uma “lembranca” do Brasil. Falei que nao tinha e ele pediu um dinheiro brasileiro. Nao tinhamos papel, mas oferecemos uma moeda. Ele olhou e falou que nao, queria dinheiro, ou podia ser USD, Euro… Eu ri, como se ele tivesse brincando e fomos saindo. Depois de pegar a bagagem, ao sair pelo portao de desembarque, fomos cercados por pessoas oferecendo taxi, hotel, troca de dinheiro… Confesso que o primeiro contato com o pais nao foi dos melhoeres.
Tinha um fuso horario de uma hora a menos, fato que nao estava marcado na nossa passagem. Ja estava perto da maia noite, e como nosso check in era as 4 da manha, resolvemos ficar no aeroporto mesmo. Fomos ate o outro terminal, que ficava a poucos km de onde estavamos, e nos surpreendemos ao encontrar tudo fechado. Tinham alguns bancos que logo se transformaram em camas. Ja tava achando que em Borneo a Bibi tava entrando no esquema da viagem, mas agora tive certeza. Eu dei umas cochiladas, mas a Bibi capotou. Bem cedo estavamos aterrisando em Yogyakarta. Nao fomos para a conhecida regiao mochileira de Sosrowijayan mas para Prawirotaman, rua com pousadas um pouco melhorzinhas. Depois de uma noite no aeroporto, mereciamos um lugar melhor, e tinhamos uma boa indicacao. Pousada descolada, cheia de decoracao, piscina grande e um gostoso jardim com mesas para o cafe da manha. Claro que tudo isto so seria usufruido depois, pois precisavamos dormir.
Saimos para comer alguma coisa e conhecer o Kraton, “casa” do sultao, que e so uma ficgra simbolica por aqui, sem muitos poderes, e veneracao apenas regional. Interessante o lugar, muitos objetos expostos, em pequenas salas-museu. Depois nos falaram de uma ala que tinha musica alem de outras coisas interessantes, mas quando perguntei falaram que estava em reforma, o que parece que nao era verdade. Ali tivemos nosso primeiro momento de “famosos” quando pediram para tirar fotos com a gente. Paramos para almocar propriamente e descobrimos que e possivem comer bem por menos de 1 USD por aqui. A simpatia do povo comecou a aparecer tambem, e batemos altos papos com o rapaz que nos atendeu no resturante. Ainda fomos para o Palacio das Aguas, antiga piscina do Sultao, e andamos pelas ruazinhas, curtindo o novo lugar. Paramos num lugar onde produzem marionetes de madeira ou de couro, muito famosos por aqui. A Bibi estava encantada com o lugar e de noite tomamos uma cerveja para brindar a chegada.
Como o aluguel de uma scooter aqui e em torno de 2 USD por dia, nada de pegar onibus para visitar os templos, saimos cedo de moto! Borobudur, o maior templo Budista da indonesia, fica a uns 40 km de onde estavamos. Chegamos sem muita dificuldade, mas com muita cautela, pois sao centenas de motocicletas nas ruas. Ja mais perto do templo, aquele clima de regiao rural, com plantacoes e montanhas ao fundo, que dava todo um clima para o lugar.
Borobudur e impressionante. Sao 9 niveis, que representam o mundo mnaterial, espiritua e o nirvana. O templo deve ser percorrido no sentido horario, de forma ascendente. Muitas gravuras entalhadas na pedra vao contando a historia de Buda. Pegamos um guia para entender melhor os detalhes e valeu muito a pena. No nivel que representa o Nirvana nao existem gravuras, so estupas. E um “vazio”, muito bonito. Apesar de ser Budista, outras relegioes visitam o tempo, e alguns ate veneram, devido a forte energia do lugar. O calor era muito forte e o sol estava nos cozinhando. Gostariamos de ficar mais, mas era humanamente impossivel. A Bibi ate alugou uma sombrinha para se proteger do sol forte. A entrada custa para os estranjeiros 15 vezes mais caro que para os indonesios. Para nao ficar tao chato nos colocam numa sala vip, com ar condicionado, agua gelada e cafe.
Passamos num outro templo ali perto, e tinha um Buda bem grande, bonito, mas depois de Borobudur, muitos templos vao perder a graca.Voltamos para Yogya e pegamos o contorno da cidade, para ir no Prabanam, templo Hindu bem perto da cidade. Parada para abastecer ao lado da estrada, onde tem garrafas de vodka absolut com gasolina.
O Prambanam tambem e imponente, mas infelizmente esta bem destruido, devido a terremotos. O ultimo deles, em 2006, foi logo apos uma restauracao. Das 240 torres existentes, hoje so existem 18. A principal delas e um templo de Shiva, com templos de Vishnu e Brahma ao lado, alem de seus veiculos de locomocao na frente. Mesmo na India sao pouquissimos templos de Brahma, Deus nao muito venerado. Nosso guia tinha bastante conhecimento, nao so da religiao Hindu, mas das tradicoes javanesas e de outras religioes. Ficamos discutindo varios assuntos e nossa visita se prolongou ate o final do dia. Novamente algumas pessoas pediram para tirar foto comigo e com a Bibi, tanto homens como mulheres. Sao pessoas que vem de cidades do interior e so viram ocidentais na tv. Lembro que quando estive no Tibet, no bairro budista, eu queria tirar fotos dos monges e eles de mim… O final de tarde com aquele ceu rosado e so a sombra do Prabanam, foi show. Voltamos para o centro, no meio das chamadas das iluminadas mesquitas. So tinha um mapa turistico, aqueles com desenhos, e foi facil de se perder. Tivemos que parar varias vezes para pedir informacao.
Chegando no hotel estavamos muito cansados para continuar fazendo coisas. Iamos numa apresentacao de danca tipica mas conversamos e decidimos ficar um dia a mais. Foi bom pois no outro dia deu para organizarmos melhor o roteiro do viagem, pegar uma piscina, rodar o centro e de noite ir no Balett Purawisata. Como choveu foi num lugar coberto. Todos os artistas com mascaras ou muito bem pintados, interpretando uma historia local. Movimentos rapidos e lentos, tudo com musica tipica tocada por um batalhao de pessoas. Normalmente nao sou muito deste tipo de apresentacao, mas esta estava muito bem montada e com certeza valeu a pena. Pra quem gosta, e imperdivel.
De Yogya fomos para o leste de Java, sentido a Probolinggo. Viagem nao das mais agradaveis, pois tava muito quente. Metade da populacao da Indonesia mora em Java, e no trajeto deu para perceber, pois era uma cidade do lado da outra, quase nao tinha estrada, parecia uma megalopole. Conhecemos varios estrangeiros, que assim como nos iriam no vulcao Bromo, mas depois cada um tinha destinos diferentes. Tinha tudo que e tipo de gente, dos gente fina aos “ malas”. Paramos o microonibus e fomos divididos em vans. A medida que iamos se afastando da cidade e subindo a montanha ia torcendo para que o hotel fosse ok, para a Bibi nao reclamar. Nao era nada de especial, mas longe de ser ruim. Ja separamos as roupas de frio, pois como estavamos a ja alguma altitudo, e sairiamos de madrugada, tinhamos que nos preparar.
As 4 da manha ja estavamos indo de Jeep montanha acima. Decidimos ir no vulcao so depois, e um mirante seria nossa primeira parada. Logo vimos que nao estariamos sozinhos. Dezenas de Jeepes de todas as cores, numa fila continua, parados dos dois lados da estradinha. Quando nao deu para ir mais de carro, fomos a pe, e vimos que alem de muitos turistas, tinham ainda mais indonesios. Chegamos a conclusao que era por causa do final do semana. No tal mirante, muito bonito, nao tinha espaco para ninguem. Tivemos que esperar as pessoas cansarem e sairem de seus lugares para podermos aproveitar. Ja tava claro, mas deu para ver o sol ainda bem baixo. O Vulcao Bromo ali na frente, saindo ate fumaca, com montanhas ao redor davam todo um clima para o lugar. Depois desta vista de cima, fomos ate a base, onde subimos o vulcao. A Bibi teve que fazer um esforco extra, mas ate que se saiu bem. Aquela fumaca tinha um cheiro forte de enxofre, e ficamos na beira da cratera. Fomos entrevistados por curiosos adolecentes e ficamos conversando ate chegar a hora de mais fotos. Contamos para eles que no Brasil existem lugares para sair a noite que se chamam Bali Hai e Warung, eles davam risada.
De volta a pousada deu tempo de tomar o famoso cafe javanes (nao tao bom quanto o etiope, mas saboroso), um banho quente, arrumar as coisa e pegar estrada. Um casal americano/alema pegou o mesmo onibus que agente e conversamos um pouco sobre a viagem e sobre como foi largar a rotina nos respectivos paises, coisa que tambem fizeram. Muitos Km depois estavamos no ferry que liga a Ilha de Java ate a Ilha de Bali.
A moderna cidade do nao pode
Novembro 2, 2009
Singapura e uma historia de sucesso. Uma super economia, uma cidade, ilha, pais de primeirissimo mundo. Aqueles lugares super tecnologicos e com mania de controle. Mania ate demais, tem multa para tudo!!

Olha a multa

Eu to falando...
A chegada em Singapura foi bem mais verde que eu imaginava. Sempre vinha a imagem de uma cidade cinza na minha cabeca, bem Sao Paulo, mas nao, era verde para tudo que e lado. Logo comecou a chover, a chover, uma baita tempestade. Chegamos no ponto final, e nos amontoamos nos lugares com telhados, que nao eram muitos. Estavamos relativamente perto da regiao onde iriamos ficar, mas pouco tempo naquela chuva seria o suficiente para ficarmos encharcados. Fui, com minha jaqueta de chuva, algumas vezes tentar pegar um taxi, mas sem nenhum sucesso. Era final de tarde, hora do rush, e com chuva tavam todos lotados. Um bom tempo depois, numa manobra de mestre, deixando varias pessoas com seus bracos estendidos, consegui um. Chamamos um casal de franceses para ir no mesmo taxi. Eles iam em outra direcao, mas pelo menos ja tinham um carro. Bem, na verdade nao, pois o motorista ia terminar o turno e nao quis leva-los. Chegamos no nosso hotel, e deu problema com nossa reserva. Nunca reservo, e as poucas vezes que fiz deu problema. Em 5 min tinha arrumado outro hotel. Limpo, bem localizado, mas um cubiculo!! Eu procurava na internet algum lugar para sairmos, pois era Dia das Bruxas e a Bibi ja tava dormindo. Vi que acabariamos nao fazendo nada. Logo comecou uma barulheira, tambores, e quando olhamos pela janela tinham dragoes chineses passando pela rua. Pelo menos a Bibi acordou e saimos para jantar.
Acordamos cedo e foi um dia de muita caminhada. Comemos no cafe da manha uma comida chinesa meio estranha. Era para ser um tipo de empada, mas a massa era meio crua. Estranho… Caminhamos de Little India, onde estavamos, ate o Colonial District. Como era domingo, era muito estranho ver aquelas avenidas de 5 pistas (so num sentido) vazias. Quando vimos estavamos no Raffles hotel, com suas galerias. Nao muito longe dali a Igreja Anglicana St Andrews estava super movimentada. Fomos chegando, olhando, e tinha uma exposicao. Lemos um pouco sobre a historia, mas o movimento era por causa da missa. Nem tinhamos nos dado conta que era dia de todos os Santos, e acabamos ficandos para a missa. Igreja como muitas outras, se nao fosse o grande numeros de televisoes, espalhadas a cada 2 colunas, para que todos pudessem seguir a missa.

Dentro da Igreja
Um pouco mais adiante era facil de entender porque “Colonial District”. Varios predios antigos, parlamento, suprema corte, prefeitura. Ali estavamos praticamente ao lado do rio que corta a cidade. Dava para ver os altos predios do centro comercial, e achamos um restaurante baratinho para comer um Nasi Goreng. Em Curitiba, se quiser comer este prato, so no Lagundri, pagando 40 pilas (mas muito bom!!), aqui por um, dois dolares da pra comer em qualquer biboca. Imagino como nao deve ser na Indonesia (o prato e da Indonesia). Singapura teve fama de ser uma cidade cara por muito tempo. Hoje estao pipocando albergues em todo canto. Infelizmente a maioria deles nao tem quartos privados, so dormitorios com beliches. Comida e barata por aqui, com varias pracas de alimentacao, algumas delas 24 hs.

Centro da cidade ao fundo, mas cuidado com a multa...
Do outro lado do rio fica Chinatown. Como tem Chinatown por estes lados. Em Singapura os chineses representam 70% da populacao. Muitas lojinhas, mas tudo meio que ja foi reconstruido. Dificil de imaginar o contrario sendo tao perto do centro da cidade. Mesmo assim algumas feirinhas e templos. No maior dos templos estava tendo cerimonia. Ficamos acompamhando por um tempo, depois fomos no outro andar que era lojinha, pulamos este, e fomos para o terceiro andar, que era museu. Contava toda a historia do budismo, tinham varias fotos e doacoes de estatuas e artefatos de outros paises. No andar superior tinha um altar protegido onde estava o dente de Buda, inclusive com cameras projetando para quem quisesse ver mais de perto. Um monje abencoava os chineses, la fomos nos tambem.

Templo Budista Chines
Ali perto passava o metro. Se o de KL ja era moderno, este e o top de linha. Fomos ate a estacao final de onde tem um onibus gratuito para Sentosa Island. Esta ilha e uma especie de Ilha da Fantasia, ou uma Disney mesmo, literalmente. Depois de cruzarmos a ponte, ja dava para ver as montanhas russas e muitas construcoes, provavelmente hoteis. Uma hora contei mais de 10 guindastes de construcao. Logo apareceram estatuas gigantescas de bixos. Chegamos na recepcao da ilha e podia escolher por passeios, trilhas, atracoes, telefericos, blablabla. Quem nao queria podia pegar trens eletricos para algumas das praias ou resorts. Fomos ate o Cafe del Mar, que tem uma “filial” aqui. Ao lado outros bares, todos estilo Ibiza, com piscinas, tochas e musica eletronica. Um pouco mais longe tem outros estilo Surf, inclusive um da Billabong. Pra quem gosta a ilha e um prato cheio, mas pra mim e um grande parque tematico. Tomamos uma cerveja vendo o por de sol. Os navios do porto ali na frente atrapalhavam um pouco, mas o sol estava bonito. Ja mais tarde foi so pegar um trem para o hotel, e como estavamos em Little India, nada como uma comida indiana. Tentei comprar passagem para Borneo pela internet mas nao consegui. Menos de 24hs do voo a Air Asia (verdadeiras pechinchas os precos) nao aceita.
De manha tive que ir em algumas agencias para confirmar o voo mas nao deu certo. Resolvemos tentar a sorte no aeroporto, umas 3 hs antes do voo. Andamos pelas enfeitadas ruas de Little India. Sabiamos que veriamos milhares de templos na India, mas alguns nao tinhamos como deixar de visitar. Tem feito muito calor, mas muito mesmo, e qualquer caminhada resulta em muito suor. Comemos alguma coisa, pegamos as coisas no hotel, e fomos de trem para o aeroporto. La nao tivemos problemas para comprar a passagem. Problema teve a Bibi para passar no raio-x com seus cremes de mais de 100 ml. Foi uma correria para comprar recipientes menores, o que acabou nao dando certo. Neste meio tempo eu convenci a mulher que estava conferindo as passagens a despachar a mala. Os cremes e shampoos estavam salvos!!
Novo passaporte e nova viagem?
Outubro 31, 2009
A proxima etapa da viagem seria a Asia, ja estava decidido, mas nao sabiamos ao certo se comecariamos pela Tailandia, India ou Malasia. Descartamos a Tailandia quando soubemos que teriamos companhia para o ano novo, e a India pois estava em cima da hora para tirar o visto, dentre outros fatos que consideramos. Malasia parecia perfeito. Um aeroporto com varias coneccoes, e bons precos a partir de Londres via Dubai (para Bibi) e direto de Dubai para mim. Pais com embaixada brasileira, onde poderia tirar novo passaporte, pois o meu ja tava quase sem espaco para vistos.
A Malasia e um pais desenvolvido, que durante anos teve taxa de crescimento em torno de 8%. E uma otima introducao ao sudeste asiatico. A Tailandia talvez seja mais turistica, mas a Malasia atrai todos os publicos, desde o mochileiro, o ecoturista ao amante de compras. Kuala Lumpur pode tranquilamente substituir uma viagem que seria feita para NY, Miami ou Dubai. Muitos shoppings, otimos precos, uma tentacao para as compras. Culturalmente tambem e atrativa, onde tem uma mistura dos povos e tradicoes chinesas, indianas, e da propria Malasia, resultando numa comida tipica muito saborosa. Em algumas regioes tambem existiu influencia dos portuqueses, holandeses e ingleses, que tambem passaram por aqui na epoca das grandes navegacoes.
Assim que pegamos um trem no aeroporto para ir ate a imigracao, e um onibus por ruas largas onde ocorrem as corridas de F1, estava claro como era a estrutura do pais. A Bibi me questionou: “Mas voce falou que era como no Brasil, la nao e assim…” Fomos ate Chinatown, e existiam varias opcoes de hteis. Resolvemos pegar um melhorzinho pois era o reinicio da viagem da Bibi. A rua da frente parava durante a noite, cheia de mesas de restaurantes, camelos, uma muvuca. Comemos por ali e a Bibi percebeu que as opcoes de comida seriam bem maiores que na Africa. Tudo um pouco mais apimentado tambem…hehe
A primeira coisa que tinhamos que resolver era sobre meu passaporte. Nao perdemos tempo depois do cafe e fomos direto para a embaixada. Tinhamos dormido bastante, pois estavamos cansados. Na embaixada fomos super bem atendidos pelo Sr Wilson. So tinha que pagar uma taxa no banco alem da foto 5×7, que so no Brasil que usam. Tirei foto no shopping ao lado das Petronas Tower, e ja me informei sobre a visita. A Bibi ja ficou louca com as lojas… Pegamos o metro de volta para Chinatown, com direito a alcool gel para lavar as maos antes e depois da estacao.

Petronas Towers
Novamente acordamos e fomos direto para a embaixada, entregar o comprovante e a foto. Notamos que o pessoal era meio atrapalhado, que nunca sabiam onde estava o passaporte, a foto, o formulario, mas prometeram para o dia seguinte. Deu tempo de ir para o LowYat, shopping de eletronicos com super precos. Depois de horas de pesquisas aabei cedendo e comprando um netbook. Aqui tem wifi em tudo que e lugar, e acho que vai ajudar em tudo. Quando sai do Brasil nao trouxe nem celular, queria um pouco de liberdade das minhas antigas ferramentas de trabalho. A comunicacao com a Bibi tava dificil for falta de internet e Skype, entao quando ela foi para Africa me trouxe um aparelho. Agora muda um pouco o estilo da viagem, nao vou mais socar minha mochila em onibus apertados, pegar carona, entao acho que um computador pode me acompanhar.
Como tava chovendo fomos para o Pavilion, shopping de luxo, com aquelas marcas qua a mulherada gosta de ver na vitrine. Um saco de programa, mas como a Bibi me acompanha nos meus… Pelo menos comemos e tomamos um bom cafe numa confeitaria, o maximo que podiamos gastar la…hehe
Acordamos a 6 da matina, antes das 7 estavamos pegando o metro para as Petronas. Chegamos la e ja tinha uma pequena fila, onde as 8:30 distribuiriam entradas para subir nas torres e andar pela passarela. Logo a fila aumentou, cheia de turistas de todo o mundo, com suas maquinas fotograficas. Fomos na segunda leva, e apos um rapido video 3d, estavamos subindo. Chegando la em cima, nos avisaram que inhamos 15 minutos para olhar a vista e tirar fotos. Clic, lic, o tempo passou e descemos, enquanto outros subiam. Saimos da recepcao onde tinham fotos e informacoes sobre as maiores torres e predios do mundo, olhamos um para o outro e caimos na gargalhada. Nao paramos por um minuto. Fala serio, que programa de indio!!! Tudo bem que a vista e legal, mas na nossa opiniao nao vale nem um pouco a pena. Pelo menos o dia comecou cedo, e daria para conhecer KL.

Fomos ate a Mesquita MasjidJamer, primeira que a Bibi entrou. La tinham roupas para se cubrir, alem de lenco para se colocar no cabelo. Conhecemos a mesquita e depois ficamos rapidamente tirando duvidas com uma senhora que trabalhava la. Falou sobre os profetas, algumas das leis, etc. Perguntamos sobre algumas diferencas das burcas coloridas daqui e das pretas do oriente medio, com o rosto tampado. Ela respondeu rindo: “isto e regional, por causa das tempestadas de areia, nao esta especificado no Corao como e de que cor deve ser…”

Na mesquita
As pracas proximas dali, tinham predios historicos com os edificios modernos logo atras. Casas coloridas perto do organizado Central Market. Tudo muito legal, mas muito previsivel. Comecavamos a fazer o roteiro para a Malasia, mas agora ja sabiamos o que nos esperava. Almocamos num gostoso restaurante vegetariano indiano em Little India e fomos buscar o meu passaporte. Sim, meu passaporte ficou pronto um dia depois que entreguei os documentos solicitados. Na saida despencou uma chuva (chovia todo final de tarde) e eu ja estava matutando como poderia fazer um roteiro diversificado.

O antigo e o novo

Perto do Mercado Central
Cameron Highlands era recomendado, e podia ser uma opcao. Penang ja e mais manjado, mas tem a parte cultural. A costa leste dizem que e linda, e menos turistica, mas as ilhas fecham com as moncoes. Perai!! Fecha com as moncoes e e menos turistica?! Imagine o resto… Estava decidido! Iriamos para Melaka, um pouco mais ao sul. De la iriamos ou para Sumatra de barco ou para Singapura, onde voariamos para Borneo.
Antes de pegarmos o onibus ainda passeamos por Chinatown, para visitar templos Hindus e Budistas que ainda nao tinhamos ido.

Budas...
A viagem nao demorou muito. Onibus com ar condicionado no maximo, como adoram por aqui. Chegamos la, pegamos um onibus urbano e caminhamos ate uma guesthouse. Enquanto a Bibi olhava o quarto eu ja fui ver outras opcoes e acabamos ficando ali perto. Caminhamos pelas bacanas construcoes portuguesas e holandesas, passamos por chinatown. Muitas lojas descoladas, bonitos templos a cada esquina. Lugar gostoso, mas para passar um feriado, nao para uma viagem que nem a nossa. No final de tarde eu falei brincando quando andavamos pelas bonitas calcadas: – So falta os fogos de artificio e a parada da Disney!!

Sera que estamos na Asia?
A viagem para Sumatra foi descartada por causa do terremoto a menos de um mes que ocorreu la, entao decidimos que Singapura seria utilizada como transito para nosso proximo destino. De manha ainda demos uma rodada, pegamos onibus ate a rodoviaria e logo apos o almoco estavamos na estrada. Poucas horas depois paramos numa moderna imigracao. Varios guiches para agilizar os processos, enquanto os onibus iam avancando por um tunel. Praticamente sem filas, apesar do movimento. O oficial olhou meu passaporte velho, com o visto de entrada e o novo vazio. Olhou para tras como se buscasse alguem. Falou para mim que eu precisava de um visto no passaporte novo, que o velho tinha sido cancelado quando cortaram a primeira pagina. Eu falei que nao, que os vistos estavam validos ainda, inclusive os dos EUA, como o Sr Wilson havia falado. No fundo imaginava que podiam ter feito merda. Nos meus passaportes antigos que foram cancelados, carimbavam pagina por pagina, e deixavam os vistos validos. O que fazer agora?! Fui para a salinha da imigracao e falei o que a embaixada tinha me dito, pedi o que poderia ser feito e blablabla. Mandei a Bibi segurar o onibus e fiquei la tentando de tudo. Eles acabaram dando um jeito, so colocaram anotacoes e referencias no computador e no meu passaporte. Fui para o onibus e todo mundo me olhando com cara feia. O motorista foi gente boa, e a Bibi mandou bem dominando a situacao.
Do lado de Singapura, tambem tivemos que ir para uma salinha, mas foi bem tranquilo e rapido. Ofereceram ajuda ate para dar coordenadas para nosso hotel.
O primo rico
Outubro 25, 2009
O Oma era muito poderoso, muitas das batalhas que houveram na Africa dos Arabes com os Portuqueses eram eles. O Sultao dominava ate Zanzibar, e foram muito ativos no trafego de escravos. Hoje e um pais muito rico, devido ao petroleo e ao gas. O Oman e um Sultanato, e o Sultao manda em tudo. Apesar de grandes riquesas, nao existe uma divisao de dinheiro com a populacao, que os deixa descontentes (Outros paises pagam “mesadas”para seus cidadaos).
Ainda no Yemen, voamos da Ilha Socotra para Mukalla. O aeroporto e bem afastado da cidade, e pistas modernas mostravam que nada de muito antigo por aqui. A cidade e cortada por um canal, e tem um morro bem no meio. Totalmente diferente de Sanaa, desde o clima, que e bem mais quente, ate todo o estilo, que e mais moderno. Fomos direto numa cia de onibus, para comprar a passagem para o dia seguinte. Chegamos la e so tinha tres onibus por semana. Nao tinhamos tempo para esperar. tinha um onibus que ia ate outra cidade, a poucas horas da fronteira que saia naquela noite. Parecia perfeito, mas so tinha um lugar e nao estavam aceitando nossa autorisacao da policia de Sanaa, tinha que ter carimbo da policia de Mukalla. Segundo eles, so abriria as 8 da manha do dia seguinte. Falaram de outra cia e fomos tentar. Tinha lugar, e comentaram que a policia tinha um plantao 24 hs. Fomos la e rapidinho conseguimos a autorizacao. Deu tempo para tomar um sorvete em uma sorveteria dividida em area para homens, mulheres e familias. Notei que todos os lugares que estavamos indo eram so para homem, por isto nao tinha divisao. Estrada muito boa, beirando a costa. Viajamos a noite toda e de manha chegamos em Al-Gaydah (nome sugestivo). Uma batalha para se fazer entender. Parecia que nao tinha transporte ate a fronteira, e nao tinhamos como contratar um so para nos. Fomos ate um hotel, para tomar um cafe e encontrar alguem que falasse ingles. Conversa com um, com outro e descobrimos uma van de Sauditas que sairia dali a pouco. A van chegou, cheia de pessoas vestidas com trajes tipicos, parecia que seria tenso. Nao demorou 5 min e tava todo mundo cantando, batendo palmas, super divertido. Ja a algum tempo tinha deixado de ser plano e passavamos por montanhas e tuneis, mas agora viajavamos na beira do desfiladeiro, e nao tinha como nao comparar com a paisagem da California 1. Asfalto perfeito, e placas indicando lugares para banho, criancas, tartaruras, mergulho. Muuito estranho. No meio do nada, lugar que nunca recebe ninguem, nem locais, mas a estrutura ta pronta. Visual muito bonito ate a fronteira. Chegando no pequeno posto de imigracao, peguei meu visto mas queriam que eu pagasse com a moeda local. Comentei que nao tinha nem entrado no pais, mas que tinha USD. Ele aceitou mas nao tinha troco. O motorista acabou pagando e acertei com ele depois.

Mukalla

Vista da estrada
Em Oman a paisagem de montanhas continuava, agora ate mais altas, chegando ate a ter alguma vegetacao. Perto de 3 hs depois estavamos passando pelas famosas praias de Salalah. Esta regiao fica cheia na epoca das moncoes. A regiao fica mais fria, verde nas montanhas, e um verdadeiro oasis. Os Sauditas vem aos montes, assim como o pessoal dacapital, Muscat. Salalah e estranha, espalhada, com construcoes e quadras desorganizadas. Foi nosso primeiro contato com Oman, e deu para ver que os precos eram estilo europeus, se nao mais caros. Um Rial vale 2,5 USD. Para poder circular dinheiro de menos valor, nao dividem o Rial em centavos, e sim em Mil!! Tivemos boa parte da manha e toda a tarde para conhecer o lugar, mas como nao era epoca de moncoes, decidimos pegar um onibus ja no dia seguinte para Muscat. Jardins, postes, pracas, monumentos e imponentes Mesquitas mostravam que o dinheiro tava sobrando por aqui…

Salalah

Mesquita em Salalah
A Viagem ate Muscat, depois que se afasta de Salalah, e monotona, deserto de areia dos dois lados, KM e mais KM sem alterar. Deu para adiantar bastante o novo livro que estou lendo, What is the What (historia da tragetoria de um refugiado do Sudao ate o Exilio na Etiopia, Quenia e EUA). Um bom tempo depois, ja perto de Muscat, iniciavam as autopistas, cheias de aneis rodoviarios, tudo com velocidade de 120 km/h permitida, mesmo perto da cidade. Jardins, pracas, e tudo mais instalados e sendo implementados. Logo apareceram Mc, Pizza Hut, papa Jones, Hardees, Star B, Subway Burger K, e tudo mais que tinha direito. Passamos ao lado da grande mesquita, onde esta o maior tapete sem emendas do mundo (adoro estas manias de grandesa…hehe). Chegamos no centrao, parte comercial. Tudo novo, nao ocidental, mas sem estilo. Vimos que nenhumas das solicitacoes de couchsurfing tinham sido atendidas., entao saimos em busca de hoteis. Nao foi facil, mesmo os mais simples (que aqui tem ate ar condicionado) estavam fora do nosso orcamento. Um pouco mais afastado achamos um que poderia ser uma opcao, mas decidimos comer algo e checar o Couchsurfing denovo. Estavamos sentados na rua e acabamos conversando com um Paquistanes (ta cheio de indiano, paquistanes e filipino) que deu dica de 3 hoteis baratos perto da marina. Fomos para la e os hoteis nao eram mais barato que o que tinhamos achado, mas a regiao bem mais simpatica, entre morros com fortes antigos, e perto do mercado tradicional dae Muscat. Tudo reformado, com cara de novo e iluminacao colorida. Muito artificial para o meu gosto, faltava um pouco de vida, mas tinha que reconhecer que a regiao era muuito melhor para ficar.

Dia seguinte cedo fui fazer a barba, que nao cortava desde Nairobi. Enquanto isto o Guru entrou em contato com um Couchsurfer que foi nos buscar e nos levou para cima e para baixo. Conhecemos o que restou da cidade velha, um dos palacios do Sultao, algumas praias e fomos almocar num restaurante indiano. Ele e indiano mas mora aqui ja faz mais de 15 anos. Fomos ate a casa do Suresh para conhecer a familia e ficamos conversando um tempo. Ele tem uma boa condicao de vida e viaja com bastante frequencia, tinha se cadastrado no CS uma semana atras. Fomos para uma praia mais Up Market e paramos no Star B. caffe. Tinha perguntado sobre vilas de pescadores, algum lugar charmoso. Ele me levou numa “vila” onde 90% das casas sao novas, com bons carros na garagem. Ser pescador aqui e facil… Teve um ciclone a alguns anos atras e o governo construiu novas casas para todos os afetados, e nao e coab nao!! Ainda visitamos o mercado tradicional, que fora na epoca do final do Ramadan, e bem pra turista, e tomamos um suco no calcadao.


Roupas de Praia
Parece que ele gostou de ajudar agente, e arrumou um funcionario para nos buscar cedo para nos levar ate a area das embaixadas, pois o Guru tinha que buscar uns vistos. Neste meio tempo outro CS respondeu nossa mensagem e combinamos de nos encontrar. Desta vez era um Omani mesmo, que veio no seu mais tradicional traje tipico. Comecamos a conversar e ele adorou nossas historias, na verdade nos achou uns malucos. Ligou para outro amigo dele, bem gente boa, que viaja bastante. Acabamos fazendo outro tour com eles, visitando nascentes de aqua quente que sao canalizadas para banhos publicos, comendo o nosso “espetinho de gato” que e comida tipica por aqui, indo nos bares com musica onde os arabes enchem a cara sem ninguem reclamar, alem de monumentos e outras atracoes mais previsiveis. Os dois sao umas figuras, e tao fazendo aula de Salsa, so pra interagir com a mulherada. Haha Nao adianta, no mundo inteiro e a mesma coisa, as mulheres vao dancar porque gostam e os homens por causa delas…

Mais CSfers
Neste meio tempo passei num escritorio da Emirates, para comprar passagem para Malasya, via Dubai, desta forma pegaria o mesmo voo que a Bibi. Eles comentaram que se a espera para coneccao fosse maior que 8 horas, eu teria direito a transporte, refeicao, hotel e eles providenciariam o visto. Que beleza. Na verdade nunca tive interesse em conhecer Dubai, mas “de graca ate onibus errado…”
Minhas pesquisas na internet apontavam precos mais baixos que na “loja”. Ao questionar porque, falaram que deveria ser pela taxa de administracao, e que na internet eles sempre tinham promocoes. O preco estava bom, e comprei pela net. Chegaria em Dubai as 5:50 da manha e o voo para Malasya seria as 3:10 da madruga do dia seguinte. Fui num voo vazio para Dubai. Nem me preocupei quando nao tinham o tal Voucher no chek in, pois falaram que tinha um guiche especifico la na chegada.
Paraiso desconhecido
Outubro 21, 2009
Socotra e uma ilha que geograficamente, ou “tecnicamente”, esta na Africa, pois esta perto da Somalia (250 km), mas politicamente pertence a Asia, ou oriente medio, pois pertence ao Yemen. Separada e isolada do resto do mundo a milhoes de anos, possue uma paisagem unica, alem de uma grande quantidade de especies endemicas. Ja foi chamada de Galapagos do Oriente, mas eu odeio comparacoes. Patrimonio da Unesco, mas pouco conhecida e visitada. Ainda bem…

Saimos de Sanaa de madrugada, pois o voo era as 6 da manha. Tava ate um friozinho. Nada comparado com Curitiba, mas para a regiao e frio. Sanaa esta no alto das montanhas, entao a temperatura aqui e amena. Pegamos o voo com rapida escala em Bukalla. Depois de mais uma hora de voo estavamos sobrevoando a Ilha de Socotra, com varias montanhas, e aquela agua azul transparente (oceano indico e f…).

Nao existe transporte publico na ilha, e de carona da para ir so para uma ou outra vila. Tinhamos alugado um carro com motorista ja de Sanaa para otimisar o nosso tempo. Ao lado da pista de pouso varios canhoes e tanques apontando para o mar. Fiquei pensando quem invadiria aqui. Fomos para a “capital” Hadubo, que nao fica muito longe dali. No trajeto ja deu para ver que as estradas eram muito boas, e a costa de tirar o folego. A cidade decepcionou. Super sem graca, nao vale a pena perder tempo la. Passamos rapido para comprar frutas e agua e pegamos estrada. Como tava muito quente nao demorou muito para fazermos a primeira parada, para dar um merecido mergulho na praia de Deleatia. Ficamos um tempo la, e so saimos quando estavamos satisfeitos. Nada de relogio por aqui…

Mais um pouco de estradas bem conservadas e tivemos que pegar uma trilha montanha acima, so possivel com 4×4. Buraqueira, chacoalha, e a paisagem de montanha comecou a aparecer, assim como uma bela vista. Vimos as primeiras Arvores “Dragon Blood”, tipicas da regiao. Elas tem este nome pois sua resina e vermelha. Esta e uma das especies que so e encontrada em Socotra.

Chegamos num “camping” super simples, praticamente sem estrutura. Sentamos em esteras na sombra para fazermos nossa primeira refeicao. Eu que esperava um peixe, ou uma comida tipica fui surpreendido por arroz, feijao (em latado) e Atum. Pra piorar nao era aquele precinho camarada de Sanaa (1 USD por refeicao). Pelo menos a quantidade era boa…hehe
Demos uma descancada e saimos para caminhar. Sabiamos que nao tinhamos tempo para fazer uma trilha mais longa, e resolvemos seguir o vale, pois nao teriamos dificuldade de achar o caminho de volta. Formacoes rochosas muito interessantes, e mais arvores diferentes. Muitas ” Desert roses”, infelizmente nao floridas. Arvores “gordinhas” que lembram uma Baobab. Alguns pocos com agua, e um pequeno riacho, que a certa altura formou uma especie de Oasis, com palmeiras e vegetacao mais densa. Logo chegamos a uma super paisagem. Um aredao de pedra, o final do canion, e aquela vista para a praia, la em baixo. Olhando para tras era montanha para todos os lados. Eu e o Guru sentamos separados. Ficamos um bom tempo em silencio, so contemplando a paisagem, e agradecendo a Deus por estar ali. O tempo foi passando, e nem eu nem ele nos mexiamos. So resolvemos voltar quando ja estava bem escuro, ja com estrelas brilhando. Voltamos com calma, devagar pelo vale, tentando achar o caminho de volta, que nao foi muito dificil. No nosso acampamento tinha uma Tcheca e um Alemao. Ela trabalha na ONU em Sanna, e ele veio visita-la. Ficamos conversando, tomando cha sob aquele ceu estrelado, onde a Via Lactea estava tao visivel que parecia que ia cair em cima da gente. Ela contou da burocracia que e trabalhar no Yemen, e de todas as dificuldades que tem para desenvolver projetos. Contou que todo dia usa burca. No inicio tentou nao usar, mas recebia muitos olhares quando tava sozinha, muitas vezes faziam comentarios em arabe, e chegaram ate a jogar pedras numa regiao mais isolada.



Dormimos cedo, pois sem luz nao tem como prolongar muito. Tava sentindo falta de acampar, ainda mais com um super vizual daqueles. De noite ficou estranhamente umido, e o orvalho cobriu a barraca. Qualquer coisa encostada na lona ficou bem molhada. De manha tem que acordar com o sol, que e bem cedo. Mais um longo cha, boas conversas e arrumamos as coisas. A mochila foi com o carro, que nos encontraria la em baixo, perto da praia Wadi Shifa, no final da trilha pelo vale.

Fomos caminhando devagar, sem pressa nenhuma, parando curtindo o lugar. Quando comecou a descida brusca tinhamos que achar o melhor caminho, e ja no plano estavamos espremidos entre cercas e o rio. Tentavamos acompanhar o pequeno rio pelas laterais, mas muitas vezes as cercas e palmeiras nao deixavam. Iamos pulando pelas pedras, dando um jeito. Caminhada muito boa, e quando estavamos chegando muitas criancas sairam correndo, fugindo de nos. Resmungamos algumas poucas palavras em arabe, provavelmente pronunciadas todas errado e elas comecaram a aparecer de novo, falando Bye, bye…

Queriamos mergulhar ali na frente, mas o motorista falou que nao nos arrependeriamos de esperar. Foi dificil, vendo aquele mar do nosso lado, agua transparente com golfinhos a uns 30 metros da praia. La chegamos em Dehameri, praia inteira so para nos. Tinham “barracas de praia” com almofadas e esteiras, que fizeram agente abandonar as barracas tradicionais para ficar ali. Fomos mergulhar e felizmente a agua estava refrescante. Fizemos snorkling ali perto, e surpreendeu muito. Muitas especies de corais, peixes de todos os tamanhos e cores, gigantescos cardumes apareciam de vez em quando e uma arraia de mais de um metro de diametro parou bem perto de onde eu estava. Boa visibilidade, melhor que muito scubadiving. Final de tarde os morros vermelhos logo a frente iam mudando de cor, e a brisa refrescava o calor que tava. Subi no morro e fiquei ate escurecer novamente, so curtindo o lugar.



Voltando comemos arroz, molho de batata e 2 peixes beem servidos. Como o Guru e vegetariano ficou tudo para mim. Com o lampiao deu para ler um pouco antes de dormir, e as estrelas iluminavam as frestas do teto de palha. O dia comeca cedo, e por isto passa devagar, ainda bem. Deu para caminhar, mergulhar, curtir o lugar o quanto quizemos ate partir. Desta vez rodamos um pouco mais, quase sempre pelo bom asfalto. Fomos ate Diksen, outro canion, muito bonito. Como tivemos problemas com as datas dos voos, nao pudemos fazer caminhadas ali, mas ficamos um bom tempo curtindo o lugar. Mais estrada, desta vez sobe e desce pelas montanhas e beirando a praia, ate chegar no vilarejo de Galancia. As vilas aqui nao tem muito charme, amontuados de pedra, tudo seco, desertico. Passamos por mais canhoes e tanques antigos perto da praia, ate chegar no topo de um morro, com vista para duas praias. De um lado uma com um paredao, uma lagoa natural transparente feita pela mare, e um mar espetacular. Praia deserta, que pegariamos um caminho contornando uns morros para chegar. A praia de Ditwah e espetacular, e novamente so para nos. Aqueles lugares que voce nao sabe o que faz primeiro, tipo crianca perdida no meio dos brinquedos que acabou de ganhar no natal.



O lugar mais obvio para o primeiro mergulho era na lagoa, ali na nossa frente. O problema e que andavamos e nao ficava fundo, no maximo meio metro. Vi uma arraia, outra, derepente tava contando mais de 10. Num certo momento tinham perto de 20, 5o em volta da gente. Ficamos bem mais cautelosos para andar, para nao pisar no ferrao de uma delas. Sorte que a agua era transparente. Uma pequena faixa de areia e estavamos no mar. Para mergulhar tinhamos que praticamente desviar das centenas de siris de areia que tinham. Eles constroem tantos tuneis que o pe vai afundando na areia a medida que se anda. A vista do mar nao era menos impressionante, com tantas montanhas, lagoa, dunas…

Em protesto a estorcao no preco da comida fomos ate a vila para comer. Achamos um pequeno restaurante, unico lugar aberto, onde passava um filme indiano antigo e tinha uma boa audiencia. Comemos, tentamos interagir apesar da dificuldade da lingua e demos muita risada. De volta a praia dormimos nas almofadas, dispensando as barracas novamente.
De manha nao recebemos cha, que sempre e oferecido com bastante frequencia, acho que nao gostaram que nao jantamos ali. Consegui pegar agua quente, e sempre carrego cha e cafe, entao tava tudo bem. Mais caminhadas, banho de mar, tudo beeem devagar, curtindo o lugar, e parecia que sobrava tempo. Que lugar!!



So tinhamos que nos preocupar com o voo que era as 16 hs. Indo para o aeroporto, demos carona para algumas pessoas. Um senhor ja de idade, que acompanhou nosso motorista na parada para rezar, e um estudante, que tentava falar ingles mas so entendiamos algumas palavras soltas.
O voo atrasou um pouco, e acabamos conhecendo um funcionario do aeroporto que vinha dar as noticias para nos. Tivemos longas discussoes se vinho era ou nao prejudicial para a saude e porque os muculmanos podiam mascar Qat (na Arabia Saudita e proibido) e nao podem tomar vinho. Bem gente boa e cabeca aberta.
Socotra e daqueles lugares magicos, unicos. Fora as boas estradas nao tem nenhuma estrutura para turismo. Existem poucos simples hoteis em Hadubo, mas nem uma pousada, por mais simples que seja nas areas de interesse. Talvez Socotra nao seja para todo mundo, mas foi feita sob medida para mim.
O tempo parou?
Outubro 17, 2009
Como tudo conspirava para nao pegarmos o barco nao o pegamos. As noticias mostravam que os protestos pela separacao do sul do Yemen se intensificavam com a proximidade do dia da independencia (antes eram 2 paises, que se unificaram em 1990). Chegou a ter ate alguns atos de violencia. O tempo mudou bruscamente, e chegou a chover um pouco, mas o grande problema era o vento. Passar 14 hs num barco com mais de 300 vacas com tempo ruim nao parecia muito agradavel, isto se o barco saisse. Nao podiamos esperar mais, tinhamos que acabar com o “Groundhog Day” (filme dia da marmota, onde todo dia acontece a mesma coisa), entao pegamos um aviao de Djibouti para Sanaa.
Desde a primeira vez que tinha visto uma foto da Old Sanaa, sabia que um dia iria para la. De repente estava eu chegando na capital do Yemen. Sobrevoando me pareceu bem mais moderna que esperava, afinal se trata do mais pobre dos paises arabes. No aeroporto ja tivemos o primeiro choque cultural, quando vimos que todos usavam seus turbantes e grandes facas na cintura. Por outro lado, no estacionamento tinham bons carros, e uma impecavel avenida de 4 pistas que nos levou ate a parte velha da cidade. Saimos da pista que havia ficado abaixo do nivel da cidade para entrar num dos acessos da cidade velha. Fomos andando por ruas estreitas ate que o taxista falou que o carro nao passava mais. Fomos a pe, andando entre aquelas construcoes, com uma meia luz, muito show. Fomos num hotel indicado mas resolvemos olhar outros ao lado. Os precos nao eram dos melhores, mas como ja era tarde resolvemos ficar num deles. Hotel antigo, numa construcao antiquerrima, mas cheia de estilo. Portas de um metro e meio e pe direito do quarto de uns tres metros e meio. Vitrais em todos os quartos. Muito bacana.

Dia seguinte tomamos cafe cedo e partimos para explorar Old Sanaa. Muito bom andar sem destino, so seguindo pelas ruelas. As construcoes a primeira vista parecem todas iguais, o que torna facil de se perder. Que bom! E a melhor forma de conhecer um lugar. Tinhamos combinado de fazer o check out as duas, entao voltamos correndo para o hotel, pegamos nossas mochilas, e caminhamos ate Tahrir, no inicio da cidade nova. Aqui, diferente da maioria dos lugares, a parte nova da cidade e mais barata. Nao demoramos para achar um hotel bacana muito barato. Fomos na regiao das embaixadas pois o Guru precisa de visto para entrar em Oman, nosso provavel proximo destino. Brasileiros so carimbam na fronteira, mas foi bom para confirmar a informacao. Legal passear na parte mais nova da cidade. Mesmo nao sendo a minha preferida, faz parte da cultura local. Mesmo os taxis sendo muito baratos, resolvemos pegar microonibus, so pela diversao. Teriamos que fazer conexao e tudo, e ninguem falava ingles, muito menos nos falavamos arabe. Foi muito divertido! Legal de ver a hospitalidade das pessoas. Mesmo sem falar uma palavra em ingles vinham nos ajudar, se empenhavam. Nossa ideia rendeu boas risadas, tanto nossas quanto deles. Voltamos para a parte velha da cidade para curtir o final de tarde na regiao de um grande mercado. Muito show!

Nosso primeiro dia foi tao corrido que nem deu tempo de ir na policia nos registrar. Entao no outro dia foi a primeira coisa que fizemos. So o visto nao adianta, tem que ir la, deixar copias do passaporte e visto, alem do endereco do hotel. Burocratico mais simples. Voltamos para as embaixadas e o Guro conseguiu convencer em receber o visto na hora e nao em 2 semanas como estava propondo. Na embaixada do Iram foram muito atenciosos. Ele solicitou visto aqui e vai retirar em Muscat, capital de Oman. Brasileiro novamente nao precisa.

Devido a nao frequencia de onibus e burocracia da policia, resolvemos alugar um carro com motorista para conhecer os arredores de Sanaa. Para isto visitamos varias agencias e negociamos bastante. Acabamos acertando com a agencia recomendada pelo embaixador do Brasil na Etiopia, que entendeu nosso “estilo” de viagem e nos deu varios descontos. No topo do hotel que ficava a agencia tinha um terraco com uma super vista. Tomamos um cafe e ficamos curtindo as chamadas das mesquitas que parecia uma sinfonia. Andamos para o outro lado da Old Sanaa ate o portao principal. Subimos num local e ficamos vendo a movimentacao do pessoal, alem das rodas de pessoas mascando Khat. Todos se vestem igual aqui. “Saia”, que e uma canga, lenco/turbante e cinto com faca. Para ver se alguem e mais rico nao se olha a roupa, joias e sim o estilo da faca. Poucos usam o que chamariamos de roupas ocidentais. Quando nao estao de canga estao usando ternos de veludo. Muito estilosos. Outro final de tarde gostoso e beem devagar.

Ja tinhamos rodado bastante Sanaa e era hora de conhecer seus arredores. Fomos com nosso motorista ate um palacio que fica a uns 40 km do centro de Sanaa. Ele fica em cima de uma pedra. Bonito de se ver e com uma super vista la de cima. Passamos por diversas vilas, Thulla, Hababah eKawkaban, de onde andamos montanha abaixo ate Shiban. Todas com suas construcoes antigas, suas cisternas e historias. Em muitas delas existiam os bairros judeus, e as estrelas de Davi ainda estao nos vitrais e portas ate hoje. Os judeus do Yemen tambem foram retirados numa super operacao de Israel, chamada ” Operacao tapete Magico”, e foram levados ate a terra prometida. Algumas familias judias ainda vivem em Sanaa.

Sanaa e uma das cidades mais antigas do mundo, com povoamento constante. Dizem que foi construida por um dos filhos de Noe, logo apos o diluvio. Toda esta regiao foi parte do imperio de Axum da Etiopia, antes de serem conquistados pelos Arabes Muculmanos.
Nosso voo para Socotra estava lotado e teriamos que esperar mais alguns dias por aqui. Fomos tentar pegar informacao sobre os onibus para Oman, mas a comunicacao foi impossivel. Sempre falavam que nao tinham onibus, indicavam outro lugar mas nunca dava certo. Frustrados fomos encontrar com o ED, jornalista canadense que mora aqui, que conhecemos no Couchsurfing. Batemos um papo e fomos ate o apartamento que ele divide com outros jornalistas. Ficamos no terraco, com Aquela vista de Sanaa, conversando sobre o pais e viagens. Ele e recem formado em Fotojornalismo, e morou os ultimnos 4 anos em diferentes paises do oriente medio. Muito bom o bate papo, e pudemos ter um pouco mais de informacoes, pois a dificuldade da lingua estava nos privando disto. Ate entao todas as informacoes que tinhamos era de pessoas ligadas ao turismo.
Fomos ate a policia pegar autorizacao para viajar por terra para Oman. Tudo com data certa e devidas copias que ficam nos controles ao longo da estrada. Fomos ate a agencia acertar mais um passeio, pois conseguimos marcar o voo so mais para frente.
Desta vez fomos para sudoeste de Sanaa, uns 100 km de viagem, passando pelas Montanhas Haraza ate chegar em Al-Hutyaib, Al-Hajarah e a fantastica Manakaha. Cidadezinhas paradas no tempo, pinduradas nas montanhas. Em todas estas cidades encontravamos alguem que falava ingles, e ficavamos conversando durante as caminhadas.



Toda a burocracia policial tem um porque. Tirando o sul que tenta uma independencia de forma civilizada, existem 2 areas de conflitos no Yemen. Ao norte, perto da Arabia Saudita, na regiao de Sadah, existe uma guerra, entre o governo e grupos radicais islamicos. Nao se pode nem sair de Sanaa na estrada que leva a este local. Diariamente viamos avioes de guerra saindo de Sanna. Dificil saber o que acontece, pois reportes tambem sao proibidos naquela regiao, mas provavelmente o governo esta bombardiando os extremistas, que tem apoio de outros paises islamicos. Ja nas Montanhas Hadramout, rebeldes ligados a Al Qaeda tem feito guerrilha, e o governo tem dificuldade de controlar. Sao locais muito longe de onde vou passar, por isto nao se preocupem. Turistas desavisados ou imprudentes foram vitimas destas guerrilhas. Poucos meses atras houve sequestro seguido de mortes de turistas alemaes. Estes grupos radicais sao contra o “ocidente’, por isto tem turistas como alvo, alem da midia que atraem. O Yemen teve um grande numero de participantes nos atentados de 11 de setembro.
Yemen e um pais pobre, com um povo super tradicional e hospitaleiro. Existe uma previsao de terminar a agua potavel da regiao em poucos anos, o que causa um desespero geral na nacao. O pouco petroleo que ainda resta tambem esta no fim. Pena um pais tao legal culturalmente, bonito naturalmente, ser tao instavel.
Africa, ate logo.
Outubro 11, 2009
Poucos dias antes de completar 6 meses de Africa eu estava saindo para o Oriente Medio. Nao tem o que falar deste periodo a nao ser o famoso ” se melhorar estraga”. Viajar pela Africa nao e simples, e algumas pessoas me questionaram se eu nao cansei. A resposta e simples. NAO. Por um simples motivo: a recompenca e muito grande!! Viajaria por mais 6 meses de volta pelos mesmos paises que passei, ou pelo menos um ano pelo Centro e Oeste da Africa.
A Africa dos desertos estrelados, das savanas, da floresta tropical, das bonitas praias, dos lagos gigantescos, das montanhas, das linguas, das culturas, das vilas e das cidades. Dos animais selvagens, dos nem tao selvagens assim. Das estradas pouco percorridas, das novas estradas e infra estrutura. Africa de muita historia, muitas surpresas e de gente muito boa. Pessoas, sim o povo africano merece um destaque especial. Pessoas que fizeram eu me sentir em casa, mesmo estando muito longe. Hospitalidade nunca vista antes, que fez 6 meses parecerem poucos dias.
Gostaria de recomendar um livro para quem esta indo para a Africa ou se interessa pelo assunto. “Africa, the biography of a continent” do John Reader. Vi o livro a primeira vez na Ruanda, onde o Belga que conheci estava lendo. Falou que era dificil de achar e que tinha emprestado de uma biblioteca. Muito tempo depois eu por acaso esbarrei com um novinho, e comprei na hora. Na verdade acho que e facil de achar, nao sei se existe a traducao para portugues. Sao mais de 800 paginas, que cobrem desde a formacao geologica, evolucao dos homens, imperios, culturas, colonizacao, guerras civis ate o dia de hoje. Excelente leitura!!
Obrigado Africa
Precos altos, temperatura ainda mais alta.
Outubro 11, 2009
Tive diferentes sencacoes e sentimentos no Djibouti, mas o calor foi com certeza a mais forte…hehe Êta país quente. Pra vcs terem uma ideia, os bancos trabalham das 7 as 10
;30 e das 16:30 as 18. Impossivel fazer alguma coisa de tarde. As ruas ficam vazias, e as sombras cheias de gente deitada, mascando chat.
Da fronteira ate o centro da cidade foi relativamente facil. Dificil foi ficar respondendo todas as perguntas em frances do oficial da imigracao, isto que da passar por estas fronteiras nao muito utilizadas. No caminho ate a cidade, tres check point, onde tinhamos que descer do onibus, apresentar passaporte a as vezes responder algumas perguntas. Toda esta seguranca e porque existe uma grande base americana aqui. O Djibouiti e um pequeno pais, e sua capital se chama Djibouti tambem. Existe um grande e importante porto. Com a base militar, e estrangeiuros com salarios americanos e europeus consumindo aqui, os precos dispararam. Por isto nao foi dificil procurar hotel, ja tinhamos a indicacao do mais barato e fomos direto para la.
A cidade tem seu charme, na arquitetura, no estilo. Os franceses capricham neste aspecto. Por outro lado, na nossa primeira saida para jantar, ja vimos grupos de gringos bebados, fazendo bagunca na rua, alem de outros entrando em quartos com prostitutas. Dava para ver que o lugar ja tinha recebido muita (ma) influencia. Tentamos achar algum restaurante mais barato, mas foi dificil. Entao pelo menos arranjamos um com terraco e brisa, para aliviar o calor.
Foram dias muito devagar aqui. Logo nos adaptamos ao ritmo. Rapido mesmo foi tirar o visto para o Yemen. Em 2 horas ele tava na mao, sem precisar de carta de embaixada nem nada. No mais foi ir ate o porto, descobrir de onde saia o barco para o Yemen e voltar todos os dias para ver quando teria o proximo barco.
Eu e o Michael saimos para fazer 2 mergulhos. Junto foram 2 oficiais da Marinha Belga, que estao combatendo os Piratas. Alias ta cheio de navio de guerra e ate submarino para combater os piratas. Eles contaram que tem ate um navio russo onde milionarios pagam para atirar nos piratas… Da pra acreditar?

Navios anti-piratas
Mergulhamos num super naufragio. Um navio alemao de 135 metros de cumprimento, com mastros e tudo. Ta partido no meio e pudemos atravessar por este local. Muitos peixes e uma boa visibilidade. Agora sim!! Isto que eu esperava do Mar Vermelho!! E agua temperatura de banheira, mais de 30 graus…

Equipe!
O outro mergulho foi em corais, com moreias e muitos peixes. Muito bom tambem. Com certeza foi o ponto alto de Djibouti. E o barco para o Yemem parecia que nao vinha. Perdemos um no primeiro dia, mas tinhamos que conhecer aqui antes. Resolvemos ir no Hotel Palace Kempinski, um simples hotel 7 estrelas!!! Tomamos um carissimo milk shake, mas ficamos largados na beira da piscina por horas, so batendo papo e lendo.

Estilo...
Um dia fomos jantar com um Somali que estava no nosso hotel. Alias esta cheio de Etiopes e Somalis. Os Somalis sao faceis de reconhecer pois tem a pele bem escura e os olhos bem azuis. Notamos que no final do jantar ele discretamente colou seu nome, numero do quarto e hotel num pedaco de papel. A garconete recolheu de forma ainda mais discreta. Cidade portuaria e isto ai…
Com o passar dos dias fomos aprendendo onde estavam os lugares mais baratos, desta forma nao ficou tao pesada a estadia por aqui. Trocar frutas por uma refeicao ate que foi bom num calor destes.

Mesquitas

Centao de Djibouti

Finalmente um lugar que nao pode!!
Logo entramos no esquema de dormir de tarde, quando esta quente demais para fazer outra coisa. Foi tudo devagar, mas otimo para eu organisar as ideias, pensar sobre a viagem ate aqui. Afinal de contas, foram quase 6 meses, muitos lugares, muitas pessoas, muitas emocoes. Tambem comecei a planejar as proximas etapas, e tinha que ver como e onde encontraria a Bibi. O Michael partiu de trem de volta para a Etiopia, e o Guru segue comigo para o Yemem, quando o barco chegar… Inshallah como dizem por aqui.
Filmes na Africa
Outubro 7, 2009
Tenho citado alguns filmes nos posts. Resolvi entao fazer uma lista com filmes e a referencia dos países onde se passa a historia. Seria legal se participassem, falando qual filme que viram, o que acharam. Caso lembrem de algum que nao esta aqui, passem o nome por favor.
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Os Deuses devem estar loucos – Botsuana (a referencia ao que nao precisamos,representada pela garrafa de coca cola, mas passa a ser essencial em nossas vidas e excelente!)
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Out of Africa – Quenia (Historia real, fomos na casa onde hoje é um museu)
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O Jardineiro fiel – Quenia (Bom filme)
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Darwin’s Nightmare – Tanzania (Sensacionalista, recebeu muitas criticas)
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Hotel Ruanda – Ruanda ( Retrata bem a triste historia)
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Diamantes de Sangue – Serra Leoa ( Utilizei muito o “TIA” -This is Africa- na viagem)
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Tsosi – Africa do Sul ( ganhou Oscar, bom hip hop)
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Mr Bones – Africa do sul ( Comedia, mas vale a pena para quem foi ou vai para a Africa)
- O ultimo rei da Escocia – Uganda (ganhou Oscar, fala sobre o Idim Amin)
- Duma- ???? (historia de um menino q adotou um guepardo,paisagens lindas… – Clau)
- A Sombra e a Escuridao- Quenia (Val Kilmer e Michael Douglas participam da construção de uma estrada de ferro que passa pelo Rio Tsavo no Quenia e os trabalhadores são apavorados por 2 leoes que matam os trabalhadores….fatos reais.- Viezi)
- Lagrimas do Sol- Nigeria (Bruce Willis é enviado para resgatar uma medica missionaria na Nigeria.- Viezi)
- Rei Leao – Quenia (??) (????????????????????)
- Madagascar- Madagascar (?????????????????)
Ajudem a completar a lista.
Nao conte para minha mae… (Somaliland!!!)
Outubro 1, 2009
“Viajar é descobrir que todo mundo está errado sobre os outros países.” (Aldous Huxley)
Desde 1991, com a gerra civil na Somalia, nao existe mais so o pais Somalia, mais 3 paises. Somalia (onde vemos a guerra na TV), Puntland (onde estao os piratas) e Somaliland (onde ha paz). Antes da independencia , eram colonias distintas, a Somalilandia dominada pela Inglaterra e as outras pela Italia. Para conquistar a independencia (anos 60) se uniram num so pais. A capital da Somalilandia, Hargeisa, foi severamente bombardeada pelos somalis (anos 90), mas conseguiram a independencia e veem se desenvolvendo com o passar dos anos. Parece uma super historia de sucesso nao? Um pais que do caos hoje tem eleicoes presidenciais populares com 3 partidos (raridade para a Africa), 4 empresas aereas privadas (o Brasil com todo seu tamanho tem quantas?), diversas empresas de celular (Etiopia so tem uma) . Seguranca? Uma das cidades mais seguras da Africa. Nao existe crime contra o cidadao comum, nao existe roubo, assalto, etc. Um pais destes tinha que entrar no meu roteiro. Um grande problema. Nao é reconhecido por nenhum pais, entao na verdade é uma terra de ninguem.
Como nao tinha nada planejado quando sai, e ficava “la em cima”, deixei para ver pelo caminho como estaria a situacao. Nestes quase 6 meses encontrei um Ingles e um Polones que tinham ido para la e so falaram coisas boas. Pronto, estava confirmado. Em Madagascar soube atraves dos japoneses que um amigo deles foi do porto de Berbera (Somalilandia) para o Yemen num navio que transportava gado. Era um plano inicial. Quando falei para o Guru que iria ele topou na hora. O Michael, que tambem passou a viajar com a gente, achou que seria uma oportunidade unica, pois ele nunca iria para la sozinho, ainda mais com passaporte americano.
O visto tirei logo que cheguei na Etiopia. Como nao é um pais reconhecido eles nao tem embaixada e sim um Liaison Office. Um escritorio de relacionamento. O visto ficou pronto em 5 minutos. Mas como ainda iamos viajar pela Etiopia, e o visto tinha validade de um mes daquele dia, tivemos que falar com o “consul” que nos ajudou prontamente, deu varias dicas e conversamos muito tempo. Pegamos o cartao dele com contatos de amigos na Somalilandia. Quando voltamos do circuito historico, corremos para la para o Michael tirar o visto dele. Era uma sexta, tava fechado, e queriamos pegar o onibus de domingo para Harar e depois seguir para Somalilandia. A solucao foi pedir para o seguranca ligar para o “Consul” que 15 minutos depois chegou, abriu o escritorio e emetio o visto. Ainda brincou que se soubesse que erqmos nos teria vindo antes. Muito gente boa!
A fronteira e feia, muito suja, cheia de plastico. C hegando no lado da Somalilandia foram super atenciosos. O oficial da imigracao ficou doente quando viu que eu era brasileiro. Falou de todas as ultimas copas, era fa de carteirinha. Falou que eu sou o primeiro brasileiro a passar por esta fronteira. Acho que ele se empolgou um pouco, mas nao devem ter muitos. Passaporte carimbado, agora era so achar transporte ate Hargeisa. Onibus? Nao, nenhum. O transporte aqui sao carros tipo perua, socados de gente. Preco em dolar, o dobro da Etiopia para a mesma quilometragem. Tivemos que trocar de carro porque queriam cobrar a bagagem no primeiro. Vimos que nem todos eram simpaticos quando um cara jogou a mochila do Michael para fora do carro. No segundo carro foi tudo certo e uma senhora retribuiu gentilmente a bolacha que recebeu com uma goiaba. Chegamos em Hargeisa e confesso que achei um caos por tudo que falavam. Claro que evoluiram um monte nestes quase 20 anos, mas a bagunca empera. Uma das primeiras cenas que vi foi um caminhao descarregando madeira. Quando prestei atencao era da chilena Arauco. Nao podia ser! A Arauco era a principal concorrente da empresa que trabalhava, e cheguei ate a ir para o Chile para fazer uma pesquisa dos produtos deles, distribuicao, mercados…
Muita gente na rua, barracas tipo camelô por todos os lados e muita areia cobria o fino asfalto da avenida principal. Para fugir do choque inicial pegamos um bom hotel, o terceiro melhor da capital. La teriamos boas informacoes, e depois descobrimos que nos 12 usd tinha ate cafe da manha e internet nao achamos mais tao caro como no inicio. Deu tempo de largar as coisas e sair pelo centro. Antes tinhamos que trocar dinheiro. Era so escolher uma das caixas de arame espalhadas pela rua ou pilhas de Somaliland Shilings em cima de esteiras. Um usd sao 6500 SS, portanto treze notas de 500, que e a maior que cirgula. O negocio era trocar 10 USD por dia, ou carregar uma mala com dinheiro…haha

Trocando dinheiro
Fomos ate o Memorial de Guerra, praca em que exibem um aviao Mig da forca aerea Somali, que e exibido com orgulho. La juntou gente, muita gente. Todos ja estavam vindo falar conosco antes, mas la eram dezenas de pessoas. Soldados tiveram que dispersar a multidao. Sempre perguntavam o nome, da onde eramos, e se eramos jornalistas!!! Se surpreendiam quando falavamos que eramos turistas e ficavam ainda mais curiosos. Notamos que uma minoria (1 em 20 ° nao gostavam muito, e resmungavam para quem nos dava “moral”). O Michael tambem teve que trocar sua resposta de nacionalidade de americano para canadense rapidinho, pois teve gente que chiou. Em geral uma simpatia nunca vista, nos eramos atracao turistica. Para comprar o SIM para o cel praticamente paramos o escritorio do lugar. Resolvi comprar um jornal local. Algumas das publicacoes sao em ingles. Me surpreendi quando me deparei com a noticia do assassinato de tres pessoas 10 dias antes. O jornal (oposicao) falava que era um protesto, mas depois descobrimos por fontes neutras que foi uma tentativa de golpe de estado. Se o cidadao comum nao sofre nenhum perigo de violencia, a violencia politica ainda faz parte da realidade do pais. Teriamos que redobrar a atencao, mas como em Madagascar, era so ficar longe de manifestacoes publicas (estas foram fora da cidade). Depois de um primeiro dia destes, comemos um pouco antes de escurecer e decidimos nem sair a noite. Conhecemos muitos somalilanders que estudam na Inglaterra, pais que tem voo direto para ca (assim como Dubai, Yemen, Kenia,Etiopia, e logo USA).

Memorial de guerra

Banco!

Avenida principal
Bem cedo eu ja estava acordando com o chamado das mesquitas. Fiquei so na janela, depois na sacada vendo o dia amanhacer, e a cidade movimentar.Todos seguem a risca a regra de rezar 5 vezes ao dia. Pais 100 por cento muculmano. Nao pode bebida alcoolica, se tiver so transportando e cadeia!!! Homens e mulheres sentam em lugares diferentes nos restaurantes, cheio de regras. Queriamos visitar umas pinturas rupestres muito antigas, em excelente estado de conservacao. Para isto teriamos que arrumar um carro, pois os taxis comunitarios so vao de cidade em cidade, e este lugar ficava fora da estrada. No hotel tavam cobrando caro demais e decidimos arranjar um carro na rua. No memorial de guerra tava cheio de taxis e voltamos para la, depois de ter visitado alguns mercados, dentre eles o mercado do ouro. Nao demorou muito ate encher de gente para ver nossa negociacao. Para aliviar entramos dentro do taxi e chegamos num acordo. Tinha uma situacao que nao estava clara ainda. Algumas pessoas falavam que para circular pelo interior do pais precisariamos de escolta armada. Fomos ate a “secretaria de seguranca” e nos foi passado que sim. Quiseram ate increspar sobre nossa viagem pelo interior, quando o cartao do “consul” com telefones escritos a mao fez efeito. Ainda passamos no ministerio do turismo, que fica numa pequena sala dentro do ministerio da pesca (hilario!!). La nos contaram que existe uma super protecao com estrangeiros. Ja nao conseguem reconhecimento, se algo acontecer tudo ficaria ainda pior. A alguns anos alguns somalis entraram escondidos na Somalilandia e assassinaram 3 turistas, e foi um grande problema de relacoes internacionais. Nao tinhamos escolha a nao ser pagar os 10 dolares para o soldado que nos acompanharia.

Hargeisa
Partimos pela estrada Hargeisa-Berbera, e teriamos que pegar uma estrada secundaria para Las Geel. Uma reta so, e a paisagem nao mudava, era deserto dos dois lados. Passamos por um ou outro aglomerados de casas, que nem podemos chamar de cidades. Paramos numa delas para almocar. So tinha macarrao, e so 3 pratos, entao tivemos que dividir. Nem foi dificil pois aqui nao usam talher, entao os pratos ficavam no meio e nos iamos pegando com a mao. Depois deste lugar pegamos uma “estrada” secundaria.,na verdade nem tem estrada, e so seguir a trilha feita por outro carro. Viamos pequenas formacoes rochosas e algumas cabanas. Muitas cabras e camelos por toda a estrada. Chegamos num check-point onde pediram a papelada que tinhamos acertado no Ministerio do Turismo. Uma pessoa seguiu com a gente para mostrar o lugar. Paramos numa casa, que possuia alguns cartazes com informacoes das pinturas, que so foram descobertas em 2003. Caminhamos montanha acima e o lugar e fantastico. Sao muitas e muitas pinturas, muio vivas, parecem que forqm pintadas a pouco tempo, e tem mais de 5000 anos. E um lugar que se fosse em outro pais receberia milhares de visitas, e nos ali, sozinhos, explorando, curtindo o lugar e a bela vista. Valeu super a pena.

Pinturas Rupestras

Isto tem que virar um Parque Nacional

Vista da caverna
Em vez de retornar para Hargeisa, seguimos a estrada, sentido Barbera, pois tinhamos combinado desta forma. O soldado ja mascava chat a horas e provavelmente nao estaria apto para nos defender. De qualque forma sua presenca foi de grande importancia pois nao pediram o nosso passaporte nem uma vez, bem diferente de quando estavamos sozinhos, que era toda hora.

Nao e treinamento Taliban, e so escolta armada pela Somalilandia!
Tava quente, muito quente e so parecia que piorava. Tinham nos falado que Berbera era insuportavelmente quente. A paisagem mudou um pouco, com a presenca de umas montanhas. Pudemos ate ver um ou outro animal selvagem. A qualidade do asfalto foi piorando, e buracos ficaram mais frequentes.
Chegamos em Berbera no final de tarde. Como e a segunda maior cidade imaginavamos um grande movimento, mas ao contrario de Hargeisa, a cidade tava quase parada, com poucas pessoas na rua. De cara nos identificamos mais com este lugar.
O Feriado Cristao e a Cidade Sagrada Muculmana
Setembro 29, 2009
De volta a Addis, ainda tinhamos que fazer algumas coisas, antes de ir para Harar. Visitamos o Museu Nacional e o Museu Etnologico. Deu para aprender m pouco mais sobre as diversas tribos do pais (sao 80 linguas e 200 dialetos diferetes), ver varias pinturas ortodoxas com Jesus negro, mas o ponto alto para mim foi a parte dos fosseis dos “Homideos”. Para quem nao sabe, eu quando tinha 6 ou 7 anos nao queria ser jogador de futebol nem bombeiro, queria ser paleontologo, e isto foi muito antes da geracao parque dos dinossauros.
Existe uma secao que explica toda a evolucao da especie humana, com varios fosseis de nossos ancestrais que foram achados aqui. Lembram da Lucy, nossa tatatatataravo? Ela era etiope. Os fosseis da Etiopia sao os mais antigos e em excelente estado de conservacao.
Ja que estavamos por aqui resolvemos estender um pouco mais para ver a comemoracao do Meskel, que e o dia que acharam a Cruz. Se o ano novo foi uma comemoracao discreta, esta foi uma grande manifestacao popular. Todas as ruas perto do centro estavam bloqueadas, milhares de pessoas caminhavam com seus trajes típicos em direcao a Meskel Square, no centro da cidade. Quando chegamos, depois de muita dficuldade para arranjar transporte, as arquibancadas ja estavam lotadas. Diversos desfiles de escolas, alegorias celebrando Cruz sagrada e a Etiopia. Discurso do Papa da Igraja Ortodoxa Etiope, devidamente protegido por atiradores de elite em cima dos predios. Populacao super comportada, sentada e ordeira. Eram milhares e milhares de pessoas, dificil estimar, mas acho que devia ter mais de 100000. Todas elas com velas em punho, numa cena bonita, durante a queima de uma fogueira de palha e de fogos de artificio.

Praca Meskel

Comemorando Meskel

Todo mundo curtindo, com branco e as cores da Etiopia
O Samuel escolheu para se mudar para outra casa bem neste dia, entao depois das celebracoes fomos para a casa nova, depois de ter jantado num restaurante tipico de uma das tribos. Cardapio? Ingera (para variar) com carne moida crua picante (novidade!). Muito bom, comi um monte.
Ja estavamos prontos para seguir viagem, entao bem cedo pegamos um onibus para Harar. Viagem longa, mas com um asfalto de excelente qualidade. A temperatura ia aumentando a medida que nos aproximavamos de Harar. A paisagem tambem foi se modificando, o verde foi desaparecendo gradativamente, e a areia aumentando na mesma proporcao. Chegamos na cidade e depois de uma longa discussao sobe preco ficamos no primeiro hotel que visitamos. Quarto com duas camas e um colcao no chao.
Harar e a quarta cidade mais sagrada para os muculmanos, depois de Meca, Medina e Jerusalem. E uma antiga cidade murada, com um quilometro quadrado e praticamente 100 Mesquitas.

Existem 100, aqui estao 2
Mesmo sendo final de tarde o calor era insuportavel. Ficamos largados num restaurante, e demos uma volta na cidade velha. Nós estavamos na cidade nova, para fora dos muros, e que tem maioria crista. Ao caminhar na cidade murada, dentre tantas mesquitas, no centro da cidade uma Igraja Ortodoxa. Aqui a paz prospera…

Ruas da cidade velha

Cores Vivas

Indo para a escola
A cidade é pequena, e no outro dia andamos pelas centenas de ruelas estreitas, surpreendentemente com portoes de casas pintados com cores fortes. Visitamos pequenos museus, conversamos com pessoas, passamos no mercado de carne de camelo, e encontramos um antigo amigo. Sim, no meio da rua encontrei um cara que conversei durante horas na viagem de Nairobi para Moyale, e que ate ficou no mesmo hotel que a gente. Que coincidencia. Muito gente boa, nos levou para a casa dele para apresentar a familia. Sua esposa ofereceu a cerimonia do cafe, tostando os graos e servindo junto com pipoca. Ficamos brincando com a comunicativa filha de 4 anos ate a hora de sairmos. Combinamos de ver alimentarem as hienas mais tarde e fomos tomar um sorvete no final e tarde.

Amigos!!
Existe uma tradicao em Harar em que todo anoitecer alimentam hienas logo na saída de um dos portoes da cidade. Dizem que faziam isto em epocas de fartura, para que em epocas de seca as hienas nao atacassem os homens e seus rebanhos de cabras e ovelhas. Parece que funcionou, pois hoje as hienas circulam livremente durante a noite sem causar problemas. Hoje este “evento” ja se tornou turistico, e pedem uma contribuicao para pagar as “pelancas”. De qualquer forma fomos conferir, e os animais sao bonzinhos(hehe). Pensar que ja morri de medo daquelas hienas circulando pelas nossas barracas na Botsuana, e aqui estava eu dando de comer na boca dos bixinhos. Primeiro com a mao, depois com a boca!! Foi divertido.

Depois de muito tempo de Africa os animais passam a te respeitar...hehe
Uma delicia de cidade, onde o tempo nao passa. O pessoal leva o Chat a serio aqui e masca durante o dia inteiro. No final da tarde parecem Zumbis, mortos vivos perambulando. Estava enganado quando falei que era que nem Red Bull. Bem, nao sei o que aconteceria se alguem tomasse Red Bull por 8 horas seguidas…

Harar

Portao principal
Tivemos uma grande discussao no hotel, pois estavamos usando outro quarto para tomar banho. Nosso chuveiro nao funcionava direito e ninguem deu atencao a nossas reclamacoes. Resolveram implicar com o preco, pois estavamos pagando a tabela que era para 2 e nao para 3. Como tinhamos combinado nao cedemos, e ameacaram tirar o lencol do colcao do chao. Eu que tava dormindo ali e virei um bixo. Briguei, ameacei colocar na internet e blalala e no final das contas deu certo.
Cedo seguimos para jijiga. No onibus fiquei conversando com um Sr que tinha bastante informacoes sobre o Brasil, mas queria saber ainda mais. Queria saber minha opiniao de como melhorar a Etiopia dentre outras coisas. Sempre encontro pessoas curiosas, mas algumas fazem perguntas dificeis, e o assunto se torna profundo. Muito legal, mas de muita responsabilidade para responder. Fizemos uma rapida coneccao para Wajjale. A temperatura aumentava ainda mais, e agora era so deserto mesmo. Passamos por uma area onde estavam tirando minas terrestres ao lado da estrada, fruto de uma guerra ja de algum tempo entre Etiopia e Somailia.
Logo nos aproximamos da fonteira da Somalia. Pera ai, aqui nao e somalia ja faz muito tempo…
Obeliscos, lendas, igrejas de pedra e mais verde
Setembro 25, 2009
Antes do sol nascer ja estavamos chegando no caminhao. Fora o ajudante, tinha outro figura. Reclamamos, pois nao era o combinado. Falaram que ia so ate ali na frente, mas acabou indo a viagem toda. Pouco depois de Gonder comecou o sobe e desce. Curvas passando por precipícios. Vista impressionande das montanhas. Logo deu para avistar as Simien Montains, longa cadeia de montanhas que se estende por toda esta regiao. Muitas destas montanhas parecem com dedos apontando para cima.

Precipicio

Siemen Mountains
Paramos em algumas vilas para tomar cafe, almoçar. Uma delas, muito pequena, chamava a atencao pela quantidade de mesas de pebolim espalhadas pela rua. Pessoal gente boa, vista maravilhosa, cabine apertada, e viagem longa, pois o caminhao ia muito devagar com tanta curva. Final de tarde chegamos a Shire, e falaram que era o ponto final, que ficariam ali. Peraí, nao era o combinado. Ja falamos que iamos na delegacia, que queríamos que alguem nos acompanhasse, fizemos pressao. No final das contas pagaram a passagem de uma van que estava saindo para Axum. Bastante correria, mas chegamos em Axum no mesmo dia. No caminho passamos por carcaças de tanques, resultado das guerras que ocorreram por aqui.
Axum foi um dos maiores imperios do mundo. Muito respeitado pelo imperio romano. Dizem que foi criado pelo Tataraneto do Noe, ou algo assim. A Etiopia tem muitas, mas muitas citacoes no velho testamento. A Biblica Rainha Sheba saiu desta regiao para visitar o Rei Salomao em Jerusalem e voltou gravida. O filho foi chamado de Davi e posteriormente de Menelik, e voltou para Jerusalem para aprender as leis de Moises. Ele teria voltado com a Arca que contem os dez mandamentos.
O imperio de Axum durou centenas de anos, e deve ter terminado devido a duas razoes. A perda do controle do Mar vermelho para os Arabes e por terem cortados muitas arvores. Parece que nao aprendemos, a historia se repete…
Axum, mesmo sendo cristao, ofereceu protecao aos muculmanos, que estavam sendo perseguidos na epoca. Muitos se refugiaram nesta regiao, inclusive uma das esposas de Maome. Ele inclusive cita Axum como um lugar de paz. Ja houveram sangrentos conflitos entre os cristaos ortodoxos e muculmanos, mas em geral sempre conviveram pacificamente. Ate hoje se dao super bem, e se respeitam bastante, desde que levem a religiao a serio, independente de qual seja.
Axum é hoje uma pequena cidade, dificil acreditar que foi um dos maiores imperios do mundo. Conhecemos um americano, Michael, que passou a viajar com a gente. Ele voou para Jerusalem, rodou ate o Egito e voou ate aqui. Tentamos ver o que dava andando, mas algumas coisas tivemos que pegar tuk-tuk. Existem gigantescos obeliscos de pedra, todos tralhados, desenhados. Muito bacana. Junto existe um bom museu, que passa bastante informacao da regiao. Lembram que um dos reis magos era negro? De onde voces acham que ele era? Sim, Baltasar era o Rei de Axum, e foi visitar Cristo no seu nascimento.

Axum, pequena cidade hoje, grande imperio no passado
Logo na frente dos obeliscos esta a Igreja St Mary Zion. Na verdade tem uma nova construcao da igreja e as ruinas da antica. Tem um local onde juram que está a Arca com os Dez mandamentos. Esta historia é mais dificil de acreditar, mas ja houve ate guerra com os judeus por causa desta historia. Se pensarmos que a Igreja Catolica afirma que possue tantas reliquias como pedacos da Cruz, o manto que cobriu Jesus apos ter sido retirado da cruz, por que a Igreja Ortodoxa etiope nao pode ter a sua?

Obelisco

Igreja St Mary Zion

Mais obeliscos
Seguimos estrada sentido Wukro. Voltou a ter asfalto (entre Gonder e Axum foi estrada de terrra), mas muito sobe e desce e curvas, portanto viagem demorada. Ou o pessoal nao ta acostumado a viajar, ou o cafe da manha foi reforçado, pois todo mundo passou mal. Foi um tal de vomitar e distribuir sacolas de supermercado. Uma mulher sentou com uma crianca do meu lado, e quando percebi que a coisa tava feia dei um pulo e me safei por pouco. Nojento. Nesta regiao do Tigre, existem mais de 100 igrejas de pedra, mas ja descobri faz tempo que nao da para ver tudo. Ficam muito longe, e o ideal e ter um transporte particular. Como o Guru e o Michael nao tavam nem um pouco dispostos a alugar um carro, visitamos 2 igrejas. Uma bem perto da cidade e outra que foi um empenho.

Igreja de pedra em Wukro
Ficamos esperando transporte publico por um tempo e nada. Daí acabou passando uma caminhonete e pegamos carona. Rodamos varios KM ate uma pequena vila onde ficava a outra igreja. Visitamos e tal, mas é para voltar. Nem sinal de transporte ou carros. Ficamos um bom tempo la, ate que apareceu um onibus empanturrado de gente. Entramos e voltamos para Wukro. No onibus passaram uma bandeja com Ingera, tipo comunitaria, e deu para matar a fome.

Igreja na regiao de Tigre
Em Wukro conseguimos pegar transporte ate Mekele, capital da regiao. La tentamos achar uma forma de ir para Danakil, regiao que fica abaixo do nivel do mar cheia de vulcoes, com lagos de larva permanentes. A temperatura chega a 50 graus. Sabiamos que seria caro, pois preciasa de um carro de apoio para garantir a seguranca, mas mao conseguimos pois nao é a epoca. Bem, negocio era ir para Lalibela entao.
Bem cedo pegamos um onibus ate Woldia. Todos falavam que teriamos que dormir la, e ir para Lalibela no dia seguinte, mas conseguimos uma van ate Gashema e pegamos carona ate Lalibela. Lalibela fica nas montanhas, uma pequena vila, onde tudo acontece bem devagar. La estao as principais igrejas de pedra. Algumas das igrejas foram totalmente esculpidas, nao sobrando rocha, so a construcao. E fantastico. Existem 11 principais, separadas em 3 grupos. Algumas delas sao interligadas por tuneis, o que da um charme ainda maior.

Igrejas de pedra de Lalibela

Mais Lalibela

- Muita tranquilidade em Lalibela
Definitivamente Lalibela e a principal atracao da Etiopia. O estado de conservacao das igrejas é incrivel. A maioria delas foi construída com um só bloco de pedra, sem encaixes.

Igreja de Sao Jorge

Outro angulo
Na nossa estadia pela regiao reencontramos o Servio e o Polones rastafaris. Conheci um Brasileiro/Holandes que ta trabalhando na Etiopia. Ha, tambem conheci um figura que esta viajando a 22 anos, e ja visitou 170 paises. Depois falam que eu que sou maluco…hhehe
Para voltar para Addis, novamente tivemos que madrugar. Nao era nem 4:30h e ja estavamos indo para a rodoviaria. Chegamos la e tava fechada ainda, mas estavam vendendo as passagens. Compramos, guardei o troco no “money belt” e a passagem no bolso. Ficamos esperando para entrar no portao quando me empurraram. Me empurraram de novo e eu ate peguei a mochila e passei para a frente (to viajando com a mochila pequena, a grande ficou e Addis) pois podiam ta querendo pegar alguma coisa. Quando vi,tinham levado a minha passagem. Estatistica, um dia ia acontecer. Pelo menos o cara lembrava de mim e pude viajar. Ele tentou cobrar mais (uma senhora apareceu com minha passagem), mas acabou dando tudo certo. So a raiva de ter sido roubado. Eles sao muito rapidos.
Chegamos em Desie onde tambem falavam que tinhamos que passar a noite. uma cidade super sem graca, com a avenida principal toda esburacada. Solucao? Depois da almoçarmos fomos procurar um caminhao. Nao demoramos muito para achar um que ja estava saindo.

Veerde!!
O motorista era super divertido, cantava e dancava enquanto mascava Qat. O ajudante nao cabia na cabine, pois agora eramos 3, e foi na cacamba, junto com os sacos de feijao, embaixo da lona. Nao demorou muito e o caminhao quebrou. Ficamos um tempo na estrada e depois conseguimos ir ate uma cidade para terminar de arrumar. Demorou mais um bom tempo. Finalmente seguimos estrada. Era para chegarmos as 11 da noite, mas ja estavamos madrugada a dentro devido aos contratempos. O motorista passou a falar menos e andar mais devagar. Percebi que ele tava com sono, mesmo depois de mascar tanto Qat. Como tava do lado dele, primeiro puxei papo, depois passei a dar uns ” pedela” e uns “se liga” nele. Falei que se tivesse cansado era para parar. Ele parou diversas vezes para tirar uma soneca. Resultado, chegamos so de manha, e eu nao dormi nada para ficar cuidando para o infeliz nao dormir. Pelo menos chegamos saos e salvos em Addis.
Montanhas, Monasterios no lago, Castelos e muito verde
Setembro 17, 2009
O chamado Circuito Historico é a principal atracao da Etiopia. Ao contrario da maioria dos paises africanos, a natureza e praia aqui ficam em segundo lugar (na verdade eles tem otimos parques nacionais, montanhas e, tribos).
Ja tinhamos ido para o Mercato, bairro muculmano de onde saiam os onibus, portanto foi so acordar cedo para pegar o onibus sentido Dahir Dar, nosso primeiro destino. Agora alem do horario (usam o relogio das 6 as 6, assim como o ki-swahili time) tinhamos que prestar atencao nas datas diferenciadas. Onibus 03/01/2002 as 11 horas, na verdade é as 5 da manha em setembro de 2009…
Onibus simples, com poltronas que nao reclinam. Saiu no horario, pois era o primeiro onibus, e saem quando ficam cheio. Dormi e acordei algumas horas depois, com o onibus ziguezagueando. Estavamos no topo de um canion, com uma vista impressionante. O onibus ia devagar, mesmo a estrada sendo de asfato de qualidade. Eram muitas curvas para contornar tanta montanha. O interior da Etiopia surpreendeu desde o primeiro dia. Nada lembra aquelas cenas que todos tem na memoria do problema da fome de 84/85. Tirando as regioes de deserto, localizadas no sul e no leste, a Etiopia e verde, muito verde. E tambem muito montanhosa. Parece que 50% das areas do continente africano ficam acima de 2000 m de altitude e, 80% acima de 3000 m estao na Etiopia.
A viagem que ja era longa se prolongou um pouco mais por causa da queda de uma barreira. Sem problemas, saimos do onibus e ficamos curtindo o visual. Passamos por muitas montanhas, belas paisagens ate chegar em Bahir Dar. Bonita cidade, com uma larga avenida com suas palmeiras, na beira do lago Tana. Nao foi muito dificil de achar um bom e barato hotel. Depois correr para um cafe para comer alguma coisa, aproveitando o movimento do final de tarde.

Paisagem

Queda de barreira

Bahir Dar
Dormimos cedo porque o dia seguinte seria longo. Saimos para pesquisar os precos dos barcos que levam ate os monasterios do lago. Como variavam bastante nao fechamos nada, mas pelo menos ja tinhamos uma ideia. Pegamos uma vam ate Tis Abay, onde fica uma cachoeira no chamado Blue Nile. A cachoeira nao e muito longe da pequena vila, e e claro que fomos acompanhados por dezenas de criancas que nos cercaram. A cachoeira é bonita, mas muito menor que a que aparece na nota de 1 birr. Isto acontece porque criaram uma barragem, e as quedas foram desviadas. Hoje so 20% das quedas ainda existem.

No caminho da cachoeira

Blue Nile falls
No retorno tivemos que esperar um bom tempo ate aparecer um onibus. Um cara ofereceu ajuda, falou que trabalhava para o onibus. Quando abriu a porta, a fila desapareceu, e todos se empurravam para entrar no onibus. Nao tive outra opcao a nao ser entrar na briga. Depois de muito empurra empurra consegui entrar. Quando vi, la estava o cara sentado, guardando lugar para gente. Como nada é de graca queria vender o lugar. Falamos que iriamos de pe, ele nao gostou muito, mas acabou que nao tivemos que pagar.
De volta a Bahir Dar acertamos o barco com uma das pessoas que pegamos o telefone. Conseguimos um bom preco, depois de muita pechincha. Insistiram que pagassemos antecipado. Nao gostamos muito da historia, mas acabamos pagando metade. Dia seguinte esta pessoa que acertamos tudo liga dizendo que nao vai poder nos buscar no hotel, mas para irmos ate o Ghion Hotel. Falou que era para pagarmos a diferenca la, o quanto eles pedissem. Nao estava cheirando bem. Insistimos para que alguem fosse nos buscar, mas como demoraram acabamos indo no hotel. Falaram que nao conheciam o cara que vendeu o passeio, que deveriamos chamar a policia e tal. Parecia meio armacao. Chamamos a policia, fomos dar queixa e tudo parecia ainda mais estranho. Quando falamos que queriamos dar uma queixa oficial, so nos passaram um sulfite em branco. Logo depois o Hotel nos ofereceu o passeio de graca. Acho que nao imaginavam que iriamos levar o caso adiante.
Junto foi um espanhol, alem de um Servio e um polones Rastafaris. Visitamos algumas pequenas ilhas, onde estao os monasterios da igreja ortodoxa etiope. Existem dezenas deles, mas ja faz tempo que aprendi que nao da para ver tudo. Em cada ilha o monge nos recepcionava e nos mostrava as gravuras, cruzes e contava a historia do lugar. Sao relativamente simples, mas de uma grande riqueza cultural. Pinturas mostravam um Jesus negro, bem mais realistas, pela regiao onde ele nesceu. Lugar de muita paz, e excelente para reflexao.

Dentro do monasterio

Detalhes

pinturas
O Servio que estava com a gente é musico e tocou algumas musicas com o Soufly (Max ExSepultura), e como é rasta perguntei se conhecia alguma banda de Reggae do Brasil. Ele rapidamente respondeu, conheci o pessoal do Djambi num festival na Servia. Porra, Djambi, de Curitiba, que tantas vezes escutei na ilha do mel. Caí na risada. O mundo é pequeno mesmo.
Esta regiao onde viviam os Judeus etiopes. Algumas familias ainda permanecem. Israel “resgatou” milhares de pessoas em duas gigantescas operacoes. A primeira foi em 1984, e foi chamada Operacao Moises. O governo comunista nao autorizou a saida dos judeus etiopes (chamados de Falashas) do pais, e Israel fez um plano de fuga onde milhares de pessoas foram caminhando ate o Sudao, e de la levadas para Israel. Em 1991 teve a operacao Salomao. Desta vez o governo queria que israel pagasse pelos Falashas. Mais milhares de pessoas foram levadas para Israel numa operacao noturna, desta vez utilizando avioes, saindo da Etiopia. Parentes do meu anfitriao de Addis sairam da Etiopia desta forma.
Voltando resolvemos levar o caso do dinheiro adiante. Tinhamos pagado muito menos que todo mundo, mas para complicar a vida do “fugitivo” falamos que tinhamos pagado tudo (que era menos que muitas pessoas pagaram). Soubemos pelo espanhol que ele comprara da mesma pessoa, que deu confusao tambem, e que encontrou este cara no Ghion hotel. Era tudo armacao. Fomos na policia do turista e demos uma queixa, desta forma foi possivel pegar uma van para Gonder tranquilamente, sem que alguem questionasse que nao pagamos.
A viagem ate Gonder foi rapida, poucas horas. La tivemos mais dificuldade de achar um hotel bom e barato. Optamos pelo barato. Tivemos dificuldade para escolher entre um dos excelentes Cafes. As ruas estava cheias, alias os etiopes adoram sair. Nao nos prorrogamos muito pois o proximo dia seria longo.
Gonder ja foi a capital da Etiopia. Seus castelos, devidamente murados eram o centro politico do pais no seculo 17. O principal castelo fica bem no meio da cidade. Muito bonito e imponente. Está clara a influencia que a Etiopia recebia de outros continentes, este tipo de construcao era muito avancada para a epoca. Um pouco mais afastada fica uma “piscina” gigantesca onde milhares de pessoas eram batizadas ao mesmo tempo. Visitamos tambem uma igreja Ortodoxa que fica no topo de uma montanha. Estava tento missa entao nao pudemos entrar, mas foi legal ver a movimentacao do lugar. A Igreja Ortodoxa transmite suas missas com um autofalante, assim como as mesquitas costumam fazer. Caminhando pelos castelos ao lado da igreja, passei por um enxame de abelhas, e uma me picou. Me estapeava para tirar as outras que ficaram presas na minha camiseta quando um senhor se aproximou, ele falou para eu esfregar a picada, colocar o dedo no nariz e passar na picada novamente. E a simpatia deles. Nao sei se funciona, pois inchou, mas vai que seria pior se eu nao tivesse feito…haha

Castelo de Gonder

Mais castelos

Ruinas proximas da igreja

Igreja Ortodoxa
Final de tarde tinha lugar marcado. Cafe de um hotel no topo da montanha mais alta, com vista para os castelos.

Vista panoramica de Gonder
Esta escrito que demora 2 dias de Gonder ate Axum demoraria 2 dias de onibus. Em vez de irmos para a rodoviaria fomos para o estacionamento de caminhoes. Tivemos que arranjar um interprete, pois todos os motoristas so falavam Amaharic. Combinamos de sair cedo, so nos dois e o motorista na cabine. O ajudante iria na cama atras da cabine. Tudo certo para a viagem direta até Axum.
Feliz 2002!!!
Setembro 13, 2009
Em 2002 eu trabalhava numa cidade no interior do Parana (15.000 habitantes, contando a regiao rural). Ate eu assumir a gerencia, trabalhava em turnos. Lembro que no ano novo iniciaria a trabalhar as 6 da manha, portanto tinha que acordar 5 e pouco. Foi um ano novo muito sem graca. Por sorte meu amigo Nilceu passou la e me levou ate o calcadao, onde olhei meia duzia de fogos e fui dormir. Como fui um bom menino, Deus resolveu me dar outra chance. Cheguei em Addis Ababa no dia 10 de Setembro, um dia antes do ano novo Etiope. A Etiopia segue o calendario da Igreja Ortodoxa, portanto entrariamos no ano 2002!!!

No dia seguinte as criancas continuavam cantando nas ruas
O Guru trabalhou com uma Etiope na California, que indicou um amigo para nos hospedar. O nome dele é Samuel. Ele morou 12 anos nos EUA, onde fez faculdade e 3 mestrados em faculdades de ponta. Voltou recentemente para a Etiopia para iniciar negocios e expandir para outros paises africanos. Nos recebeu super bem, e logo nos sentimos em casa. Fomos conhecer seu escritorio, ja emendamos com happy hour, ate a comemoracao do ano novo em um Hotel. Tive contato com muitos Etiopes que moraram nos EUA e retornaram depois de terem se formado em grandes universidades americanas. Economistas, Cientistas Politicos, pessoas ligadas a computacao… Muitos filhos de ex ministros, prefeitos, mas outros que cresceram na vida quando tiveram oportunidade de crescer. Foram longas conversas, que se estenderam pelos proximos dias que ficamos em Addis.

Samuel e Mimi
O ano novo daqui nao é nada parecido com o de Copacabana. E bem simples, com algumas fogueiras de palha, musica e muita alegria. Tinham algumas pessoas nas ruas, andando para cima e para baixo, mas as comemoracoes sao mais em lugares fechados. Espalham um capim pelo chao, alem de uma decoracao simples. Nao conseguimos estender muito noite a dentro, coisa comum, pois estavamos quebrados da longa viagem ate aqui. Nao teve problema, pois a vida social continuou por mais alguns dias, eles inclusive nao deixavam a gente sair de Addis rumo ao norte, pois sempre falavam que tinha uma atividade que tinhamos que participar. Foram muitos jantares, almocos, encontros em lugares bacanas, como o bar do Sheraton. Tive que emprestar roupa, pois nao viajo com “roupas bonitas” hehe.
Em uma das conversas surgiu ate uma oportunidade para eu trabalhar por aqui, mas acho que esta cedo para eu retornar da minha aposentadoria…hehe
Durante o dia, entre os encontros sociais, deu para rodar um pouco pela cidade, que é um canteiro de obras. Construcoes por todos os lados. Algumas regioes com avenidas largas, estruturadas mostram um lado desenvolvido, outras regioes mais sujas, com seus taxis “Lada” mostram o lado B. O que chamou atencao é a quantidade de Cafes que existem na cidade. Cada quadra tem diversos, e a populacao local frequenta sempre. Acho que é a cidade do mundo com maior concentracao de cafes. Alias, o cafe etiope e de excelente qualidade. Com tantas opcoes, passamos algumas horas nestas cafeterias, que sempre servem boa comida tambem.
Experiencia muito rica, nao por estar com a elite de um país, mas pelo que eles pensam, pela vontade de construir, de mudar, de transformar. Foi praticamente um seminario, onde cada roda tinha um topico diferente.
O longo caminho de Nairobi para Addis Ababa
Setembro 10, 2009
Tudo ja estava agilizado entao saimos so 3 horas antes do horario marcado com o motorista do caminhao. O Matatu demorou bastante, ate mandamos mensagem para o motorista para garantir. Acabamos chegando quinze para as quatro da tarde, pouco antes do combinado. O bairro em questao é Isisi, bairro Somali de Nairobi. Chegando la nos avisaram que teriamos que esperar. Depois de um tempo nos falaram que nao teria mais caminhao, mas teria onibus. O caminhao iria muito mais rapido que o onibus, portanto insistimos sem sucesso. Nos colocaram numa sala, e falaram para esperarmos la. Estranhamos e depois de um tempo saimos para dar uma olhada. Descobrimos que tinha sim um caminhao indo ate Moyale (fronteira). Falamos que so iriamos com o caminhao. Nos mudamos para a frente de um bar e ficamos esperando mais um bom tempo. Depois vieram nos falar que era impossivel irmos de caminhao, que eles tinham decididoque iriamos de onibus. Nem adiantou o motorista do caminhao tentar nos ajudar, pois ELES tinham decidido, parecia piada. Pior que o Guru ja tinha pago tudo para garantir o lugar.
Pra piorar era Ramadam, e ninguem vendia comida. Como aqui praticamente so tem Somalis, levam muito a serio. Pra resumir realmente tinha um onibus, e que surpreendentemente nao ia ate Isalo, e sim ate Moyale, na fronteira. Estes onibus sao raros, e normalmente tem que se fazer a viagem em etapas.
Depois de comermos, seguimos ate o onibus que era praticamente um onibus de linha e nao de longa distancia. Milhares de malas, sacolas, caixas no topo, mas levei minha mochila comigo. As 21 hs estavamos saindo, e fui deitado pois sobrara espaco. A alegria nao durou muito. Chegando em Isalo, no inicio da madrugada, o onibus ficou super lotado, inclusive com caixas e bugigangas no corredor. Se olharem no mapa, Isalo nao é longe de Nairobi, tem muito Quenia pela frente, mas é a ultima cidade “estruturada” (na verdade so tem o basico do basico). Dois segurancas devidamente armados subiram no onibus e passaram a nos acompanhar ate a fronteira. Ja faz tempo que nao existem problemas nesta regiao, mas as empresas de onibus parecem se precaver.
Viajamos por horas e horas no meio do nada. O unico animal comum aqui e o dik-dik, o menor antilope do mundo, do tamanho de um pequeno cachorro. Paramos poucas vezes, e os locais eram aglomerados de casas, mal da para chamar de vila. Numa das paradas um senhor de idade bastante avancada se aproximou de mim. Era o homem santo da regiao. Pegou na minha mao, cuspiu levemente e esfregou. Depois passou a mao no meu braco e rosto e me abencoou. Um Queniano traduzia o que ele falava. Falou que homem branco tinha que ser abencoado para passar por aquelas terras, e que eu era uma pessoa do bem. Ele disse que nunca se enganara, e que eu deveria levar a paz comigo… Muito bacana!
A Paisagem ja estava bastante desertica ate chegarmos em Marsabit. Pequena regiao onde existe um parque nacional. Na bera da estrada pudemos ver alguns animais, dentre eles uma manada de elefantes. A paisagem continuou desertica depois deste “oasis” que é Marsabit. Pudemos ver varias crateras de vulcoes, que estao espalhadas por esta regiao. Os Dik-dik foram ficando mais raros, e depois de um tempo so dava para ver alguns camelos, criados por algumas tribos que moram na regiao. Incrivel que por mais inospita que seja a regiao, sempre tem alguem se adaptando e sobrevivendo.
Horas e horas de Dida Galgalu, o deserto de pedra, exatamente 26 hs depois de sairmos de Nairobi, nos chegamos a Moyale, na fronteira. Procurar um hotel nao foi dificil, pq so existem 3 opcoes. Nem percebi que o banho era frio e de balde, de tanto que estava precisando. Cheguei ate a levar baldes extras para aproveitar bem.

Deserto Dida Galgalu
Dia seguinte cedo trocamos o restante do dinheiro e atravessamos a fronteira. Do lado da Etiopia o oficial resmungou que eu tinha um carimbo em cima do visto (na verdade nao cobria nada). Falou que eu nao podia entrar, que teria que voltar e tal. Sabia que ele nao podia estar falando serio, mas fiquei preocupado se ele queria uma grana para me liberar. Final das contas so na conversa ele acabou me liberando. O segundo problema que emfrentamos é que a imigracao so abre as 8 hs, e o onibus sai as 6. Nao poderiamos ficar um dia inteiro de bobeira la, entao fomos logo descobrindo onde era a parada dos caminhoes para arranjar uma carona. Nao demorou muito e descobrimos um que estava indo direto ate Addis Ababa. Melhor que o onibus, que pararia na metade do caminho. Apos negociarmos tivemos que aguardar carregarem o caminha e partimos. Ao contrario do lado do Quenia, onde as estradas sao de terra, no lado da Etiopia sao todas asfaltadas. Aquelas retas interminaveis, inicialmente toda plana, mas depois comecou a surgir um relevo. Paramos umas 2 vezes para carregar carvao de umas comunidades que vivem proximas da estrada, e depois foi meio direto. Na cabine estava eu, Guru, Motorista e um auxiliar. Meio apertado, mas dava para cochilar e eles eram gente boa. Foram mascando Qat do inicio ao final da viagem (igual ao Mira que comentamos em Lamu). Ate experimentei, por uns 5 min, mas é muito ruim. Para fazer efeito tem que mascar por horas. Com certeza vale mais a pena tomar um cafezao ou um Red Bull!! De qualquer forma era bom, pois o motorista ia dirigir a noite toda.

Carona na Etiopia
Jantamos uma gostosa macarronada, herança dos italianos que ocuparam a Etiopia no periodo da Segunda Guerra, mas logo continuamos. Ja de noite vimos uma pessoa andando no acostamento, de repente ela sumiu. Era um bebado, que caiu numa valeta. Na mesma vila vimos outro cara dormindo no meio da estrada. Pelo jeito o pessoal gosta de um “gole” aqui…

Na Boleia
Dormimos pouco, pois prefirimos fazer companhia para o motorista, para que ele nao dormisse. Passamo por Shashemene, regiao dos Rastafaris. Alias, a religiao Rastafari iniciou na Jamaica, mas adorando um Rei Etiope. Ras= Rei Ta Faris (vejam a musica get up stand up, do Bob Marley). Foram muito influenciados pelo fato da Etiopia ter sempre sido uma nacao independente, nunca foi colonizada (existem outras crencas, que o rei fez chover, mas ele nao gostou muito da historia). Ela foi ocupada pelos Italianos na guerra, mas a Franca tambem foi ocupada pelos alemaes, nao foi?! No final do seculo 19 a Italia tambem tentou ocupar a Etiopia, mas perdeu a guerra. A Etiopia sempre foi uma nacao com grande potencial, altas taxas de crescimento ate os anos 70, quando iniciou um regime comunista que acabou com o pais.
No outro dia pela manha chegamos em Addis Ababa, capital da Etiopia. Uma grande metropole, uma das maiores da Africa. As placas em Amaharic, lingua que falam aqui (escrita parece arabe) dao um charme para o local. Pastores levavam suas ovelhas no meio das ruas. Logo vimos que a Etiopia tinha um estilo proprio, diferente de tudo que vimos na Africa.
Nairobi / Extreme Makover 2
Setembro 7, 2009
A um tempo atras descobri que tinha um cara (nome dele é Guru) fazendo um roteiro pela africa nao muito diferente do meu, e que inclusive ficara na casa da mesma pessoa no Burundi e conhecera outras pessoas em comum. Acabamos entrando em contato e combinamos de ir para a Etiopia juntos. Depois dele visitar a vo do Obama, ficou uma semana em Nairobi me esperando, fazendo couchsurfing num suburbio. Neste meio tempo ele ja agilizou um caminhao para irmos ate a Ethiopia. Teria que esperar 2 dias em Nairobi, e a familia fez questao que eu ficasse la tambem. O Guru e Indiano, radicado nos EUA. Ja esta viajando ha 2 anos, e pretende viajar mais 2. O Samuel, anfitriao, foi inclusive me buscar no aeroporto.
Curti Nairobi de uma forma diferente. Sempre iamos para o centro para fazer coisas praticas, mas passamos muito tempo dentro dos Matatus. Matatus daqueles originais, escuros dentro, com luzes piscando, telao com videoclip. A casa dele ficava em Kayolo, suburbio ao leste de Nairobi, a duas horas do centro. Casa simples, com banheiro fora, comunitario para varias casas. Chao de terra. Casa com 2 quartos, sala e cozinha. Nao tinha agua encanada, mas bem cuidadinha e com simples decoracoes. Me chamou atencao que um miolo de rolo de papel higienico era utilizado para deixar a cortina aberta. Fiquei num quarto com cama, mas ele nao tinha janelas, so uma telha transparente para entrar luminosidade. Eles adoram ver filmes. O Samuel falou que queria ver alguns filmes de noite. Na minha cabeca passaríamos numa locadora, certo?! Nao, passa num camelo e compra, e tao baratinho. Nem existe aluguel. Outro dia resolvemos ir para Westlands, area rica de Nairobi. Fomos num shoping e depois almocar num restaurante indiano que é considerado o melhor da Africa. Muito bom.
Um final de tarde estavamos voltando para casa e o transito estava infernal. O Matatu que estavamos ia pela calçada so para ganhar poucos metros. Um bom tempo depois chegamos a um acidente. Para controlar o transito, um policial, ou seguranca particular, empunhava uma AK47 em uma mao e um chicote na outra. Na India ja tinha visto policiais distribuirem varetadas, mas um super chicote destes foi novidade para mim.
A familia que nos hospedou era super simples, mas faziam questao de nos servir comida todas as refeicioes, e tentar aprender sobre os nossos paises e cultura em geral. Foi uma super experiencia, com pessoas maravilhosas.

Kayole/Nairobi
Nao cortava meu cabelo desde que cheguei na Africa, entao resolvi fazer outro extrem makeover. Querendo ou nao, este é o corte local. O pessoal na barbearia, que ficava perto da casa do Samuel, se divertiu um monte.

Ainda com cabelo

Careca
Despedida
Setembro 5, 2009
Ok, tinhamos que voltar para Tana. Uma esticada de um dia inteiro de viagem. Chegariamos tarde, mesmo se acordassemos cedo. Tinha que pegar barco, passar no caixa automatico para sacar dinheiro e percorrer a bela estrada novamente. O dia voou, nem sentimos que estavamos viajando tanto, porem so ate escurecer. Depois, sem poder ver a paisagem, so dormindo, o que era impossivel com tantas curvas.

Nos sentimos em casa

Barco

Menina na escada

Canion

Criancada

Madagascar rural

Madagascar Urbano

Pela janela
Resumindo a historia, como fizemos as devidas paradas para as refeicoes, e nos enrolamos para sair, chegamos em Tana so as 4 da manha. Depois de tanto viajar resolvemos ficar em outro hotel, mas procurar a esta hora era loucura. Fomos num que eu tinha visto, mas era so um pouco melhor e muito mais caro. Resolvemos arriscar um com cara de caro, que de fora nao parecia nada de mais. Entramos e na hora vimos que este era nosso descanso merecido. Hotel boutique, todo descolado, com decoracao asiatica, e para nossa sorte tudo na metade do preco!!! Quase nao acreditamos, e ao ficar mais uma noite, vimos que cobraram so uma diaria, pois segundo eles tinhamos chegado cedo…
Aproveitamos para conhecer Tana melhor. Tem uma regiao cheia de joalherias, e nao muito longe ficam as galerias de arte, cafes, e lojas que fizeram a Bibi querer comprar tudo. Ha, tinham bolangeries bacanas onde dava para tomar um café e um sorvete. De noite rolou um jantar de despedida com a tchurma, e tava muito legal.
Mas nao tinhamos visto os Indri ainda, o maior dos Lemurs, entao outro dia cedo fomos para o parque de Antasibe ao leste de Tana. Fica na floresta tropical, e logo dava para ver porque em ingles chamam Rain Forest. O tempo ficou meio fechado, chuviscando, e apesar de nao ser tao longe de Tana, demorou para chegar de tantas curvas e sobe e desce.
Na entrada do parque tomamos café da manha, e ja vimos uns lemurs ali mesmo, praticamente fora do parque. Iniciamos a caminhada por uma trilha que estava molhada e escorregadia. Logo avisaram nosso guia onde estava uma familia de Lemur, e fomos direto ao encontro deles. Ja estavamos satisfeitos com tantos lemurs que haviamos visto, e ainda por cima tao de perto, mas os Indri nos surpreenderam. Sao grandes (quase um metro) e sem cauda. Estes sim parecem nossos primos. Eles dao uns pulos muito longe de uma arvore para outra. Muito legal, ficamos um bom tempo com eles, e tambem pudemos observar de perto. Valeu muito a pena ter vindo!!

Indri

Casal
Resolvemos passer os ultimos dias ainda mais ao leste, em Ankanin Nofi, que faz parte de uma serie de canais que segue paralelamente ao mar. Era o destino ideal para quem buscava tranquilidade, e ainda mais a Bibi que estaria voltando para o Brasil enquanto eu seguiria viagem. Para chegar em Manambato, onde pegariamos um barco para o hotel, tivemos que percorrer a parte final do trajeto em estrada de terra. Chegando la tivemos problemas em conseguir um barco e lugar num hotel. Descobrimos que tudo nesta regiao funciona com pacotes. Tivemos que dormir nesta praia mesmo, para so ir no dia seguinte. Na outra manha o tempo tava ruim, e pensamos ate em voltar para Tana. Nao deu certo, pois o barco depois de ter atrasado, chegou. Ja que tinhamos que ir, resolvemos almocar la, ver se era tudo aquilo que diziam, e se nao gostassemos voltariamos no mesmo dia e emendariamos a estrada ate Tana. O tempo continuava ruim, chegamos na pousada que fica numa pequena praia e eramos os unicos hospedes. Falamos que nao sabiamos se ficariamos, mas fomos bem recepcionados com drinks de boas vindas. Nem precisou chegar a cerveja que pedi, para a Bibi ficar meio tonta. Ficamos curtindo, batendo papo, almocamos, quando o tempo comecou a abrir e tudo mudou. Que diferenca faz o sol!!! Decidimos ficar, curtimos uma praia e depois voltamos para nossa cadeira espreguicadeira com uma super vista. Nao e que de repente algo pula numa mesa ao lado. Nos assustamos e logo vimos que era um pequeno lemur, que em seguida pulou no parapeito a nossa frente e em seguida no colo da Bibi. Ficamos meio sem saber o que fazer, se era domesticadado ou o que, quando ele comecou a lamber o dedo da Bibi. Ficou um tempo ali, e saiu pulando para as arvores. No jantar muito camarao e sossego. Ficamos curtindo aquela praia so para nos, mas logo tinhamos que voltar para Tana.

Bibi com a nova amiguinha
Pegamos barco e depois a estrada, que foi mais demorada que imaginavamos. Chegamos em Tana e nao quisemos fazer muita coisa, pois no dia seguinte ja pegariamos o voo. De noite fomos jantar e resolvemos ficar no bar do hotel pra curtir um pouco. Tava rolando uma festinha que logo fomos convidados para participar. Era dos donos do hotel, que foram com nossa cara e resolveram pagar as bebidas. Isto que e despedida!! Ficamos batendo papo com eles e depois sozinhos.
Na manha que pegariamos o voo, acordamos dancando e cantando, coisa que era meio comum quando tinhamos som- pareciamos 2 sem nocao. No embarque tudo certo, so um contratempo na hora de trocar dinheiro. Chegando em Nairobi fiquei com a Bibi ate ela embarcar para Dar. Ja tinha sido dificil me despedir dela no Brasil, mas agora, da nova Bibi foi pior ainda…
A Praia
Agosto 31, 2009
Vi o filme “A praia”, a muito tempo atras. Quando fui para a Tailandia em 2004 vi mais umas 10 vezes, pois como o filme se passa la, muitos restaurantes exibem o filme continuamente. La li o livro, que e muito legal, tem algumas historias que nao estao no filme. Me deram o livro, depois que eu li tinha que colocar o nome e passar para frente. Estou fazendo o mesmo com os livros que leio aqui. O filme tem algumas partes meio doideira demais, mas no geral mostra bem a comunidade de viajantes, que vai fazendo amizades, curtindo e tentando descobrir novos lugares fantasticos inexplorados, o famoso ” Universo Paralelo”.
Quando chegamos a Touliar ja tinhamos decidido que iriamos pegar o barco e ir para o sul em vez de seguir por estrada para o norte. Anakao parecia mais atrativa, devido ao meio isolamento. Por estradas demorava quase um dia de viajem, apesar da pouca distancia. De barco nao mais que uma hora. Ao chegarmos no local onde pegariamos o barco, ja estavam nos esperando.Colocamos as bagagens numa carroca de boi e fomos numa outra. Os carros de boi nos levaram ate o pequeno barco que nao estava longe. Contornamos um pequeno porto antes de seguir paralelamente a praia ate chegar em Anakao. Passamos por aguas rasas e deu para sentir o que nos esperava, pois a agua era impressionantemente azul. Em algumas barreiras de coral dava para ver que teria onda, e com boa formacao. O barco parou bem no meio da bela praia. Um frances veio oferecer um chale mas fomos conferir a pousada indicada pelo pessoal do barco. Pousada bacana, meio isolada, mas estruturada. Resolvemos procurar outra para comparar custo beneficio, alem de conhecer a do frances. Mochilas nas costas e caminhada pela areia. Eu e o Gaku fomos na frente para dar uma olhada. A pousado do frances sao so dois chales e um estava ocupado. O nosso teria 2 quartos e era de frente para a praia. O restaurante era um pouco mais para cima, com uma vista fantastica. La era a casa do frances e sua nova familia malagaci. Ja engatamos num papo na varanda e logo nos sentiamos em casa. Caminhamos para conhecer a pequena vila que nao e tao atraente, mas possui varios restaurantesinhos e todos aqueles barcos coloridos. Tentamos achar outra pousada pois na nossa so tinha um banheiro e portas cortina, mas nenhuma tinha o custo beneficio da nossa (existem pouquíssimas opcoes). Toda hora ofereciam lagosta, por precos que quase nao acreditavamos. Fiquei sabendo que tinha um barco com sulafricanos que vieram so para pegar onda, entao ja tratei de arranjar uma prancha para alugar para o dia seguinte. Na verdade fechei com um barco para surfar enquanto a Bibi e o resto do pessoal iam ver umas baleias. Depois todos iriamos para Nosi Ve pegar praia, comer lagosta e mergulhar.

Carro de boi

Cores
Voltamos para a pousada e decobrimos que a comida era maravilhosa. Isto fez com que nem comessemos em outros lugares, apesar da pousada ser mais cara. O lugar era simplesmente demais.
O pessoal decidiu que iria ver as baleias e ir para a ilha em outro dia, entao eu acordei que so eu que iria, e so para surfar. O barqueiro falava frances quase que nem eu (nada!) e acabou dando uma confusao. Por sorte o dono da pousada tava junto e viu o final do acordo.Tinha combinado de sair as 6 hs, e 5 e pouco ja tava tomando cafe e preparado. Tava ventando, o que eu queria evitar ao acordar cedo. No horizonte se formava um arco iris, e uma tempestade. O cara demorou um monte e quando chegou queria que todo mundo fosse, se nao nao ia. Fiquei puto, e depois de descutir um monte acabei acertando com um amigo dele. Nao teria como convencer o pessoal de ir na chuva. Sai, de bermuda, camiseta, capa de chuva,e prancha. Era uma canoa com motor, com aqueles apoios laterais para dar estabilidade. Fomos indo mar a dentro em direcao a barreira de coral onde as ondas se formam. Nao demorou muito para eu ver o barco dos sulafricanos do lado de uma espumeira branca, mas estava muito longe para ver as condicoes. Chovia relativamente bastante, e o mar tava meio baguncado. So quando chegamos mais perto que vi que realmente tinha onda. Deu aquele friozinho gostoso na barriga. Passei a jaqueta para o barqueiro e me joguei na agua. Estava do lado de onde estava quebrando as ondas, e logo a corrente me jogou para traz. Vi que seria “remadeira. E foi, nao dava para parar de remar, se nao ficava de fora do ” pico”. Tinham 6 sulafricanos, mas para minha sorte nao mais que 3 ao mesmo tempo na agua. A chuva foi diminuindo ate parar. O vento demorou um pouco mais, mas logo parou e o tempo abriu. Logo as ondas tomaram formas perfeitas e um tamenho consideravel. Foram horas de excelentes ondas, dividindo somente com 2 ou tres outras pessoas. No inicio fui meio devagar, pois o coral nao e muito fundo. Tambem tentava nao lembrar que as aguas de Madagascar sao infestadas de tubaroes. Nunca teve ataque, mas vai que mudam a dieta bem quando eu to ali. Nao posso dizer que peguei muita onda. Devido a remadeira cansei rapido. Achei que minha performace seria melhor, devido a qualidade das ondas, mas deu para curtir bastante. Ultima vez que tinha surfado foi em Coffe Baii, na Africa do Sul. La tambem tinha tido sorte, pois tinha onda e tava tendo WQS (campeonato mundial seg div) em Durban, e dividi as ondas so com um australiano.

Esperando o barco com este visual

Crawde em Anakao

Muita onda, pouca gente!
Voltei para a pousada tarde, com aquele sorrisao na cara, quando o braco ja nao respondia, e estava sozinho na agua. Deu tempo comer alguma coisa e ficar largado de frente para a praia com a Bibi. Criancas nos cercaram para vender de tudo. Como nao compramos nada, resolvaram cantar para pedir dinheiro. Percebemos a malandragem, e cada musica que cantavam, nos cantávamos de volta. Final das contas nos divertimos, mas nem deu para conversar ou ler. No jantar tinhamos encomendado lagosta. O prato tava delicioso e tinha “só” tres lagostas para cada um. Ficamos conversando, tomando uma cerveja e jogando.
Outro dia pegamos uma canoa/jangada. Nao era com motor e sim com vela, mas um sistema diferente das Dhow do Leste da africa. Fomos ate a pequena ilha que fica logo a frente de Anakao, Nosy Ve. Na chegada na ilha nem falavamos, de tao hipnotizados que estavamos com o vizual. Que praia!!

Chegando em Nosy Ve
E uma ilha sagrada, portanto nao tem construcoes. A Bibi e a Koku ficaram tomando sol e eu e o Gaku fomos dar a volta na ilha. Algumas especies endemicas de passaros e praias paradicas. Dificil de saber qual o lado mais bonito da ilha. No mais so ficar largado e curtir a praia, onde so tinhamos nos. Chato, ne?! O lugar e tao bonito que a gente fica ate meio bobo. Encontramos o espanhol que tava na mesma pousada que agente. Ele foi ver as baleias com uma fracesa e ela teve que voltar, ele ficou para ir com a gente.

Praia de fora

Praia de dentro
Na volta ventou muito. A Bibi foi quem mais se molhou. tivemos que fazer uma triangulacao para conseguir pegar o vento proprio para voltar, e quando isto aconteceu decolamos. Chegando tomamos banho e fomos para um barzinho na vila, para fazer a nossa despedida da praia.
Anakao nao e “A Praia”, ja ta “popular” demais para isto, mas curtimos o nosso ” Universo Paralelo” la.
Ps- Depois acabamos sabendo de uma praia, bem mais longe, isolada, e bonita que Anakao. Falaram que deixa Anakao no chinelo. Nao tivemos tempo de ir (so soubemos quando estavamos em Tana), mas se algum se habilitar estamos vendendo o Mapa!!
Mad 2
Agosto 27, 2009
Seguindo estrada a paisagem foi ficando mais desertica. Uma fileira de baobas apareceu e o cenario se transformou. Ficava cada vez mais desertico. Dificil de imaginar que a floresta tropical tava relativamente perto. A Bibi nao estava se sentindo bem desde manha. Estavamos em duvida se era a alimentacao, gripe ou algum outro problema. Reclamava de dores de cabeca, no corpo, indisposicao. Fiquei com medo que ela tivesse com malaria, mas nao falei para nao assustar. Chegando em Ranahira vi o primeiro bom hotel e nem pensamos em procurar outro. A Bibi nem desceu do carro, e num momento de desespero comecou a chorar. Quem ficou desesperado fui eu, mas como nao ia adiantar em nada ja fomos perguntando onde era o hospital, para fazer o teste de malaria e se consultar. Nada de hospital. PQP! Bem, vamos para uma farmacia. Tava fechada mas tratamos de acordar a responsavel. Consulta basica, nao nos disse para tomar nada que nao tinhamos no nosso kit de primeiro socorros. Ah, para garantir ela ja tomou as tres pilulas anti-malaria. Depois de repouso, sopa e medicamento fomos ver que deve ter sido uma infeccao alimentar. Melhorou so com antibiotico.

Estrada

Arvore simbolo
A cidade e pequena, e na rua ficam dezenas, nao, centenas de pessoas esperando turistas. Sao guias, desesperados por trabalho, que tentam te ajudar de qualquer maneira na tua chegada para que ele seja o escolhido. Aparentemente nao tem muitas atividades/alternativas para tanta gente desempregada com o baixo turismo.
Como nao da para fazer tudo ao mesmo tempo e nem queriamos fazer varias atividades correndo, tivemos que selecionar algumas (o parque de Isalo e bem grande). As condicoes fisicas da Bibi nos ajudaram a tomar as decisoes mais rapidamente, tendo em vista que muitas delas exigiam longas caminhadas. Aqui tem um grande canion, e caminhamos ate proximo das paredes destes para ver uma familia de Lemurs. Nao tivemos muita dificuldade para localiza-los. Muito bonitos, estavam relativamente proximos, mas nao muito ativos. Ficamos observando esta que era a 4 especie de lemurs que viamos. Depois caminhamos entre o canion, onde o deserto arido se transformava num local umido e mais fresco, devido a abundante vegetacao. Muito bonito o lugar.

Nova especie de Lemur

Canion
Fomos almocar na cidade e a Bibi trocou a sopa da noite anterior por batatas cozidas. O fato de estar com apetite ja era um bom sinal. Fomos numa cachoeira do outro dado do parque. Caminhada gostosa, e uma linda cachoeira com um poco de agua transparente e geladissima. A Koku e o Gaku entraram, e eu tava sem bermuda de agua. Como nao dava para perder uma oportunidade destas, fui de cueca mesmo, detalhe que era branca…haha! Agua muito, mas muito gelada. So nadando ate a queda para tomar um banho de “ducha” para esquentar. Voltamos em ritmo acelerado para poder pegar o por de sol em outra regiao. No caminho fomos surpreendidos por um grupo muito grande de Lemurs, muito maior que o habitual. Eles passaram por nos sem cerimonia, e fomos os acompanhando. Estavamos com sorte com os Lemurs!!

Uh, sai da frente...

Cachoeira
Pegamos o carro e seguimos para o ponto recomendado para o por de sol. Chegamos na hora exata. Pena nao estarmos la antes, para poder curtir um pouco mais. Foi um momento muito legal, com uma super energia. Todas aquelas formacoes rochosas, com aquela luz. Acho que era o que a Bibi precisava para se recuperar completamente.

Visual

Energia
Dia seguinte mais estrada, sentido Touliar, ja na praia.
Madagascar, pegando a estrada.
Agosto 26, 2009
O grupo estava formado e ja cedo o carro nos esperava. Passamos por todas aquelas ruas estreitas de Tana, cheia de vendedores de verduras, artesanato e tudo que tem direito, para seguir sentido a regiao rural. Ainda na parte urbana e possivel observar plantacoes de arroz nos terracos alagados. Nao muito longe apareciam as primeiras confeccoes de tijolos, que eram cuidadosamente feitos artesanalmente. Estrada simples, uma mao da cada lado, sem acostamento, mas com um bom asfalto e relativamente pouco movimento.

Producao manual de tijolos
O visual foi se alterando rapidamente, e o aspecto de cidade desapareceu. A regiao rural tambem e encantadora. Parecia que mergulhavamos no interior da Franca a seculos atras. Rodamos e na primeira parada descobrimos a capital mundial do Foie Gras. Vimos um anuncio e fomos verificar, olhamos para o lado tinha outro, no restaurante da frente tambem vendia, no outro lado tambem. Tivemos direito a degustar antes de comprar um pote de umas 200 gramas. Preco? menos de 10 reais!! Tivemos que enfrentar o “problema” de comer em 3 dias, pois nao estava refrigerado, que dificuldade… La tivemos o primeiro contato com a comida Malagaci, e para acompanhar uma agua de arroz, servida como cha.

Foie Gras
Depois da parada para comer, seguimos pela estrada. A companhia dos japoneses ficava cada vez mais agradavel, e se tinhamos algum receio de como seria o “grupo”, perdemos rapido, e estavamos ficando muito empolgados com os novos amigos.
Nao muito tempo depois chegamos a Antsirabe. Cidade com uma larga avenida principal, toda florida, e com predios historicos. Dezenas de pousse-pousse nos cercaram para oferecer para darmos uma volta. A cidade possui uma bela estacao de trem e um decadente hotel/termas. Fomos num bairro nao muito longe famoso pelo artesanato. Vimos como produzem, acompanhando diversos processos da producao de pecas com chifres de zebu. A regiao era simples mas bem bonita, com sacadas de madeira e toda aquela arquitetura diferente. Em vez de seguir viagem optamos por conhecer 2 lagos da regiao. Meio longe um deles, mas fica ao lado de uma pedreira, e tem uma cor azulada muito bonita. O grande problema e que nao da para respirar, de tantas criancas te pedindo coisas. Sao muito pobres, carentes de dinheiro, de atencao, mas tambem vimos que muitos turistas “estragaram” a regiao dando qualquer coisa para elas, e criando o abito de pedir, te pedem o que voce tiver na mao, independente de se precisao ou nao.

Acabamos chegando tarde em Ambositra, e os japoneses ficaram no primeiro hotel que fomos ver, enquanto eu e a Bibi fomos ver um outro. Gostamos mais da segunda opcao, entao ficamos separados deles. Fomos jantar num restaurante bem bacaninha. O motorista foi junto pois era longe e o tempo tava meio ruim. A comida alem de barata era muita. Tivemos que chamar reforco para conseguir acabar com tudo.
Outro dia mais passeio pela pequena cidade, visitar artesanato e umas lojinhas muito legais. Todo mundo sabe que eu nao sou nada consumista, mas tinham umas coisas em madeira muito legais, com precoes excelentes. Dava vontade de comprar varias coisas, mas so compramos algumas. Fizemos um percurso a pe, passando por lojinhas, ruas e regioes bem interessantes. Muito gostosa a caminhada, mas a criancada continuava perturbando, e se dava atencao era pior ainda.

Pouse-Pousse
Grande parte das cidades que passamos (por menores que fossem) tinham barreira policial. Em uma delas pediram ate a passagem de volta e certificado de vacinacao. Tudo tava em ordem, mas nao e uma sensacao muito agradavel. Passamos a margear uma floresta tropical, mata fechada, e um belo rio com corredeiras e pequenas quedas acompanhavam a estrada, fizemos check in mas ja tava tarde para ir as aguas termais que tem ali perto. Toda a vila gira ao redor do parque nacional. Acabamos conhecendo um irlandes e um casal de italianos que estavam fazendo o mesmo trajeto que nos, mas utilizando o transporte publico. Confesso que fiquei morrendo de inveja quando eles contaram tudo o que eles tinham visto/passado. Todos jantamos juntos e tomamos uma cerveja, mas sem se estender pois o dia comecaria cedo no dia seguinte.

Pela rua

Vegetariano? Sem problemas...
A visita do parque Ramanofama tem que ser cedo, pois os animais sao mais ativos de manha. Estava um pouco preocupado com o trajeto que fariamos, se as 4 horas nao eram um pouco demais para a Bibi. Final das contas e bem light, varias paradas, enrolacoes, nem chega a cancar muito. O trageto feito em trilhas meio enlamacadas e lento, para que ninguem escorregue. O primeiro contato com os Lemurs foi meio decepcionante. Vimos bem de longe, e apesar de parecerem criaturas muito interessantes, pouco dava para ver, pois passavam a maior parte do tempo encolhidos. Depois de caminhar mais encontramos um outro grupo, mas ainda tava longe, e junto tinham outros visitantes do parque que faziam bastante barulho. Algum tempo depois, quando menos esperavamos, encontramos um outro grupo. Este veio em nossa direcao, e nao estavam no topo das arvores e sim descendo. Um parou a menos de um metro de mim, cheguei ate a me assustar. Eles sao muito diferentes de tudo, e ao vermos de perto paramos de tentar comparar com outros animais. Antes tava um tal de falar que era mistura de macaco com gamba com guaxinim… depois vimos que sao so lemurs. Alias a diferenca e grande de uma especie de Lemur para outra. Agora sim estavamos realizados. Ainda fomos ver algumas cobras que deveriam sair para pegar sol mas insistiram em ficar em buracos entre as pedras. Vimos alguns camaleoes alem de diversas plantas endemicas tambem. Poderiamos seguir viagem, mas optamos por ficar mais uma noite ali. Tentamos ir visitar uma vila mais afastada e uns camaleoes gigantes, mas nosso motorista desapareceu. Saimos a pe mesmo pela regiao. Tinha uma musica de fundo que nao identificavamos de onde vinha. Subimos ate uma igreja, que estava vazia. Fomos acompanhando o som que estava mais alto ate chegarmos num pequeno barracao. Criancas ensaiavam uma danca tipica,e depois de observarmos pedimos para tirar fotos. A mulher que estava cuidando falou que so se participassem tambem. La foram a Bibi e a Koku dancar junto. Nao e que se sairam bem. Dancaram um tempo e ganharam ate elogios depois. Muito bacana. E uma danca tipica so desta regiao, e estavam ensaiando para a apresentacao que seria na proxima semana. No jantar, mais um casal de franceses se juntou ao nosso grupo que aumentava cada vez mais.

Ranamofama

Primo!!!!

+ Lemur

Danca

Jantar

Vila de Ramonofamo
Dia seguinte seguimos estrada, e a paisagem parecia ficar cada vez mais bonita. Me perguntava diversas vezes porque alguem prefereria voar que passar por aquelas regioes. Paramos para ver algumas mulheres produzirem fios manualmente e depois tecerem formando lindos cachecois. Em uma bonita loja de fotografias compramos alguns cartoes postais. Na estrada cruzamos com pessoas que levavam imensos rebanhos de Zebu. Aquela cena meio farowest, atravessando rios, subindo colinas. Descobrimos que iriam seguir todo o caminho ate Tana, onde venderiam o gado.

Paisagem

Arroz por todos os lados
Paramos em Ambalavao onde tem uma feira de Zebus todas as quartas. Antes que ir ate o local paramos para comer, e tinha a opcao menu ou buffet. O buffet o preco e por colherada!!! Mas poucos centavos cada. Ruas estreitas, onde praticamente so passavam pedestres. Dava para ver que era um dia especial pois todos estavam na rua, e o comercio a mil. No topo da montanha onde ocorre a feira, o gado fica separado em diferentes grupos, e nem se mexem para nao apanhar. A cidadezinha, a vista e o povo em si davam um charme extra para a atracao.

Zebus

Feira Ambalavao
Madagascar, ir ou nao ir?
Agosto 22, 2009
Sempre quis conhecer Madagascar, mas devido aos incidentes do inicio do ano, onde dezenas, talvez centenas de pessoas morreram, achei que nao seria desta vez. A situacao mudou um pouco. Existe um governo transitorio por golpe de estado, mas muitos paises ainda nao aceitam o novo governo. O presidente deposto vive no exilio e tenta voltar, enquanto um antigo presidente tenta entrar na onda das mudancas e voltar para o poder. As informacoes da Embaixada do Reino Unido nao eram muito animadoras, mas os residentes insistiam que nunca um estrangeiro seria afetado, a nao ser que participasse de alguma manifestacao. As proprias manifestacoes nao estavam mais acontecendo, pois os politicos finalmente sentaram para conversar.
Abaixo as informacoes que o governo do Reino Unido passam para os britanicos viajantes.
There has been political unrest in Madagascar since January 2009, which has resulted in a number of deaths. The political situatiuon remains fluid and subject to unexpected change. For further information plse see the Political Situation and Local Travel sections.
Como confiamos mais nas pessoas que vivem no pais, que nos engravatados que recomendam que e melhor escovar os dentes com agua mineral quando visitar o Brasil, nao tivemos dificuldade em escolher Madagascar quando a Bibi adiou em 2 semanas sua volta para o Brasil.
Madagascar e diferente de tudo. E uma ilha que faz parte da Africa, foi povoada por povos da Malasia e Indonesia e colonizada pela Franca. Esta mistura cultural da um resultado fantastico, e ainda acrescentado por um isolamento geografico de milhares de anos, o que proporcionou uma fauna e flora unica, quase que na sua totalidade endemica. Pais com montanhas, desertos, praias paradisiacas, vilas intocadas. E um destino para agradar qualquer viajante. Desde o turista que so quer sol e agua fresca (junto com otima comida e praia) ate os mais exploradores e aventureiros. Esportistas? Sim, e possivel mergulhar no mar azul, surfar, fazer treking, percorrer o pais de bicicleta…
Os precos tambem variam bastante. Pode se viajar gastando entre 10 e 15 USD por dia (excluindo a passagem ate Madagascar) ou nos super hoteis, que sao carissimos e para poucos (podendo passar dos 1000 USD por dia).
O destino mais famoso e o Norte, muito conhecido pelos europeus (praticamente franceses e italianos) que invadem a ilha de Nosy Be. Confesso que estavamos pensando em iniciar a viajem por la, mas ao comprar um guia no aeroporto, nao precisei passar do primeiro paragrafo da descricao para achar o destino muito “previsivel”. Os estranjeiros usam muito as agencias turisticas, que recomendam voar por causa das longas distancias e estradas ruins. Ruins? Soube que tem ate asfalto… Conversei com a Bibi e mudamos os planos (que planos?). Em vez do norte, iriamos para o sul, passando por alguns parques nacionais e cidades interessantes ate chegar a praia. Transporte? Taxi-brouse, os Daladala/Matatu daqui, que claro que nao sao recomendados pelas agencias, mas que ja estamos bem acostumados.
Chegamos no aeroporto de Antananarivo e tivemos a grata surpresa de que nao precisa mais pagar pelos vistos. Tentativa desesperada de recuperar o turismo que desapareceu este ano devido aos incidentes politicos.
Estava sacando dinheiro num caixa automatico quando um japones veio perguntar se queriamos dividir um taxi ate o centro. Topamos e fomos junto com sua amiga, tambem japonesa. Acabamos indo todos para o hotel que eles iam, e desistimos de ir para o que nos tinhamos escolhido. No aeroporto muitas pessoas ofereceram carros para alugar, e passamos o endereço do hotel para conversarmos mais tarde.
O caminho ate o hotel mexeu comigo. Nunca fiquei tao empolgado ao chegar numa cidade. Talvez meu sentimento na chegada em Katmandu-Nepal e Chiang Mai-Tailandia possa ser comparado, mas naquelas vezes eu vinha do Brasil, o que causava um choque muito maior. O hotel era super simples e super barato. Saimos para caminhar e buscar alguma coisa para comer. Queijos, paes, doces de confeitaria se misturavam com frutas, comidas africanas. A cidade, com seu tom avermelhado, espalhada por colinas com suas construcoes de bela arquitetura. Soube em uma fracao de segundo que estavamos certos de estar ali.

Tana

Bairros

Arquitetura

Taxi
Pegamos algumas coisas para comer e voltamos para o hotel para discutir o plano da viagem, tudo com uma vista magnifica de Tana (apelido da cidade). Os japoneses (que agora eram 3, pois encontraram outra no hotel) mudaram seus planos para ir com a gente. Depois de uma longa negociacao com um dos caras que ofereceram carro no aeroporto, decidimos alugar um carro com motorista. A ausencia de estranjeiros no pais derrubou todos os precos e resolvemos aproveitar.
Benvindo novamente!!!
Agosto 22, 2009
Nosso loop pelo leste da Africa estava completo, e estavamos novamente na Tanzania. Em Kiswahili existe uma frase que se traduzida literalmente significa “bem vindo novamente”. Em portugues ou ingles nao faz muito sentido, mas aqui faz… Felizmente estavamos de volta neste país fantastico, que possue muito a oferecer do que somente os belos parques do circuito norte dos safaris, Monte Kjaro e Zanzibar.
Kigoma e uma cidade super tranquila, entrada e saida para o Congo, Burundi e nao tao distante de Ruanda. Possui um porto onde os navios descem todo o Tanganika ate a Zambia, e muitos pegam o navio para ir ate o Malawi. Clima de interior, e alem do pequeno porto tem uma ferroviaria, de onde e possivel pegar um trem que atravessa o pais em 48 horas ate chegar em Dar. Minha ideia inicial era pegar o barco ate Tabora, quase fronteira com a Zambia/Malawi e de la pegar um trem. Como a experiencia anterior de barcos da Bibi nao foi das melhores, e acabamos nos enrolando no caminho, so teriamos tempo para pegar o trem. Inicialmente pegariamos um trem “especial” que so tem segunda classe dormitorio, e que sairia no dia seguinte. Aqui, homens e mulheres tem que ficar em vagoes diferentes, entao teria que comprar todas as 6 camas da cabine para podermos ficar juntos. Nao sei se comentei, mas a Bibi conseguiu ficar mais, e dia 20 em vez de voar de volta para o Brasil, voariamos para Madagascar. Antes de confirmar o bilhete do trem, recebi a noticia do aumento das tarifas para Madagascar, e resolvemos esperar ate dia 22 para pegar a passagem com preco reduzido. Gostamos tanto da regiao que resolvemos ficar mais, e a viagem de Dar para Lushoto (montanhas) seria cancelada. Assim poderiamos explorar melhor o lugar, e pegar o trem antigo, que possui uma primeira classe, so com 2 camas.

Kigoma

Vista do nosso Hotel
A poucos minutos daqui, fica Ujiji. Uma cidade esquecida no tempo, mas que era de muita importancia na regiao antes da construcao da ferrovia com estacao em Kigoma. Belas construcoes, hoje decadentes, com todo aquele povo com cultura Kishahili. Dificil imaginar que estamos tao longe do mar. Caminhamos pelas pacatas ruas, brincamos com criancas ate chegarmos ao museu no local onde supostamente o Stanley encontrou o Dr Livingstone (lembram que em Burundi afirmam que foi la). Independente se mas para cima ou mais para baixo do lago Tanganika, a questao e que o Dr Livingstone estava desaparecido. Ele era um missionario Escoces que veio para a Africa pregar o Cristianismo, descobrir novas oportunidades de negocio e acabar com a escravidao. Ele fez diversas expedicoes, durante varios anos cada uma delas. Ele que “descobriu” a cachoeira de Victoria Falls, por isto a cidade do lado da Zambia leva seu nome.

Ujiji

Ujiji 2
Aproveitamos para atualizar o Blog que estava atrasado e nos surpreendemos com uma rapida internet, coisa nao muito comum por aqui. Sabendo da velocidade, baixei o programa do skype e em 3 minutos ja estava falando com o Clau. No meio da conversa tremeu a velha casa que estavamos. A Bibi me perguntou se era vento, mas antes de eu pensar numa resposta um local afirmou tranquilamente: ” E um terremoto.” Nao tive outra reacao a nao ser rir muito. O Clau do outro lado do Skype me perguntava se a construcao era nova quando eu contei o que acabara de acontecer. Por sorte foi so um tremorzinho rapido…
Arranjei uma tiazinha para lavar as roupas, um restaurante bacana, e o tempo parou enquanto estavamos la. Unica hora de correria foi para achar o caderninho da Bibi, que ficou na internet e estava fechada quando fomos buscar antes de pegar o trem. Mas ela vai contar com detalhes o empenho que foi.
Tinhamos tempo para pegar o trem, mas as noticias era de que sempre atrasava para chegar e, a viagem em si. O nosso atrasou so umas 5 horas, praticamente pontual para os horarios africanos. Ficamos no hotel ate a hora do check in, e a Bibi aproveitou para tomar o seu ultimo banho dos proximos 2 dias, coisa que a estava encomodando muito. Duas horas antes do embarque ja estavamos la, com mantimentos e muita agua. Tinha falado que nas milhares de paradas daria para comprar tudo que precisassemos, mas a Bibi quis garantir. Deu tempo de fazermos amizade com um casal que estaria numa cabine ao lado da nossa. O inspetor, que ficou meu amigo de tanto eu ir verificar o horario que o trem realmente chegaria, nos acompanhou todo o tempo e fez questao de se despedir so na cabine, antes de trocar fones e emails.
A Bibi gostou da cabine, que apesar de velha, decadente, tinha ate uma pia com agua. Ha 60 anos atras deveria ser um super trem!! O vagao ao lado ja era o vagao restaurante, mas como nao tinhamos como trancar a cabine por fora, so por dentro, faziamos as refeicoes la mesmo. Cerveja gelada era uma raridade, so no final da viagem que nos ofereceram. As refeicoes eram estilo RU, portanto valia mais a pena comprar frutas e coisinhas nas rapidas paradas. Nas paradas mais longas dava para descer, mas nunca se sabia quando o trem ia sair. Para seguranca, ficavamos na frente da janela da nossa cabine nestas paradas mais longas. Num determinado lugar, fui comprar uns espetinhos e umas batatas fritas e a Bibi ficou de guarda. O trem comecou a se mexer (na verdade no sentido contrario) e eu so vi o trem em movimento com a Bibi correndo desesperadamente para alcancar a porta e me procurando ao mesmo tempo. Sai em disparada, passei ela e me segurei na porta. Com a outra mao a agarrei a Bibi e puxei para dentro no melhor estilo Indiana Jones ( antes dela segurar minha mao teve que jogar uma laranja no chao). Poucos metros depois o trem parou, e os locais riram muito.

Fim de tarde
A paisagem do primeiro dia decepcionou um pouco, pois devido a vegetacao nao deu para ver muito longe. No segundo dia a paisagem melhorou, mas ainda nao foi possivel avistar animais selvagens, o que tinham nos falado que poderia ser visto. Passamos por regioes remotas, vilas isoladas cercadas de arvores Boabab, muito legal. O trem, super lento, poderia entediar alguns, mas achei super legal a experiencia. So de estar ali ja era o suficiente. Alias, toda a viagem tem sido assim. Nunca quero estar em algum lugar, sempre onde estou. So reparo nas datas quando tenho que encontrar alguem. Quer coisa melhor que isto?!

Paisagem
Chegando em Dar (48 hs depois da partida) fomos para dois hoteis, mas estavam lotados. Acabamos ficando no mesmo da chegada da Bibi. Tinhamos algumas atividades do dia a dia para fazer como mercado, confirmar passagem, gravar CD de fotos (…) e aproveitamos para rodar Dar um pouco. Nao tinha nenhum guia de Madagascar e resolvi que compraria um. Vi onde estavam as melhores livrarias e partimos para a busca. Pegamos onibus e atravassamos a cidade ate uma praia, que fica na peninsula norte. La tem um tipo de shopping com muitos restaurantes e a tal livraria. Nao tinha o guia que queria, apesar de ser uma excelente loja. Almocamos e aproveitamos para conhecer esta regiao com embaixadas e casas de praia muito bonitas, entao valeu o passeio. A Gi (minha irma mais nova) me mandou um guia de Madagascar de Londres ano passado. Com a crise politica deste pais no inicio do ano achei que nao iria para la. Tinha algumas informacoes basicas, alem de outras dicas da internet, entao depois de alguns dias de bobeira em Dar pegamos o voo para Madagascar.
E a capital do Burundi e …?
Agosto 13, 2009
Pois e, estavamos indo num otimo minibus, com DVD e tela plana para o Burundi. No onibus nao foi dificil de reparar a gigantesca cicatris na cabeca do Sr que sentava logo a frente e na mao da mulher algumas poltrona ao lado. As marcas dos sobreviventes sao psicologicas e fisicas, e nem temos como saber se sao de Ruanda ou Burundi, pois ambos os paises passaram por imensos problemas de violencia.
No Burundi, ao contrario de Ruanda, os Hutus nao conseguiram assumir o poder apos a independencia, mesmo ganhando as eleicoes. O exercito era formado praticamente por Tutsis, e depois do genocidio selecionado de 1972 ficou totalmente formado por Tutsis. Listar todos os golpes de estado seria perda de tempo, pois foi um atras do outro. A guerra so terminou em 2004/2005, quando as Nacoes Unidas mandaram tropas para garantir as eleicoes. Com as eleicoes realizadas, e a vontade da maioria expressa, os Hutus tomaram o poder. Alguns rebeldes ainda tentaram fazer oposicao, mas a guerra civil estava com seus dias contados.
Viajar para o Burundi e uma coisa nova, pois ha muito tempo nao e um lugar seguro. Confesso que gosto de viajar para lugares inusitados, mesmo que nao exista uma atracao do tipo ” tem que ver”. So de estar num lugar destes, entender o que se passou ja e mais do que suficiente para mim. Para reforcar minha vontade, esta rota por Burundi era a melhor opcao logistica, com as melhores estradas, tendo em vista que as estradas do noroeste da Tanzania sao pessimas, e a viagem ate Kigoma demoraria dias.

Bienvenue au Burundi!
Na imigracao foi tudo rapido. Nao tinhamos comprado o visto com antecedencia, e no pequeno escritorio da imigracao estavam sem recibo. Como resolver esta situacao? Pegaram uma folha de papel sulfite, escreveram a mao mesmo, em seguida carimbaram, uma carta para a imigracao em Bujumbura. Ah sim, Bujumbura e a capital do Burundi, o que fui descobrir apenas algumas semanas antes de vir para a Africa, isto que eu gosto de um mapa. Quando comentei com o Piter/Varesca, casal sulafricano que viajei, que o Burundi estaria no meu ” caminho” se desse uma volta no Lesta da Africa, falaram que eu estaria morto se passasse por la. Quanta falta de informacao…

Carta para a imigracao
Apos a fronteira a paisagem foi mudando. Muitas areas queimadas, por diversos KM, e inacreditavelmente planas. Em pouco tempo voltamos as colinas, e passamos a descer, descer. As vilas eram palperrimas, o que contrastava com o bom asfalto que percorriamos. Com o tempo apareceram alguns buracos, mas nada demais. O que chamou a atencao foi a quantidade de bananeiras. Era uma do lado da outra, o verdadeiro pais das bananas. Muitos cachos gigantescos na cabeca das pessoas que perambulavam pelas ruas das pequenas vilas que paramos no caminho. A medida que fomos descendo, e nos aproximando do Lago Tanganika, a temperatura foi aumentando, aumentando, ate ficar muito quente. A Bibi ficou de papo com uma guria que tava sentado no bando da frente. Eu tambem troquei e-mails com um Sr que e tecnico Agro-florestal…
Chegando em Bujumbura foi aquele choque, pois vinhamos da bonita Kigali, se bem que esperavamos depois de tantos anos de guerra. O Samson, nosso anfitriao do Couchsurfing estava nos esperando. Muito gente boa, comunicativo, nos levou para almocar e depois da ciesta (levada a serio aqui) passamos rapidamente na imigracao onde em 2 minutos conseguimos o visto de transito, somente 3 dias. Tudo bem, nao iriamos explorar o pais, so passar um tempo na capital e seguir para Tanzania – Kigoma.

Bujumbura
O cara tinha tudo programado, super anfitriao, mas com o tempo encomoda um pouco. Como viajamos de forma independente, nao e facil se prender a programas, horarios e tal, parece quase um tour. Mas valeu pelo contato de uma pessoa local.
Como o Samson tinha acabado de se mudar, sua casa nao tinha nem banheiro, entao ofereceu para ficarmos na casa do irmao dele, soldado das Nacoes Unidas. Homem, 25 anos, morando sozinho ja viu… Era uma casa super simples, num suburbio, lugar que no Brasil chamariamos de favela. Poucos metros antes da casa tinha uma barraca do exercito, onde soldados garantiam a seguranca do local. Uma arvore na frente da avenida que vinha do centro chamava a atencao pela quantidade de morcegos gigantes pendurados. Casa simplerrima, e meio suginha, e a Bibi ja torceu o nariz. Nao dava para falar que nao iamos ficar, pois ele tava sendo super gente boa. Teriamos um quarto so para nos, relativamente grande e com internet.

Morcegos
Fomos ate um suburbio mais afastado, onde o Samson construira sua casa. Era quase no limite com a regiao rural, area de predominancia Hutu, e portanto muito afetada nos anos de guerra. Muitas casas em ruinas apresentavam diversos buracos de bala. Mais barracas do exercito para garantir a seguranca. Depois de conhecer a esposa e os filhos, fomos para um barzinho ali perto junto com alguns amigos. No canto do bar tinha um bode pendurado com uma churrasqueira ao lado. Se pedisse o espetinho, o churrasqueiro abanava as moscas, cortava a carne, espetava, assava e servia. Tomamos umas cervejas, mas estavam quente. Andamos um bom caminho de volta (ate pegarmos o transporte), pelas ruas sem iluminacao da regiao. A populacao se surpreendia em ver os Muzungos aqui andando por ali. Alem de estarmos com os locais, o Samson conhece todo mundo, parece vereador. Comprimentava os soldados e policiais que encontravamos, alem de metade da populacao. Ele e muito conhecido pois trabalha com projetos sociais e vive so de doacoes da comunidade. No periodo de guerra, existia o toque de recolher, e depois que escurecia as ruas ficavam vazias. Com o fim da guerra em 2004/2005 foram estendendo o horario ate chegar a meia-noite. Hoje teoricamente nao existe mais toque de recolher, mas como o transporte publico para cedo, existe um toque de recolher teorico, pelo menos para quem nao tem transporte proprio. Para os que tem, Bujumbura possui uma grande selecao de lugares para sair, que variam desde simples bares ate danceterias e restaurantes. Sao os resquicios de uma geracao que achou que ia morrer e agora quer curtir ate a morte…

Buracos de bala

Barracas do exercito para garantir a seguranca
Chegando na casa vimos que nao ficariamos mais no quarto grande e sim num minusculo. A Bibi demorou para dormir, e ficamos parcialmente protegidos pela tela mosquiteira e pelo ventilador. Fazia muuito calor e os mosquitos estava por todo lado. A certa altura da madrugada, acordamos com uma mulher, nossa vizinha, chorando. Nao demorou muito e a energia acabou, nos deixando cozinhando ali dentro. Um maldito mosquito entrou dentro da tela e nos azucrinou. Eu com a lanterna tentando matar, abrindo a porta para ventilar e tentando acalmar a Bibi que ja chorava nestas alturas. Final das contas deu tudo certo. Dia seguinte arrumamos todas as coisas e abri a porta p/ arejar a casa quando o galo entrou e deu um trabalhao para tocar o maldito para fora. Quando o Samson chegou falei que nos mudariamos porque a Bibi estava naqueles dias, precisava tomar varios banhos, e nao se sentia muito a vontade. Tudo tranquilo. Fomos para a cidade, demos uma geral caminhando e depois fomos para a casa do Samson onde sua esposa nos esperava com um belo almoco. Depois do almoco pegamos as coisas e nao demoramos muito para achar um hotel. Encontramos com a amiga da Bibi do onibus, um Polones que ficaria na casa do Samson (tinhamos encontrado ele em Nyamata-Ruanda), e junto com o Samson fomos ate uma praia do lago Tanganika.

Almoco

Amigos

Praia no Tanganika

Lago Tanganika
O Lago Tanganika e o segundo maior da Africa, ficando atras somente do Lago Victoria. Este lago tambem e o segundo mais profundo do mundo, chegando a ter inacreditaveis 1400 metros de profundidade!!! Chegamos de DalaDala e o tempo nao tava muito bom. Sentamos na beira da praia para tomar uma cerveja. Era uma praia estruturada, nao com o aspecto selvagem como as do Malawi, mas era bonita tambem. Ventava tanto que tinha ate pequenas ondas.Ficamos batendo papo, tipo clube do bolinha, mulheres para um lado, homens do outro. O polones esta fazendo a viagem inversa da minha. Veio do norte (desde o Egito) indo para o sul, entao tinhamos muitas dicas e informacoes para trocar. Tiramos umas fotos e de repente apareceu um pia com uma camera pedindo se ele podia tirar fotos. Nao fui eu que falei com ele, ate achei que era conhecido. Tiramos algumas fotos e este pia tirou uma impressora HP da sua velha mochila, colocou o cartao de memoria e imprimiu rapidamente as fotos!!! Haha eu chorava de rir tamanho era meu espanto.

Impressora HP na praia
Voltamos para o hotel e a Bibi tinha convidado as 2 amigas para jantar. So nao sabiamos que aqui quem convida e quem paga. Gentilmente pedimos desculpas pelo mal entendido e explicamos que nao tinhamos entendido. Acabamos indo jantar so eu e a Bibi. Aqui, assim como na Ruanda, nao da para sacar dinheiro em caixas automaticos, entao tem que ter uns dolares para trocar nas milhares casas de cambio. Como era noite, pegamos um taxi para o restaurante, mesmo sendo poucas quadras. Conversando com o gerente do restaurante, ele fez questao de na volta nos acompanhar a pe para mostrar o quanto Bujumbura era segura a noite.

Paz!!!
No Burundi, assim como na Uganda e na Ruanda, esta uma das nescentes do Rio Nilo. Nao muito impressionante, mas talvez a mais longa. Existe tambem a discussao se foi aqui ou na Tanzania que a expedicao do Stanley encontrou o Dr Livingstone, missionario desaparecido a muitos anos (talvez o maior explorador da Africa, depois comentarei mais sobre ele).
Bem cedo, antes do sol nascer, estavamos pegando uma van para a Tanzania. A Bibi me questionava se nao tinha onibus, mas o pior e que nao tinha. Encontramos 2 estudantes de medicina irlandeses, que tambem viajariam para Kigoma-Tanzania. Os irlandeses e o polones foram os unicos brancos que vimos em todo o Burundi, mesmo na rua.
Para fechar o porta malas o cobrador dava uns chutes. Foi bem cheia a van, mas dentro do limite de pessoas. A saida ao sul me chamou atencao. Ao inves de bananeiras como na entrada do pais, passamos por diversas cruzes, num cemiterio improvisado. Passamos por muitas barreiras do exercito, que nos paravam, conferiam todos os itens de seguranca, inclusive limpador de parabrisas e pisca, antes de nos liberar. Se nos outros paises nos acostumamos com AK-47, aqui eram aquelas surpreendentes metralhadoras com tripe que estavam por todos os lados. A estrada foi piorando, quando bem para o sul passamos por dois resorts, no meio do nada. Facil de entender pela beleza do lugar, dificil de entender quando e porque foi construido ali.

Olha a cor da agua
Ja perto da fronteira as curvas comecaram, assim como o sobe desce. O asfalto terminou, e numa pequena vila paramos para fazer a imigracao, numa casa que mais parecia residencial. Um sr me chamou tirando sarro para ir comer com eles. Comiam Ugali (polenta deles) e peixes muito pequenos (uns 2 cm) com cebola. Agradeci, sentei e comi junto com eles, amassando o ugali com a mao, assim como eles fazem. Eles riram da cena e nos divertimos muito.
Andamos mais um pouco ate a imigracao da Tanzania. O processo foi meio lento e tivemos que comprar outros vistos, o que nao estava correto de acordo com o tratado da comunidade do Leste da Africa. Uma outra van, caindo aos pedacos, nos esperava a nao muitos metros dali. Todos os passageiros que estavam na outra van, alem de outros estavam la. Estava apertado, eu com duas mochilas no colo que serviram de encosto para a Bibi, porque o banco dela tava sem encosto. Cachos de banana, galinha e caixa com pintinhos tambem faziam parte da carga. O cobrador nao conseguiu fechar a porta, entao fechou por fora e se lancou pela jannela, onde ficou com o corpo totalmente para fora durante as horas que seguiram pela empoeirada estrada. Varias vezes coloquei empoeirada estrada nos meus posts, mas esta ganhava de todas, e de lavada… Sabe aquela terra roxa do norte do Parana? Entao, aquele estilo. A poeira entrava pelas janelas, frestas, buracos. A estrada era terrivel, e todos se mantinham de olhos fechados ou com lencos na cabeca. A Bibi ria sem parar, mostrando que desenvolveu um otimo senso de humor desde o inicio da viagem.

Conforto?!
Depois de algumas horas, a poucos Km de Kigoma, a Van para. Passam a descarregar toda a mercadoria que estava abarrotada no teto. Haviam ate parado para comprar uma corda para amarrar tudo, mas agora tava tudo no chao. Ofereceram o equivalente a uns 30 centavos de real para 2 passageiros seguirem a pe. Eles prontamente aceitaram e seus lugares foram preenchidos com as mochilas e mercadorias. Nem 500 metros depois fomos parados pela policia, que conferiu se tava tudo em ordem. Logo chegamos em Kigoma, e parecia que estavamos fantasiados.
NUNCA MAIS!?!
Agosto 11, 2009
Never again, o “nunca mais” ja foi dito muitas vezes. A cada catastrofe, cada desgraca, e dito novamente. Quando poderemos dar um basta em tantas situacoes que poderiam ser evitadas e que depois ficamos lamentando? Nao quero fazer um texto politico, pois sei que vai ficar chato, mas seria interessante refletirmos.
Construcao do genocidio na Ruanda:
- 1894 – Alemaes chegam a regiao Urundi-Ruanda. Houve uma resistencia inicial a colonizacao, mas sem muito sucesso.
- 1923 – Belgas assumem o territorio, apos o fracasso alemao na primeira guerra.
- 1932 – Belgas classificaram o povo em Tutsis, Hutus e Twa (pigmeus). Qualquer familia que tivesse mais de 10 vacas era considerada Tutsi, independente da origem. Virou uma divisao social, mas ate os Twa que protegeram uma rainha Tutsi receberam o titulo de Tutsi. Identificacao feita na carteira de identidade.
- 1950 – Os Tutsis ja comandavam a regiao, com os seus ” reis” Mwani. Passam a ser ainda mais favorecidos (educacao, cargos…), em troca de lealdade aos belgas.
- Hutus eram 85%, Tutsis 14% e Twa 1% da Populacao. Originavam de tribos que vieram da Ethiopia e Sudao, dentre outras regioes. Os hutus ja eram o “povo” antes da chegada dos belgas, mas existiam casamentos entre as diferentes “racas”, viviam tranquilamente por centenas de anos.
- A Igreja apoiava a discriminacao, pregando que os Tutsis eram superiores.
- 1956- Tutsis tentam a Independencia, belgas passam a apoiar os Hutus.
- 1959 – Morre o Mwani (rei Tutsi).
- 1959-1973- Quase 1milhao de Tutsis vao para o exilio em paises vizinhos.
- 1962 – Independencia forma 2 paises, Ruanda, agora comandada por Hutus e, Burundi, comandada por Tutsis (que perderam eleicoes, mas continuaram no poder a forca). Hutus crian cotas para Tutsis.
- 1972 – Hutus tentam um golpe de estado no Burundi, matam cerca de 1000 Tutsis. Em represalia mais de 300.000 Hutus sao mortos, num genocidio selecionado. Matam Hutus com educacao, influentes, com bons cargos. Tentam “popularizar” os Hutus novamente.
- 1973 – Habyarimana derruba o presidente Kayibana na Ruanda, e tenta melhorar o problema dos conflitos.
- 1986 – Musevini assume o poder na Uganda. Para ganhar a guerra, utiliza muitos refugiados de Ruanda que estavam exilados em Uganda. Paul Kagame (atual presidente da Ruanda) era seu braco direito.
- 1990 – Ruanda Patriotic Front, Rebeldes Tutsis que viviam no exilio, invadem Ruanda. O exercito de Ruanda recebe o apoio de tropas internacionais, contando com exercito da Franca, Belgica e Congo.
- Inicialmente milhares de Tutsis e Hutus que colaboraram com a invasao foram massacrados. Muitos presos em estadios de futebol superlotados, sem comida nem agua. Mais Tutsis se refugiam nos paises vizinhos. Inicia uma serie de matancas de Tutsis em pequenas cidades.
- Ministro da Defesa de Ruanda (Coronel Bagarosa) ajuda a treinar a Milicia Interhamwe, forma nao oficial de matar os Tutsis. Exercito frances tambem apoia.
- 1991- RPF invade novamente a Ruanda, desta vez mais armados e treinados (com o apoio de Uganda). Vao conquistando territorios no norte do pais, ate que em 1993 ja estao proximos de Kigali. Os massacres esporadicos contra Tutsis em outras regioes se tornam mais frequentes.
- 1993- Criam a convencao em Arusha-Tanzania para um cessar-fogo.
- 1994 – Presidente Habyariama volta da convencao de Arusha junto com presidente Cypriem do Burundi. Ele discutia uma divisao de poder, mas parecia que conseguira menos que o esperado. Seu aviao estava para aterrisar quando foi derrubado por um missil. Dizem que foram Hutus extremistas, que ja estavam com o genocidio planejado, mas muitos Hutus tem explicacoes claras de porque foram os Tutsis que derrubaram. Ninguem nunca vai saber.
- Inicia o genocidio. Listas de todos os Tutsis ja estavam feitas. Ruas sao bloqueadas e a matanca inicia. A populacao em geral tambem participa. Quem nao participa e acusado de traicao e e morto tambem.
- Facoes, martelos e porretes com pregos foram armas muito utilizadas.
- Na Igreja em Nyamata, 6 mil pessoas estavam dentro da Igreja, e mais de 4 mil fora. Elas buscaram abrigo la pois em 1992 muitas tinham se salvado la. Algumas pessoas morreram esmagadas quando o tumulto estava acontecendo do lado de fora. Alguns homens se posicionaram na entrada da igreja, para proteger as outras pessoas. O sucesso durou pouco, pois granadas foram lancadas. Todas as marcas dos estilhacos podem ser vistas no chao, paredes, portao e toldo da igreja ate hoje.
- Historias como as de Nyamata aconteceram as dezenas, por todo o pais. Em alguns locais os proprios padres/pastores colaboraram na execucao de seus fieis, ou ate mesmo, executaram.
- Nao adiantava so matar, tinha que ser cruel.
- Cortavam os tendoes para que nao pudessem fugir.
- Homens com Aids estupravam mulheres.
- Cortavam a barriga de mulheres gravidas para matar as criancas na frente da mae.
- Maridos eram obrigados a matar suas mulheres antes de serem mortos.
- Mulheres eram obrigadas a matar suas criancas antes de serem mortas.
- Criancas eram forcadas a participar dos massacres.
- Vizinhos matavam vizinhos, amigos de anos.
- No interior era pior, pois todos se conheciam, e sabiam quem deveria morrer.
- Dados do governo atual (RPF) dizem que 90% dos Hutus participaram do gencidio, 5% ficaram neutros e 5% ajudaram os Tutsis.
- Pessoas da ONU tentaram avisar o que estava por vir, mas nada foi feito. As pequenas tropas designadas para salvar os estrangeiros ja seriam suficientes para evitar o genocidio, se tivessem outro foco.
- Na hora de escolher se salvavam os estrangeiros (independente da nacionalidade) ou os Tutsis, nao exitaram em deixar os Tutsis para tras.
- 1994 – 3 mese depois a guerrilha RPF toma Kigali e conquista mais territorios, fazendo com que o exercito e a milicia fujam para o Congo
- Nos proximos anos os Hutus se tornaram os refugiados. As milicias afirmavam que quem voltasse seria morto por um teorico sentimento de revanche.
- Interhamwe, milicia hutus, faziam ataques a partir da fronteira.
- 1996 – RPF invade as fronteiras do Congo para guerrear com a Milicia. Muitos Hutus que nao tinham nada a ver com a milicia retornam ao pais.
- Muitos responsaveis sao julgados, mas alguns conseguem asilo em outros paises (alguns presos mais tarde).
- Os tribunais nao dao conta de tantos julgamentos. Reativam as Gacaca, forma tribal de julgar problemas pequenos (tipo tribunal de pequenas causas). Ate hoje sao realizadas as Gacaca todas as quinta-feiras de manaha. Se o acusado assumir e contar o que foi feito, pega a pena de trabalho comunitario, devidamente vestido com um macacao rosa. Se nao assumir, pode pegar pena de prisao perpetua.
- So assim algumas familias podem “enterrar” seus parentes.
- Muitas familias foram separadas. Milhares de orfaos. Muitas familias morraram por inteiro, sem ficar ninguem para contar a historia…

6000 pessoas neste espaco, aguardando para serem mortas. Sobraram as roupas...

E ossos...

Nunca mais?

Igreja Nyamata
Tudo bem, tudo acabou, Ruanda esta se reconstruindo, apesar de marcada eternamente.
Foi uma caso isolado? Nao acontesse nada igual em outros lugares?
Do mesmo jeito que Ruanda era um pequeno pais sem muita importancia para a comunidade internacional, Dafur/Sudao e so um deserto, correto?!
Haiti, ha, aquele pais pequenino. Nigeria, Mali, Libano, Palestina, Chad, Africa central, Costa do Marfin, Congo…
Somalia? Nao deve ter mais jeito, certo?! Iraque e Afeganistao, estes sim sao “perigosos” para o Ocidente!! La e importante tomarmos uma acao rapida!
Ta bom, guerras sao uma realidade muito distante para os brasileiros, mas duvido que ninguem se comovece ao saber sobre qualquer um destes casos. Se comoveriam, da mesma forma que se comovem ao ver no Jornal Nacional o caso da menina Izabela, brutalmente assassinada pelo pai. Todos pedem justica, e fecham os olhos pelas centenas de outras criancas que sao violentadas, mortas tambem brutalmente pelos seus pais. Qual a diferenca? Um esta na televisao, milhares nao.
E nos, fazemos o que? So lamentamos?

Cranios furados com martelada





















































